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Novos iPhones não surpreendem, mas futuro da Apple ficou à vista

Tim Cook apresentou os três novos iPhones no Steve Jobs Theater, em Cupertino
Tim Cook apresentou os três novos iPhones no Steve Jobs Theater, em Cupertino

O iPhone mais caro de sempre é agora o Xs Max, que vai até aos 1679 euros

No maior evento do ano para a Apple, nem os nomes dos novos iPhones foram uma surpresa: já tinham sido revelados, provavelmente de propósito por uma máquina corporativa que não deixa detalhes ao acaso. O iPhone Xs, iPhone Xs Max e iPhone Xr, todos apresentados esta quarta-feira no Steve Jobs Theater, em Cupertino, não vieram com grandes novidades nem levaram queixos ao chão. A queda das ações da Apple durante e após a apresentação (fechou a cair 1,24%) denunciou a falta de entusiasmo de Wall Street com os novos iPhones, embora seja normal que os investidores reajam com ceticismo às revelações de produto da marca, dadas as expectativas elevadas que sempre as rodeiam.

No entanto, e ao contrário do que aconteceu no ano passado com o lançamento do iPhone X, este ciclo de renovação do smartphone é caracterizado por melhorias sólidas mas nenhuma funcionalidade disruptiva. Os três novos modelos seguem o design e características do iPhone X, efetivamente terminando a linhagem que tinha ido até ao iPhone 8 e 8 Plus no ano passado. A partir de agora, o visual X é o standard do iPhone.

Sendo relevante que a Apple tenha agora um modelo gigante, o Xs Max, e que o Apple Watch Series 4 seja o primeiro produto de consumo a registar o eletrocardiograma do utilizador, o quelança pistas para o futuro é o que não está visível. O chip A12 Bionic, com o seu motor dedicado de aprendizagem de máquina com 8 núcleos, é a verdadeira estrela da Apple 2018. Phil Schiller, vice presidente mundial de marketing, avançou que este motor consegue fazer 5 biliões de operações por segundo, uma melhoria incrível em relação às 600 mil milhões de operações executadas pelo antecessor, A11. “É o chip mais inteligente e poderoso de sempre num smartphone”, declarou Schiller. Kaiann Drance, diretora sénior de produto iPhone da Apple, introduziu em palco algumas das demonstrações mais excitantes do dia, incluindo os estúdios Bethesda e Directive Games. “Estamos apenas a arranhar a superfície do que vai ser possível”, disse a responsável. “Nenhum outro chip nos permitiria fazer isto.”

Em falta ficaram demos aprofundadas das capacidades de realidade aumentada dos novos smartphones, uma das áreas que beneficia do poder do A12 Bionic – e que fará a diferença no futuro da indústria. A assistente digital Siri, que continua atrás do Google Assistant em termos de inteligência e capacidade, também não teve o destaque que se poderia esperar no evento, além das funcionalidades que já haviam sido anunciadas para o iOS 12. Ambos são cruciais para o futuro da Apple, numa altura em que as vendas globais de smartphones estão a cair e em que é cada vez mais difícil a diferenciação entre fabricantes.

O outro indicador claro do rumo da Apple foi o preço. Se em 2017 houve sensação devido ao preço elevado do iPhone X, este ano Tim Cook foi ainda mais longe: o iPhone Xs Max é mesmo o mais caro de sempre da marca, começando nos 1279 euros em Portugal para o modelo de 64 GB, passando por 1446 euros com 256 GB e indo até uns incríveis 1679 euros com 512 GB. É um nível de preços que seria impensável, até para a Apple, se não fosse conhecido o sucesso do iPhone X.

Tim Cook fez questão de o salientar no evento, referindo que o iPhone X se tornou no smartphone mais vendido do mercado, apesar do preço elevado e de a Apple ser agora a terceira maior fabricante mundial, atrás da Samsung e da Huawei. A questão é que Cook tem a missão de garantir que o smartphone, que representa cerca de metade do total de vendas da Apple, continua a aumentar lucros mesmo com estagnação ou quebra das vendas. Ao empurrar para cima a fasquia de preços, ao mesmo tempo que cria novos símbolos de luxo, o CEO da Apple pretende fazer isso mesmo. Na loja online da Apple em Portugal, o iPhone Xr é o novo modelo mais em conta, a partir de 879 euros (64 GB de armazenamento) e até 1049 euros (256GB).

No entanto, é relevante que a marca tenha mantido os iPhones 7 e 8 disponíveis, agora com preços bem mais em conta: a partir de 539 e 719 euros na loja portuguesa. A medida garante que os utilizadores que não querem pagar uma exorbitância pelos novos smartphones têm opções mais ou menos recentes (um a dois anos) em níveis de preço mais baixos. Por outro lado, fica claro que quem quiser embarcar nas grandes novidades daqui para a frente passará a ter de desembolsar mais dinheiro à partida. Haverá uma clara diferença entre compradores de iPhone, sendo que as datas separadas de lançamento (o Xr só chega em outubro) poderão levar muita gente a adiar a decisão de compra, algo que já aconteceu no ano passado.

Apple Watch cimenta liderança

Sendo o relógio inteligente mais vendido do mercado, de acordo com a consultora IDC, o Apple Watch não tem tido grande concorrência no segmento dos wearables – só no segundo trimestre vendeu 3,5 milhões de unidades, segundo a Canalys, um aumento homólogo de 30%.

A nova versão apresentada em Cupertino, Series 4, deverá ser bem recebida devido a melhorias substanciais no hardware que vão permitir funcionalidades ligadas ao exercício e saúde dificilmente replicáveis noutros smartwatches. O destaque é a capacidade de registar o eletrocardiograma, “o primeiro produto oferecido diretamente ao consumidor” que faz isto, segundo o diretor de operações Jeff Williams.

Além do novo design e de melhorias interessantes, como um altifalante mais poderoso (essencial para fazer chamadas) e um processador duas vezes mais rápido, o Series 4 também passa a ter feedback háptico e traz “uma nova geração de acelerómetro e giroscópio” que permitirá, entre outras coisas, detetar quedas e chamar os serviços de emergência se a pessoa ficar imobilizada. A má notícia é que continua a ser um gadget muito caro, a partir de 439 euros; a boa notícia é que agora o Series 3 está mais barato, 309 euros.

Por explicar ficou a ausência de atualizações aos auscultadores sem fios AirPods e nenhuma nova informação sobre o “tapete” de carregamento por indução AirPower, que foi anunciado há um ano e ainda não deu à costa.

“Este é claramente o melhor alinhamento que já tivemos, de longe”, disse Tim Cook no final. É uma declaração grandiosa, mas que não foge à verdade. Mesmo com a falta de inovações bombásticas, é provável que este alinhamento venha a ser bem sucedido. Resta saber até onde a Apple conseguirá esticar os preços dos modelos premium, uma dúvida que será esclarecida no crucial último trimestre do ano.

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