Opinião: Rosália Amorim

Não podemos baixar a guarda

Donald Trump, Presidente dos Estados Unidos (REUTERS/Leah Millis)
Donald Trump, Presidente dos Estados Unidos (REUTERS/Leah Millis)

Na Páscoa não vamos à terra. Na hora em que baixarmos a guarda uma segunda leva de contágios pode deitar a perder o esforço de uma semana inteira

Donald Trump quer “abrir o país” na Páscoa. Não façamos o mesmo!

Em muitas famílias começam já as conversas sobre como será a Páscoa deste ano. Não caiam na tentação de ‘ir à terra’, sob pena de contagiarem os vossos avós e os vossos tios.

Não vos escrevo só como jornalista de economia, mas como cidadã que tenta cumprir o confinamento, mesmo que com grande esforço.

Será precisamente na hora em que baixarmos a guarda que uma segunda e forte leva de contágios pode deitar a perder o esforço de uma semana.

António Costa já admitiu que a escola poderá reabrir muito para lá da Páscoa. O primeiro-ministro fez bem em verbalizar o que muitos pais e professores vão falando e antevendo desde o Carnaval.

Nesta crise, o povo português, que tão habilmente tem sabido contornar as dificuldades, não pode dizer que vai ‘desenrascar’, que ‘o bicho não pega’ ou que ‘logo se vê’. Esta pandemia está a ensinar-nos que temos de ser um pouco mais germânicos, mais disciplinados nos nossos comportamentos.

Do outro lado do Atlântico, Donald Trump afirmou ontem: “vamos perder mais vidas se levarmos o país para uma recessão”. E ordenou à população o regresso ao trabalho, apesar do coronavírus que já vitimou mais de 600 americanos. Numa visão meramente economicista, o presidente americano está a lidar mal com a pressão dos patrões, do capitalismo selvagem.

Fez ouvidos de mercador aos alertas da Organização Mundial de Saúde que já deixou um aviso: os Estados Unidos poderão ser o próximo epicentro da pandemia. Números são números Mr.Trump! Só a cidade de Nova Iorque já tem mais de 20 mil infetados e os casos duplicam a cada três dias que passam.

Trump está preocupado porque a economia está a parar e porque não tem um serviço nacional de saúde ao estilo europeu. Por aqui, na Europa, o risco é o serviço nacional de saúde colapsar se muitos cidadãos continuarem a ter comportamentos irresponsáveis. E, pelas imagens a que todos vamos assistindo, infelizmente a inconsciência não tem idade.

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