O estímulo

Passos Coelho pode dar um murro na mesa. Pode achar
inconcebível, incrível, ingerível, um horror. Não tem razão. A
decisão do TC limita-se a elevar o défice público para um pouco
acima dos 6,3%, mais 0,8 pontos percentuais do que está negociado
com a troika para este ano, talvez um pouco mais. Dramático? Nada. O
ministro das Finanças está habituado a derrapagens superiores. É
verdade: isto obrigará o Governo a ser ainda mais rigoroso no
controlo da despesa. Talvez a ser mais ambicioso na renegociação
das PPP (porque não?), a olhar para os transportes públicos e a ter
cuidado com o BPN, a bomba-relógio, o nosso Chipre de estimação.
Mas para Passos há um lado bom. E de repente, impulse: há um
estímulo à economia.

Mais de mil milhões de euros voltam à carteira
dos funcionários públicos e dos reformados. É dinheiro, é
consumo, é IVA, talvez seja menos recessão. E a contribuição
especial sobre os pensionistas? Cavaco não ganha uma; e Gaspar lá
conseguiu segurar 421 milhões. Justo? Paga quem ganha mais, os “mais
ricos”, haverá quem fique sem 80% da pensão. No meio do caos, é o
menos injusto. Numa situação de emergência deve pagar quem tem
mais, embora haja pessoas que não são carne nem peixe. Mesmo assim,
um ano aceita-se, não mais. É tempo de o Governo mostrar que sabe
reformar o Estado. Chega de improviso.

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