Distribuição

Mercadona vestiu a pele do consumidor português

mercadona10

Supermercados espanhóis adaptaram vários produtos ao gosto nacional. Centro de Coinovação em Matosinhos é fundamental para tomar decisões.

A Mercadona veio para o mercado português com o espírito de “em Roma sê romano”. Ou seja, a companhia espanhola não se tem limitado, por cá, a copiar totalmente aquele que é um modelo de negócio bem-sucedido e com uma longa história no país vizinho. Os portugueses gostam de mexer o pau de canela na chávena de café? Altere-se o produto. Gostam de empilhar latas de atum? Mude-se o formato. Exemplos não faltam.

João Miranda, responsável pelo Centro de Coinovação da Mercadona, em Matosinhos, confessou ao JN que, pese embora a estreita proximidade geográfica, existem vários aspetos que separam os consumidores nacionais dos espanhóis: “Há muitas coisas que nos diferenciam e temos visto isso”. A corroborar esta ideia está o facto de a empresa ter tido necessidade de criar mais de mil novos artigos apenas para os seus estabelecimentos em Portugal.

O bacalhau
Um caso paradigmático está relacionado com o bacalhau, que não tem tanta força comercial aqui ao lado, mas que é imensamente tradicional por terras portuguesas. “Há muito consumo de bacalhau seco em Portugal, daí termos criado uma secção com ele exposto. Isto em Espanha não existe”, explicou o responsável da Mercadona.

A maior prova da aposta séria da marca em Portugal é o seu Centro de Coinovação, inaugurado em junho de 2017, na cidade de Matosinhos. O espaço ocupa uma dimensão de mil metros quadrados e nele encontram-se empregados um total de cerca de 50 trabalhadores nacionais. Cada um dos colaboradores tem a seu cargo a missão de analisar e desenvolver alguns dos produtos que chegam já às casas dos portugueses.

João Miranda é o responsável pelo funcionamento deste “ninho” de testes e experiências. Em declarações ao JN, explicou que o objetivo do Centro é, basicamente, “definir e adaptar o sortido da Mercadona – que se encontra em Espanha – à realidade portuguesa”. Todos os produtos de marca própria são testados e desenvolvidos neste espaço. A sua criação foi, portanto, indispensável para que, quando a empresa abriu o seu primeiro supermercado em território luso, no ano de 2019, houvesse logo um conhecimento exaustivo dos gostos do público.

Três mil sessões
O local escolhido para o Centro foi Matosinhos. “Esta é uma área de passagem para muitas pessoas e de comércio. Isso é importante porque estamos próximos dos clientes e assim podemos observá-los”, referiu o responsável.

Ao todo, foram ali realizadas mais de três mil sessões de provas cegas com os clientes, de maneira a que fosse possível chegar a um leque variado de produtos finais com garantia de qualidade.

E a qualidade é um dado relevante para a Mercadona porque, como João Miranda fez questão de vincar, os consumidores assumem um papel fulcral em todas as decisões. “O nosso trabalho começa sempre no cliente. Definimos o que é que as pessoas procuram num determinado artigo. Depois o que fazemos é encontrar o fornecedor que seja especialista nesse produto. Ou seja, o nosso processo inicia-se a partir do cliente, só a seguir é que vamos ao fabricante”.

Pau de canela para colocar no café
“Em Espanha, o pau de canela é diferente e não o pudemos trazer para cá porque os portugueses têm o hábito de o usar para o café e a variedade que há lá não é tão prática para isso porque se desfaz com facilidade. Tivemos de testar e adaptar e agora temos um pau de canela específico para Espanha e outro para Portugal”, refere João Miranda.

Tomate em conserva
“Como cozinhamos de maneira diferente, isso faz com que o tomate em conserva, em Portugal, tenha de ter um pouco de polpa para dar cor e sabor ao arroz, algo que não sucede em Espanha”, refere o responsável pelo Centro de Coinovação.

Latas retangulares e azuis
As diferenças fazem-se também notar a nível de imagem e do formato dos artigos. Se, nos supermercados espanhóis, as latas de atum conservado em água são arredondadas e têm no amarelo a cor predominante, em Portugal assumem uma forma retangular e são azuis.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
: PÁGINAS : LIXO 08-09 NEGÓCIOS Eólicas + Opinião

Eólica vs. solar. Que energia dominará a Europa em 2030?

Turistas no Miradouro São Pedro de Alcântara, em Lisboa.
(Reinaldo Rodrigues/Global Imagens)

Ourém recua, Guimarães pondera. São já 8 os municípios que cobram taxa turística

Algarve, Portugal. Fotografia: D.R.

Algarve confiante numa estabilização do mercado britânico

Outros conteúdos GMG
Mercadona vestiu a pele do consumidor português