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Patris quer comprar ativos para fundir com Real Vida Seguros

goncalo

A estratégia de crescimento por aquisições vai continuar. Depois do Banif Pensões e Finibanco Vida, há mais no alvo

Gonçalo Pereira Coutinho lidera a Patris, com investimentos em vários negócios, desde os seguros à corretagem, e revela a estratégia para continuar a crescer.

Que empresas gere a Patris?

A Real Vida Seguros, que foi constituída há 27 anos e foi até hoje o principal investimento da Patris. Começámos em 2006 como sociedade de capital de risco. Com a desagregação do setor bancário surgiram oportunidades para comprar empresas de grupos que saíram de Portugal, como foi o caso da Oceanus, que comprámos ao RBS. Ou de grupos que se foram desagrando, como o BPN, a quem comprámos a Fincor,a BPN Gestão de Ativos e a Real Vida. Em 2015 comprámos a sociedade gestora que fazia as securitizações para o BES. E no fim de 2016, a Finibanco Vida, quando o banco foi vendido e integrado no Montepio, e ainda Banif Pensões. A fusão vai ser feita no primeiro semestre de 2017. Houve outras que tentámos comprar mas não conseguimos, como a Millenium Gestão de Ativos, o Banco Efisa e o Banif Banco de Investimento.

Que montantes envolvidos?

Comprámos a Banif Pensões por três milhões de euros e a Finibanco Vida por 17 milhões de euros.

Quantos clientes e ativos?

A Banif Pensões tem nesta altura 300 milhões de euros de ativos sob gestão, embora uma parte vá sair porque é do fundo de pensões do Banif que vai passar para ao Santander. Serão 130 milhões de euros, portanto vão ficar 170 milhões. A Finibanco Vida acrescentou 60 milhões de euros de ativos sob gestão. Mais de 20 mil clientes.

Qual é a ambição da Patris?

Está cada vez mais centrada nos seguros e na gestão da poupança de médio e longo prazo. Queremos assumir-nos como um operador altamente especializado, focado, independente e português, nesta áreas. O resto são negócios complementares. Temos produtos de capital garantido mas sem taxa garantida e outros que não têm capital garantido e boa performance.

Com que taxa de remuneração?

Taxas entre 1,25% e 1,5%.

Os clientes hoje procuram geração ou preservação de capital?

Garantia de taxa. O setor segurador é tradicionalmente de taxa garantida. Ainda que algumas seguradoras ofereçam zero ou 0,25%.

Faltam centros de decisão nacional nesta área de negócio?

Não só no setor financeiro mas a todos os níveis, os centros de decisão desapareceram. A nossa vantagem, e acho que isso se tem refletido no crescimento muito rápido da seguradora, é o facto de termos o centro de decisão em Portugal.

Os accionistas são todos lusos?

A Patris pertence a quase 40 acionistas. Todos portugueses. A entrada no Alternext facilitou a entrada de mais acionistas, visto que em dezembro eram cerca de 30.

Qual é a estratégia para este ano em termos de aquisições?

Temos feito uma transação por ano. Em 2017 vai haver entidades que vão colocar empresas à venda em Portugal. Sei de um caso específico. Queremos comprar ativos que possam ser fusionados com a Real Vida Seguros.

Que quota de quota de mercado quer ter a Real Vida Seguros?

2% de quota de mercado na área de seguros vida em 2018, o dobro do que tinha em 2013.

Têm ficado com todas as pessoas das sociedades que adquiriram?

Sim. Eram sociedades com poucas pessoas. A Finibanco Vida tinha nove pessoas e a Banif Pensões tinha três. Em alguns casos vieram reforçar áreas em que tínhamos necessidade de gente com experiencia. Entre a Real Vida Seguros, a Fincor, Banif Pensões e Patris Gestão de Ativos temos hoje cerca de 130 pessoas. Também temos participações em empresas não financeiras como a Indumape, a Companhia das Águas Medicinais da Felgueira e a Artop.

E são investimentos a manter?

Sim. São ativos de rendimento. Também temos 26% da Controlauto, em que a maior acionista é a Brisa, e que é uma empresa que distribui dividendos muito interessantes. A Indumape é uma empresa que liberta muito cash flow e distribui bons dividendos.

Mantêm como objetivo garantir a licença bancária universal?

Faz parte dos nossos objetivos porque gostávamos de fazer crescer a Fincor. É objetivo a longo prazo.

