Finanças Públicas

Juro de menos de 2% poupa 30 milhões na fatura ao FMI

Tesouro financiou-se ontem ao juro mais baixo de sempre no prazo a dez anos. Governo aproveita e acelera pagamento ao FMI.

Portugal conseguiu o juro mais baixo de sempre em leilões de dívida a dez anos. E vai aproveitar para reforçar os pagamentos ao Fundo Monetário Internacional (FMI). O Tesouro foi ontem ao mercado buscar 1,25 mil milhões de euros com um juro de 1,939%, o que pode representar uma poupança de 30 milhões de euros em relação aos empréstimos do FMI. A emissão foi feita a menos de metade do juro que a instituição liderada por Christine Lagarde cobra nos empréstimos concedidos a Portugal: 4,3%.
A taxa obtida no leilão de ontem implica que o Tesouro vai pagar um juro anual de 24 milhões de euros. Mas se tivesse sido exigido o juro cobrado pelo FMI a fatura seria de quase 54 milhões de euros por ano.

Para baixar os custos de financiamento, o Estado vai acelerar os reembolsos antecipados ao Fundo, substituindo essa dívida mais cara por nova mais barata. Os pagamentos a fazer até final do ano vão subir de dois milhões para 2,8 milhões de euros, adiantou fonte oficial das Finanças ao DN/Dinheiro Vivo. Mas o valor ainda não está fechado e poderá subir. O objetivo, explicou Mário Centeno, citado pela Lusa, é “reduzir o custo médio do endividamento, reforçando o que são muito boas condições de financiamento da economia portuguesa”. O último reembolso, de mil milhões de euros, tinha sido feito no final de outubro, elevando para 66% o montante do empréstimo do FMI abatido nos últimos anos.
A gestão que tem sido feita da dívida e as melhores condições de financiamento deverão permitir que a fatura com juros baixe 443 milhões de euros em 2018 para 7,13 mil milhões de euros, segundo as projeções do OE. O economista do Montepio, Rui Serra, explica que “a taxa de juro média da dívida portuguesa continuará a cair, algo que é muito importante para assegurar a sustentabilidade da dívida a longo prazo”. Até porque se o crescimento da economia irá permitir baixar o peso da dívida em relação ao PIB, em valores totais irá continuar a subir.
O juro de ontem também ficou abaixo do custo médio de toda a dívida do Estado, que era de 3,2% em 2016. “Representa uma excelente poupança em juros para o país, que assim baixa o custo médio”, refere João Queiroz, diretor da banca online do Banco Carregosa. No entanto, devido aos juros elevados verificados no início do ano, altura em que Portugal pagou mais de 4% para se financiar a dez anos, o custo das emissões deste ano poderá ficar ainda acima do verificado em 2015. Nesse ano, o Estado financiou-se a uma taxa média de 2,7%. “As nossas estimativas apontam para um valor apenas ligeiramente inferior a 3%”, reconhece Cristina Casalinho, presidente do IGCP, em declarações ao DN/Dinheiro Vivo.

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