Observatório quer novas políticas que promovam produtividade e emprego de qualidade

O Observatório sobre Crises e Alternativas reivindicou novas políticas públicas que incentivem o crescimento da produtividade e a criação de emprego de qualidade para inverter a atual situação em que o crescimento do emprego coincide com a estagnação da produtividade.

O Observatório sobre Crises e Alternativas reivindicou novas políticas públicas que incentivem o crescimento da produtividade e a criação de emprego de qualidade para inverter a atual situação em que o crescimento do emprego coincide com a estagnação da produtividade.


O Observatório, que está integrado no Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra, publicou hoje um dos seus barómetros, em que faz uma análise para ajudar a compreender a razão pela qual “o acentuado crescimento do emprego não tem vindo a ser acompanhado por um aumento da produtividade, praticamente estagnada”.


Para os investigadores do Observatório, a estagnação da produtividade média não resulta de uma redução da produtividade em todos os setores, mas sim da criação de emprego em setores de baixa produtividade.


“A mudança verificada na estrutura do emprego (a distribuição do emprego por setores) não parece configurar uma reafetação de recursos que esteja a promover ganhos de produtividade na economia. A reafetação do emprego presente aparenta indicar, isso sim, uma deslocação de recursos para setores menos produtivos em relação à média nacional”, diz o documento divulgado.


Segundo o Barómetro das Crises, esta indicação é consistente com a destruição de emprego em setores de forte valor acrescentado, como o setor financeiro, e com a criação de emprego em setores de baixa produtividade como o comércio, alojamento e restauração.


Assim, a evolução positiva do emprego observada no setor do Comércio, Reparação de Automóveis, Alojamento e Restauração, atribuível a uma combinação da dinâmica do turismo com a do consumo interno, tem como contrapartida negativa a estagnação da produtividade média.


A reestruturação da economia portuguesa em curso aponta para uma reafetação de recursos para setores com baixa produtividade que, sendo criadores de emprego, podem conduzir a economia para um modelo de baixa criação de valor, exclusivamente dependente no seu crescimento futuro de uma procura externa que pode não ser sustentável, considera o estudo.


O Barómetro reconhece que existe crescimento de produtividade no “Comércio, Reparação de Veículos, Restauração e Alojamento”, mas considera que “não é certo que exista neste setor, face à concorrência internacional, uma margem para um incremento substancial da produtividade no futuro”.


“Face a este cenário, a exceção constituída pela Indústria deve ser sublinhada. A indústria não só tem sido um setor com ganhos de produtividade e criação de emprego, como é um setor onde, graças ao progresso tecnológico, existe um maior potencial para o crescimento da produtividade no futuro”, salienta.


A análise conclui que o atual modelo de crescimento da economia nacional se encontra quase exclusivamente baseado no crescimento do emprego em setores de baixa produtividade média e com potencial limitado de criação de valor acrescentado, que continuam a apostar na criação de emprego precário e com baixos salários.


“Este rumo coloca, assim, a necessidade de se repensarem as políticas públicas de forma a criar as condições e os incentivos para que os excedentes, agora criados graças à recuperação económica, sejam realocados a setores que permitam ganhos de produtividade continuada ao longo do tempo e criação de emprego de qualidade e bem remunerado”, defende o Observatório sobre Crises no seu barómetro deste mês.


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