Óbito

Morreu Freitas do Amaral

Freitas do Amaral
Freitas do Amaral

Diogo Freitas do Amaral morreu esta quinta-feira, indica o CDS. O ex-ministro e fundador do CDS estava internado e sofreu paragem cardíaca

Freitas do Amaral tinha 78 anos e foi professor universitário de Direito, político, divulgador histórico, romancista e dramaturgo, tendo inclusive sido primeiro-ministro interino após a morte de Francisco Sá Carneiro entre dezembro de 1980 e janeiro de 1981.

Nascido na Póvoa do Varzim, pertenceu aos governos entre 1979 e 1983 da Aliança Democrática (AD), saiu do PS em 1992 e voltou ao governo com outra cor política anos mais tarde, no período de 2005 a 2006, pelo PS de José Sócrates.

Debate na televisão, um dia após as eleições autárquicas 1980, com os secretários gerais dos partidos políticos. Diogo Freitas do Amaral, Francisco Sá Carneiro, Mário Soares e Álvaro Cunhal. Crédito: Global Notícias

Debate na televisão, um dia após as eleições autárquicas 1980, com os secretários gerais dos partidos políticos. Diogo Freitas do Amaral, Francisco Sá Carneiro, Mário Soares e Álvaro Cunhal. Crédito: Global Notícias

O ex-ministro que foi também o primeiro líder do CDS tinha cancro nos ossos e estava internado devido a hemorragias fortes, disse na altura uma fonte próxima da família ao Correio da Manhã e estava “nos cuidados intermédios a realizar exames clínicos”.

A última apresentação pública em que esteve foi no lançamento do seu terceiro livro de memórias políticas, em junho deste ano, intitulado “Mais 35 anos de democracia – um percurso singular”. O livro aborda o período entre 1982 e 2017.

Reações à morte de Freitas do Amaral

O Presidente da República manifestou hoje profundo pesar pela morte de Freitas do Amaral, que recordou como um dos “pais fundadores” do sistema político-democrático português e um grande amigo pessoal de meio século.

“O Presidente da República, que, além do mais, perdeu um grande amigo pessoal de meio século, apresenta à sua Família a expressão de grande saudade, mas, sobretudo, da gratidão nacional para o que foi o papel histórico de ter sido aquele dos Pais Fundadores a integrar a direita conservadora portuguesa na Democracia constitucionalizada em 1976”, lê-se numa nota publicada no `site´ da Presidência.

O presidente do PSD, Rui Rio, recordou Freitas do Amaral como “um aliado” nos momentos importantes do país, deixando-lhe “uma palavra de homenagem” durante um almoço de campanha.

“Queria deixar aqui uma palavra de homenagem ao professor Freitas do Amaral. Nem sempre o PSD esteve de acordo com ele ou ele de acordo com o PSD, mas nos momentos importantes do país e do PSD o professor Freitas do Amaral foi um aliado”, afirmou Rui Rio.

O primeiro-ministro lamentou a morte do fundador e primeiro líder do CDS e adiantou que o Governo vai decretar luto nacional no dia do seu funeral. “Acabou de falecer um dos fundadores do nosso regime democrático. À memória do professor Freitas do Amaral, ilustre académico e distinto Estadista, curvamo-nos em sua homenagem. Apresentamos à sua família, amigos e admiradores as nossas sentidas condolências”, refere uma nota do gabinete de António Costa.

Na mesma nota, adianta-se que “o Governo decretará luto nacional coincidente com o dia do funeral, o que será acertado nas próximas horas e de acordo com a indicação da sua família”.

A direção do PS decidiu hoje retirar a música das suas iniciativas de campanha e fazer um minuto de silêncio no início do comício de Setúbal.

Assunção Cristas evocou o passado de Diogo Freitas do Amaral, como fundador, e “a coragem” necessária para defender as ideias do partido no período pós-25 de abril de 1974. A presidente centrista admitiu que houve momentos em que Freitas “se afastou mais do pensamento do CDS”, como quando foi ministro num governo do PS.

“Mas isso não nos pode deixar esquecer que na base do partido esteve a coragem de Diogo Freitas do Amaram e muitos que com ele, como Adelino Amaro da Costa, ousaram criar um partido que é fundador da nossa democracia”, concluiu.

O presidente da Assembleia da República afirmou hoje que recebeu com “enorme consternação” a notícia da morte do antigo ministro Freitas do Amaral, “fundador do regime democrático” e cidadão com “grande dedicação” à causa pública.

“Fundador do nosso regime democrático, o professor Freitas do Amaral serviu Portugal e os Portugueses em diversas ocasiões”, considera Ferro Rodrigues, numa nota enviada à agência Lusa. Para o presidente da Assembleia da República, Freitas do Amaral “prestigiou Portugal como poucos, assumindo a presidência da Assembleia Geral das Nações Unidas entre 1995 e 1996”.

O antigo ministro das Finanças António Bagão Félix afirmou que Diogo Freitas do Amaral, é “uma grande perda para Portugal” num tempo em que “há escassez de estadistas” e excesso de políticos. “É uma grande perda para Portugal, não apenas da pessoa em si, como da pessoa culta, bem profunda que era, do académico que era e do estadista. Este ponto é importante, porque hoje vivemos num tempo em que há escassez de estadistas e há excesso de políticos”, vincou à agência Lusa Bagão Félix.

O ex-Presidente da República Jorge Sampaio recordou Freitas do Amaral como “uma figura determinante do regime democrático português”, considerando-o “uma personalidade marcante da história portuguesa contemporânea”.

Numa nota enviada à comunicação social, Jorge Sampaio recordou “o colega de faculdade de há mais de meio século, colega de profissão, colega das lides políticas, independentemente das opções e convicções de cada um, o jurista eminente, o professor de referência, o internacionalista convicto, um patriota certo e o amigo de sempre”.

O Partido Comunista Português reconheceu Freitas do Amaral como uma das personalidades “mais marcante da vida política portuguesa nas ultimas décadas” e um “notável académico”.

-O antigo presidente do CDS Manuel Monteiro sublinhou o papel de Freitas do Amaral na fundação da democracia, na adesão à Comunidade Económica Europeia (CEE) e na recusa da Constituição da República de 1976. Em declarações à agência Lusa, Manuel Monteiro afirmou que Freitas do Amaral “ficará para a história como um dos fundadores da democracia tipo ocidental que neste momento Portugal possui”.

O anterior Presidente da República, Cavaco Silva, manifestou “enorme tristeza” pela morte do fundador do CDS e antigo ministro Freitas do Amaral, elogiando-o pelo seu “espírito livre” e pelo contributo para uma democracia pluripartidária em Portugal.

“Foi com enorme tristeza que tomei conhecimento da morte do Prof. Diogo Freitas do Amaral, um dos construtores de uma democracia pluripartidária em Portugal. Foi, a par de Mário Soares e de Francisco Sá Carneiro, um defensor convicto de uma democracia de tipo ocidental no pós-25 de Abril”, afirma Aníbal Cavaco Silva.

 

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