Malparado

Malparado: 10% das famílias com crédito está em incumprimento

Cartões de crédito e débito. Fotografia: Global Imagens
Cartões de crédito e débito. Fotografia: Global Imagens

Há quatro meses consecutivos que se regista uma subida da percentagem de famílias devedoras em situação de incumprimento.

O Banco de Portugal divulgou esta sexta-feira indicadores que apontam que 10% dos particulares com empréstimos não conseguiam pagar as suas prestações no mês de abril, a percentagem mais elevada desde maio de 2018.

Há quatro meses consecutivos que se regista uma subida da percentagem de famílias devedoras em situação de incumprimento. Os empréstimos vencidos no crédito ao consumo subiram pelo terceiro mês consecutivo, para 6,8% de 6,7% em março. No crédito à habitação, o rácio de incumprimento ficou estável em 4,4%.

Em valor, o montante total em incumprimento por parte das famílias caiu em abril para 2429,8 milhões de euros, de 2445,7 milhões de euros em março.

A percentagem de empresas devedoras com crédito malparado também está a aumentar. No caso do setor do alojamento e restauração, 25% dos devedores estava em incumprimento em abril, o que compara com 21,8% em março e 21,3% no período homólogo.

Estes aumentos coincidem com o período de confinamento forçado da população devido à declaração de estado de emergência no dia 18 de março, que vigorou até ao dia 2 de maio. Empresas fecharam – algumas em definitivo – o desemprego aumentou, tal como o recurso à suspensão de contratos de trabalho – lay-off.

Antes da crise, o recurso ao crédito por parte das famílias voltou a bater recordes. Nos primeiros três meses de 2020, os pedidos de crédito atingiram os 4900 milhões. A subida registou inclusive no crédito ao consumo, que o Banco de Portugal tem tentado travar com o reforço de limites para a sua concessão.

O Governo aprovou uma moratória legal para o crédito à habitação e crédito a empresas para minimizar os impactos da crise criada pelo confinamento. A medida vai vigorar até 30 de setembro mas deverá ser prolongada. Em paralelo, os setores da banca e do crédito especializado aplicaram moratórias privadas ao crédito ao consumo. Estas medidas permitem travar a subida do malparado, já que o pagamento das prestações dos créditos são adiadas.

Os bancos têm vindo a diminuir as suas carteiras de malparado, nos últimos anos, incluindo através de operações de venda de créditos vencidos a outras instituições. Em 2019, os bancos em Portugal cortaram 8,7 mil milhões de euros em malparado, segundo dados compilados pelo supervisor bancário.

Atualizada às 12H52 com mais informação

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