Apple

Nem só de iPhone vive a Apple. Será o ecossistema de serviços a ‘salvação’?

Tim Cook

A Apple teve um início de ano turbulento a nível de resultados devido ao iPhone. Analisamos o crescimento da marca nos serviços e os novos desafios.

O iPhone tem sido, na última década, a galinha dos ovos de ouro da Apple. Mas o mercado dos smartphones está cada vez mais maduro, os gadgets que mudaram a vida de muitos (são um computador de bolso) estão cada vez melhores e mais duradouros e as pessoas já não sentem tanta necessidade de trocar com tanta frequência pela última novidade. Tim Cook, admite agora que o preço dos iPhone pode estar a ser um problema, isto numa empresa com registos notáveis inclusive para dar o salto para os serviços: 1,4 mil milhões de aparelhos Apple (900 milhões deles são iPhone) estão ativos no mundo.

Neste contexto, a Apple anunciou na terça-feira que caiu 15% nas receitas diretas das vendas de iPhone no último trimestre do ano – um dos mais importantes para a marca – face ao mesmo período do ano passado (nas receitas em geral perdeu 5%). Ainda assim, o registo de receitas da empresa, mesmo que tenha ficado aquém das previsões, foi de 84,3 mil milhões de dólares – a esmagadora maioria vinda da venda de iPhone.

Tim Cook começou por explicar, há duas semanas, a quebra nas vendas do seu produto chave com o abrandamento inesperado da economia chinesa, mas ontem o CEO da Apple admitiu pela primeira vez que o preço mais elevado dos últimos modelos iPhone Xs, Xs Plus e Xr também podem ter influenciado a quebra nas vendas dos novos produtos. Aliado a isso está “a maior força do dólar”, o que tornou os iPhone mais fora dos EUA mais caros, isto além do preço base já de si elevado desde que a marca lançou em 2017 o iPhone X – o preço base em Portugal era de 1179 euros e nos EUA 999 dólares. Cook admitiu, assim, que podem haver ajustes (para valores mais baixos) nos preços dos iPhone no futuro.

O ecossistema de serviços como plano B

Um dos argumentos mais usados pelos fãs da marca da maçã para se manterem por lá é o ecossistema, a facilidade de ligação entre aparelhos diferentes e a segurança. Dentro do ecossistema os serviços, como a App Store (onde existem 2,5 milhões de programadores), o iTunes (que teve no último trimestre números recorde) e o Apple Music são outra das apostas da marca para continuar com receitas elevadas, mesmo num tempo em que se irão vender menos iPhone.

Neste momento, a Apple tem 360 milhões de subscritores pagos nos seus vários serviços, três vezes mais do que em 2017, indicou esta semana o CFO da empresa Luca Maestri e os especialistas estimam que, em 2020, a empresa deve atingir os 500 milhões de subscritores pagos. O valor é notável, mas nele estão inseridos além dos serviços da própria Apple, as subscrições feitas através de apps na Apple Store (de revistas, jogos e afins), das quais a empresa recebe uma comissão.

O analista Timothy Arcuri garante que a Apple “está numa fase inicial de fazer a transição de distribuidor para fornecedor ou agregador de conteúdos e de serviços”, dando como exemplo os recentes boatos que a empresa pode estar a ponderar lançar, além do serviço de streaming de vídeos, uma subscrição de videojogos. Só como termo de comparação, o Spotify tem neste momento 87 milhões de subscritores que pagam (mais do que os 50 milhões do Apple Music) e a Netflix tem 148 milhões e o Amazon Prime tem mais de 100 milhões de subscritores (a esmagadora maioria nos EUA).

A Apple está perto de lançar um serviço de streaming rival da Netflix, mas o números atuais da empresa no que diz respeito aos serviços já são auspiciosos. A empresa de Cupertino viu essa área crescer 19% no último trimestre, para os 10,9 mil milhões de dólares em receitas (13% do total), e o serviço Apple Music atingiu os 50 milhões de clientes pagantes.

Mas há outros números que mostram que a empresa está a crescer de outras formas. As receitas da Apple fora dos EUA passaram dos 50% para os 60%, as receitas do serviço iCloud teve um crescimento de 40% no último trimestre e as transações por Apple Pay praticamente duplicaram num ano, para os 1,8 mil milhões de dólares.

Ainda há o registo impressionante de que a Apple tem agora 1,4 mil milhões de dispositivos ativos e os recordes absolutos nas receitas globais que a Apple conseguiu nos EUA, Canadá, América Latina, Europa e Coreia.

900 milhões de iPhone ativos

A Apple revelou ainda, pela primeira vez, o número de iPhone ativos no mundo, são agora 900 milhões (um crescimento de 75 milhões dispositivos ativos nos últimos 12 meses). No último trimestre, o mais forte do ano para a Apple no que diz respeito a iPhone foram vendidos 46,89 milhões de iPhone a nível mundial. Não há registos oficiais das vendas totais de iPhone em 2018, mas as previsões de vendas do site Statista são de 217,79 milhões de unidades vendidas (perto de um milhão de iPhone a mais vendidos do que em 2017, de acordo com o Statista) – o número inclui modelos como o iPhone 8 ou iPhone 7, que ainda são comercializados pela marca.

Ou seja, os dados permitem concluir que existem 683 milhões de iPhone ativos que não foram vendidos como novos em 2018. Parece existir, assim, três vezes mais pessoas com iPhone com mais de um ano de ‘vida’ do que com modelos novos. Um registo que é provável que esteja a aumentar (não há dados oficiais anteriores da Apple).

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