O resgate a Espanha não vai funcionar

Os governos fazem o que melhor sabem: tratar de salvar-se a si
próprios. O caso do resgate a Espanha é apenas mais um exemplo.
Porquê?

Porque a solução final é extremamente traumatizante e ninguém
quer assumir o seu custo político. Por isso, continuam a atacar os
sintomas mas não chegam à questão de fundo. Porquê? Porque o
problema de fundo é que nem Espanha nem Itália nem a Grécia são
economicamente viáveis com o euro. E quando acabarem por sair, as
cabeças dos políticos no poder vão rolar. Pelo que o jogo consiste
em chutar a bola para a frente com tudo o que se possa.

Onde começa a complicar-se? No momento em que é preciso garantir
injeções de capital maiores ou estimular o avanço da bola e
quando, além disso, a bola voltar cada vez mais depressa para trás.
Dito de outra forma, é preciso cada vez mais pólvora para
tranquilizar os mercados, mas estes ficam cada vez mais desconfiados
destas soluções paliativas. Querem acreditar. Precisam de
acreditar. Mas eventualmente o pânico volta.

No momento em que escrevo, o euro deu um salto positivo,
valorizando com este novo pacote de ajuda
.

Quanto tempo vai durar este alívio? É difícil dizer. Talvez
umas semanas. Talvez só uns dias. Ou apenas poucas horas.

O tempo que o euro demorará a voltar a negociar abaixo do fecho da
sexta-feira passada vai dar-nos uma indicação da tolerância que
tem o mercado a estas intervenções.

Pessoalmente, não creio que dure mais de uma semana. Mas
naturalmente não importa o que eu penso, mas antes o que fará o
mercado. É preciso esperar para ver como evolui.

Esta parece ser uma boa oportunidade para retirar-se do euro e de
investimentos de risco. Basta analisar todas as intervenções feitas
nos últimos anos: não conseguiram atingir nada e o seu efeito acabou sempre
por se esgotar. Não se deixe enganar com vidrinhos coloridos.

Gestor de ativos

Escreve à segunda-feira

www.cartafinanciera.com

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