Energia

Leilões do solar afundam preços da eletricidade para menos de metade

Fotografia: Reinaldo Rodrigues/Global Imagens
Fotografia: Reinaldo Rodrigues/Global Imagens

A Iberdrola foi a grande vencedora do leilão, com o maior número de lotes arrematados: sete num total de 22 que foram já adjudicados.

Os leilões de energia solar que terminaram esta segunda-feira foram, na visão do ministro do Ambiente e Transição Energética, João Pedro Matos Fernandes, um sucesso a quadruplicar. A começar pelos valores de licitação e preços finais garantidos, que bateram recordes mundiais. A Iberdrola foi a grande vencedora do leilão, com o maior número de lotes arrematados: sete num total de 22 que foram já adjudicados.

Quando às duas modalidades diferentes em que se podia participar neste leilão, de um total de 1150 MW, 862 MW foram adjudicados em regime de remuneração garantida e 288 em regime geral de mercado.

“Na remuneração garantida batemos o recorde mundial. Há um projeto que se propõe produzir e vender eletricidade a 14,63 euros por MWh”, revelou Matos Fernandes ao Dinheiro Vivo. Quanto aos preços médios, o ministro diz que rondam os 20,33 euros/MWh, menos de metade dos valores registados no mercado grossista esta semana. “O preço de ontem no mercado grossista da Península Ibérica foi de 52 euros por MWh”, sublinha o ministro. A tarifa média ponderada atribuída no regime garantido foi no máximo de 31,16 euros/MWh.

No entanto, Matos Fernandes diz que a sua maior surpresa foi na modalidade de regime geral. “É como vender a eletricidade a preço de mercado mas por cada MW vendido há uma contribuição paga ao sistema. E aqui temos contribuições para o sistema numa média entre 21,35 euros/MWh, com um mínimo de 5,1 e um máximo de 26,75 euros. São números muito além das expectativas iniciais que tínhamos”, disse o governante.

De acordo com Matos Fernandes, foram adjudicados 22 dos 24 lotes. “E conseguimos a preços excelentes. A procura nos leilões foi nove vezes superior à oferta e os lotes foram adjudicados a 13 empresas diferentes. Esta diferença reverte inteiramente para o sistema e para os consumidores. Há uma vantagem quádrupla: ganha o país, porque vai produzir eletricidade utilizando recursos endógenos e dispensando a importação de gás e carvão; ganham os consumidores que vão ter eletricidade mais barata; o país descarboniza-se de forma mais intensa, porque toda esta produção de eletricidade não provoca emissões com efeito de estufa; e confirma-se que produzir eletricidade a partir de fontes renováveis é muito mais barato do que com fontes fósseis”.

Das 13 empresas que saíram vencedoras, a Iberdrola foi a que arrematou mais lotes: sete num total de 22. Já em termos de potência, quem que ganhou maior potência, com 370 MW, foi a empresa francesa AKUO.

“As grandes empresas que operam em Portugal [como a EDP, Galp, entre outras] vieram todas a leilão mas nenhuma ganhou nenhum lote. Isto deveu-se ao mecanismo de licitação: quem oferece o preço mais barato ganha. No início do próximo ano haverá outro leilão para pelo menos 700 MW e estas empresas estarão presentes de novo de certeza. Se oferecerem as melhores condições serão as ganhadoras”, rematou o ministro.

As boas notícias dos leilões de energia solar em Portugal já chegaram a Espanha, com o El Economista a dar conta que Espanha prevê multiplicar por sete a sua potência fotovoltaica, e passar dos atuais 4700 MW para 36900 MW, sendo que muitas das futuras centrais serão criadas com leilões “cujos resultados não deverão estar muito longe dos alcançados em Portugal”,

“É o mercado a funcionar da forma mais transparente possível. O fundamental é que tivemos um muito bom leilão: transparente, com duas modalidades diferentes, e batemos recorde do mundo no regime garantido. É um leilão pensado para o interesse público e muito pensado numa estrutura estável e de grande compromisso do país com a descarbonização e querer chegar a 2030 com 80% da eletricidade a vir de fontes renováveis”, conclui Matos Fernandes.

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