Opinião: António Saraiva

Organizações líderes em tempos de mudança

Foto: REUTERS/Rafael Marchante
Foto: REUTERS/Rafael Marchante Pessoas, Rossio, Lisboa, Portugal

Participei, esta semana, em Genebra, no Forum de Presidentes da Organização Internacional dos Empregadores, reunido por ocasião da Conferência Internacional do Trabalho da OIT, que celebra este ano o seu centenário.

Este fórum teve por tema “Organizações líderes em tempos de mudança”. Nele estiveram em debate os grandes desafios que estão a alterar profunda e irreversivelmente o mundo. Desafios que exigem de todas as organizações – todas, sem exceção, nacionais e internacionais, públicas e da sociedade civil – uma profunda reflexão para que possam, responsavelmente, adaptar-se a estes tempos de mudança, responder às aspirações dos seus stakeholders e, conjuntamente, moldar o futuro das nossas sociedades.

Esteve em foco a acelerada vaga de inovações tecnológicas e as exigências que implica para as empresas, ao nível de investimentos, reconversão de qualificações e mudanças organizacionais.
Foram discutidas as ameaças à integração económica global, com consequências na retração dos fluxos comerciais, nas decisões de investimento das empresas e mesmo, em última análise, na preservação da paz mundial.

Estiveram presentes os desafios demográficos, com o que representam para os modelos de crescimento económico (mais dependentes de ganhos de produtividade) e com as exigências de adaptação que trazem para os sistemas de saúde e de segurança social (com reflexos na sustentabilidade das finanças públicas).

Foram debatidas as mudanças climáticas e os esforços globais para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, esforços que deverão ser desenvolvidos com as empresas e não contra as empresas.
Como pano de fundo em todos estes desafios esteve o futuro do trabalho, num contexto de escassez de mão-de-obra qualificada que urge colmatar e de fluxos migratórios laborais em larga escala que ameaçam equilíbrios sociais, políticos e económicos. Trata-se de um fenómeno que requer esforços de integração a todos os níveis, mas pode também, se for bem gerido, contribuir para a solução de alguns dos problemas com que nos deparamos.

No regresso a Portugal, voltei a encontrar, nos grandes títulos dos jornais, um país ainda demasiadamente preso ao passado e que gasta as suas energias na “espuma dos dias”, parecendo não distinguir o essencial do acessório.

Voltei a encontrar um país que me obriga a reafirmar o que é ser empresário, distinguindo a imensa maioria dos verdadeiros empresários, que assumem riscos e mantêm condutas empresariais responsáveis, de um pequeno número de outros que as não têm.

Mas voltei com uma maior consciência de que, também em Portugal, as organizações – todas, sem exceção – têm de se reconfigurar para enfrentar, com responsabilidade, os grandes desafios da nossa época.

Têm também de trabalhar em conjunto, uma vez que os desafios são comuns. Daí que o diálogo social, que ao longo da minha vida procurei cultivar, seja, hoje mais do que nunca, um ativo a preservar e a orientar para a procura das soluções que permitam moldar uma sociedade mais próspera e mais justa.

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