moção de censura

May promete dar tudo, casas de apostas dão liderança a Boris Johnson

EPA/JULIEN WARNAND
EPA/JULIEN WARNAND

Theresa May enfrenta moção de censura a partir das 18h. Precisa de maioria simples para segurar o governo e o acordo de saída da UE.

Pode ser o cair do pano para a governação de Theresa May, a primeira-ministra britânica e ex-responsável da Administração Interna que assumiu Downing Street com a vitória do brexit no referendo de junho de 2016 e com o abandono da liderança por David Cameron.

A líder conservadora promete dar “tudo” o que tem para merecer a confiança de uma maioria simples entre os 316 parlamentares tories da Câmara dos Comuns. Esta noite é votada a moção de censura que pede a sua substituição.

O cenário, de forte contestação à proposta de tratado para a saída do Reino Unido da União Europeia, não é de otimismo. E já se fazem apostas na sucessão. As casas de apostas britânicas estão a dar a Boris Johnson a maior probabilidade de vir a chefiar o Partido Conservador britânico com a possível derrota de May, esta noite, na moção exigida por 48 parlamentares tories que pedem nova disputa da liderança do partido.

Segundo a imprensa britânica, em 17 possibilidades o ex-secretário das Relações Exteriores no atual governo tem 15 hipóteses de ganhar contra duas. Seguem-se Dominic Raab (8-1), Michael Gove (8-1), Sajid Javid (8-1) e Jeremy Hunt (10-1) entre os favoritos.

Esta manhã, a primeira-ministra prometeu dar tudo o que tem para sair vencedora da moção e disse ainda estar determinada a liderar o processo do brexit até ao fim. Para May, a disputa entre os Conservadores ameaça o futuro do país e poderá abrir caminho à oposição. “Não haveria um líder novo até ao prazo legal de 21 de janeiro, portanto uma eleição de líder pode entregar o controlo sobre as negociações do brexit aos deputados da oposição no parlamento”, argumentou.

“Um novo líder não teria tempo para renegociar um acordo de retirada e fazer passar a legislação pelo parlamento até 29 de março, portanto, um dos primeiros atos teria de ser prorrogar ou revogar o artigo 50º, atrasando ou mesmo parando o brexit quando as pessoas querem que avancemos com ele”.

800x-1 (2)A votação da moção de censura movida pelos Conservadores contra a líder do partido e primeira-ministra está marcada para as 18h, hora de Londres e Lisboa.

Caso saia derrotada, May não poderá concorrer à presidência do Partido Conservador britânico. Mas, mesmo ganhando por uma margem pequena, poderá escolher afastar-se. Quem lhe suceder passará a chefiar o governo do Reino Unido, visto os Conservadores terem a maioria na Câmara dos Comuns.

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