Distribuição

Makro Portugal admite abrir mais lojas, mas ainda sem data prevista

Fotografia:  José Carmo/Global Imagens
Fotografia: José Carmo/Global Imagens

Makro tem como meta atingir os 400 milhões de faturação.

O presidente executivo do Metro AG, Olaf Koch, grupo que detém a Makro em Portugal, admitiu, em entrevista à Lusa, a abertura de mais lojas no mercado português, mas sem data prevista.

Atualmente com 10 lojas, a Makro Portugal poderá vir a abrir mais unidades em território nacional.

“Acho que não há nenhuma razão para não abrir” mais lojas, afirmou Olaf Koch, que considerou que antes de qualquer decisão é preciso esgotar a capacidade das unidades já existentes.

“Se a capacidade for ultrapassada devido ao crescimento” não há dúvida que “iremos investir em novas lojas”, explicou.

Questionado sobre a localização das mesmas, Olaf Koch disse que isso será uma decisão do responsável da Makro Portugal, David Antunes.

Por sua vez, o presidente executivo da filial portuguesa apontou a zona da “Serra da Estrela, Covilhã” e “Madeira”, áreas que a Makro Portugal já cobre, mas que podem vir a ter unidades.

Sobre quando é que poderá acontecer uma nova abertura, Olaf Koch disse que “não é impossível” que tal decisão venha acontecer no espaço do ano, mas salientou que o investimento da empresa está atualmente focado na melhor qualidade de serviço aos seus clientes.

Relativamente ao investimento da Makro em Portugal, os responsáveis – Olaf Koch e David Antunes – não adiantaram valores, mas salientaram que a aposta está nas pessoas e na qualidade do serviço aos clientes.

Além do recrutamento de pessoal que a grossista está a fazer para reforçar a equipa no verão, David Antunes adiantou que a subsidiária portuguesa contratou desde 2017 mais de duas centenas de pessoas, mais precisamente “225”.

“Estamos a investir em competências”, afirmou o presidente executivo da Makro Portugal, dando os exemplos da abertura da Makropédia, centro de partilha de conhecimento dedicado a colaboradores, clientes e parceiros.

Sobre a digitalização, que é um desafio para o setor, esta vai “mudar o jogo na indústria para melhor”, considerou o presidente executivo do Metro, adiantando que o grupo tem desenvolvido “uma série de ferramentas” que permitirão melhorar o desempenho dos seus clientes.

Questionado sobre como vê o futuro do grupo, Olaf Koch sublinhou que o Metro não é apenas uma empresa de ‘cash & carry’, mas mais do que isso: distribuição, formação e inovação.

“Acho que daqui a três anos o perfil” do grupo será “o de uma empresa com soluções”, um parceiro empresarial, adiantou.

Relativamente às suas expetativas sobre o mercado português nos próximos três anos, o presidente do grupo alemão manifestou-se otimista.

“Tenho observado Portugal através da Makro Portugal, mas também através de programas de ‘startups’ que apoiamos”, começou por dizer o gestor.

“Estou bastante impressionado pela forma como o país mudou desde os tempos difíceis [intervenção da ‘troika’]”, prosseguiu, salientando que a trajetória ascendente da economia portuguesa “deverá continuar”, nomeadamente no setor onde a Makro Portugal opera, “nomeadamente no setor alimentar”.

“Portugal é um país que viveu uma fase de dificuldade e tornou-se mais forte”, disse, apontando o “aspeto da inovação”, que é “algo que está a acontecer” no país.

“Inovação, criatividade e empreendedorismo. Isso é assinalável comparando com outros países europeus. E Portugal, especificamente no que respeita à inovação no setor alimentar, está a tornar-se um dos países pioneiros” nesta área, salientou.

O grupo Metro mantém o seu compromisso de reduzir de forma significativa a utilização de plástico nos próximos anos, uma tendência seguida por vários setores em termos globais.

“Já substituímos [o plástico] em centenas de artigos” e isso é um dos grandes desafios no futuro, referiu.

“Do meu ponto de vista é preciso encontrar material alternativo que seja mais sustentável”, disse, apontando que há situações em que a “alternativa” por vezes “é mais prejudicial para o planeta do que o próprio plástico em si”, pelo que as várias partes envolvidas devem trabalhar em conjunto na procura de soluções.

Meta de 400 milhões na faturação

Atualmente, “estamos constantemente a aumentar as receitas” anuais no mercado português, afirmou Olaf Koch, na sua primeira visita à operação portuguesa, depois de um período em que a Makro Portugal sofreu uma reestruturação que levou à redução do número de trabalhadores.

“Estamos a aproximarmo-nos dos 400 milhões de euros” de faturação, o que vai ser “um marco para mostrar que a Makro Portugal está recuperar de forma saudável e muito lucrativa”, acrescentou o gestor.

Questionado sobre quando é que vão atingir a meta dos 400 milhões de euros, Olaf Koch afirmou que “em 2020”, mas admitiu que tal possa ainda acontecer este ano.

“Vamos tentar chegar aos 400 milhões este ano”, disse, lançando o repto ao responsável da Makro Portugal, David Antunes, também presente na entrevista.

No ano fiscal 2017/2018, terminado em setembro passado, a faturação da Makro Portugal foi de 379 milhões de euros, uma subida de cerca de 4% face ao período anterior.

A Makro, filial portuguesa do grupo alemão Metro, é uma das principais empresas na distribuição grossista, comercializando produtos alimentares e não alimentares. Em 2015, além de ter anunciado maior autonomia local a nível comercial e operacional, passou a reportar diretamente à Alemanha, em termos operacionais.

Uma das apostas da Makro Portugal assenta no canal HoReCa, ou seja, hotéis, restaurantes e cafés. A Makro entrou em Portugal em 1990, atualmente emprega mais de 900 pessoas e conta com duas plataformas logísticas: Torres Novas e Malveira.

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