One quer chegar a Fincor?

No ano passado ficou em quinto lugar no ranking de ações e em quatro no ranking de obrigações, com 6% de quota de mercado. Não é fácil ter muito mais que isso. Gostávamos que o mercado transacionasse volumes maiores. Neste momento é muito difícil crescer no mercado português, em quase todas as áreas. O mercado financeiro está a diminuir, há uma tendência de desalavancagem, os fundos de investimento também não estão a crescer. Os volumes de valores mobiliários transacionados em 2015 e 2016 caíram 50% em cada ano, a que não é alheia a resolução BES e Banif. Uma série de investidores riscaram Portugal do mapa.

Isso vai durar e pagar-se caro?

Enquanto estes investidores se lembrarem do que aconteceu, garantidamente que vai haver consequencias para o mercado português. Neste momento estão um pouco mitigadas pela intervenção do BCE, mas quando isso acabar vamos ver como o mercado reage.

Como avalia o desempenho do Banco de Portugal?

Acho que o Governador tem feito o melhor que pode fazer

Estão no Alternext. Existem estímulos ao mercado de capitais?

Nenhuns.

Que medidas poderiam contribuir para estimular o mercado?

Acho que seriam importantes benefícios fiscais para quem investe no mercado de capitais.

Que vantagens vê a Patris nesse método de financiamento?

Notoriedade e aumento de divulgação. Permite ainda que um acionista em Paris dê ordem de compra das nossas ações como se de uma empresa francesa se tratasse. E em França o mercado Alternext é maior que a bolsa portuguesa. Abre-nos uma janela de oportunidade que é o mercado francês

Como avalia o desempenho do Banco de Portugal?

Acho que o Governador tem feito o melhor que pode fazer e acho que genuinamente tem procurado fazê-lo. Isto também não é um problema de agora, os problemas da economia nunca se refletem no dia seguinte ou no ano seguinte.

Como avalia a venda do Novo Banco?

Objetivamente deveria ter sido vendido há um ano. Não se criou valor ao prolongar o fundo de resolução na esfera do banco. O dinheiro é um animal assustadiço, não gosta que se fale nele, não gosta de capas de jornais. E o que tem acontecido com a CGD também não é positivo, nem para o banco nem para o setor porque há um efeito de contágio. Mas acho que a nova equipa de gestão e o facto de ter deixado de aparecer diariamente na abertura dos telejornais é positivo. É o primeiro sinal de regresso à normalidade.

Tem uma boa expetativa em relação ao futuro da CGD?

Sim, acho que o processo de recapitalização foi bem feito e que tem uma excelente equipa. Nesse aspeto o setor bancário hoje em dia está muitíssimo bem servido.

Entraram em bolsa, no índice Alternext, em dezembro, depois de manifestarem essa intenção em 2011. Porquê avançar agora?

Achámos que era o melhor momento. Em 2011 não foi possível mas em 2016 fizemos alguns aumentos de capital que permitiram cumprir os requisitos de admissão à cotação.

A ‘geringonça’ contribuiu para o clima de confiança?

Foi independente da solução governativa. Fomos preparando isto ao longo de 2016. E 2016, em termos factuais, foi um ano que correu bem à economia portuguesa.

Já conseguiram agarrar alguma oportunidade?

Estamos a fazer esse caminho. Em maio ou junho faremos uma ação de divulgação no mercado francês.

Que balanço faz destes meses em bolsa?

Francamente positivo. Das três empresas portuguesas no Alternext fomos a que mais transacionou.

Que impacto as eleições francesas podem ter nos mercados?

Preocupa todos quando uma candidata diz que, se ganhar, vai ser o fim do euro. O euro pode ter que ter alguns ajustamentos mas planeados e organizados.

O Brexit está a algum impacto na vossa atividade?

Não. Acho que contribui para diminuir o volume de liquidez no mercado, mas é mais um fator.

Hoje quem tem cem mil euros deve investir em quê?

A opção dos portugueses tem sido o imobiliário. Enquanto as taxas de juro estiverem a zero e houver turismo para ocupar o arrendamento de curta duração, o rendimento destes investimentos será de 4% ou 5%. Mas a regra de ouro é a diversificação. Nunca se deve por os ovos todos no mesmo cesto. É por isso que estamos a desenvolver para os investidores um ‘check-up’ patrimonial e um planeamento das poupanças de médio e longo prazo.

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