Reforma

Pensar na reforma antes do 30 anos é cedo? A Deco diz que não

A melhor hora para começar a pensar na reforma é “quanto mais cedo melhor”. As três palavras-chave são disciplina, poupança e investimento.

A esperança média de vida é cada vez mais elevada. De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), a esperança média de vida aos 65 anos é de 17,55 anos para os homens e 20,81 para as mulheres. A par disso, a população envelhecida em Portugal não para de crescer. A incerteza sobre a sustentabilidade da Segurança Social para planear a reforma torna-se cada vez mais uma preocupação para as famílias. Para garantir que vive os “anos dourados” de forma confortável, o melhor é pensar em construir um pé-de-meia que complemente depois o valor da reforma.

Pensar na reforma aos 20 ou aos 30 anos, pode parecer longínquo. Normalmente, nestas idades existem outras prioridades e as poupanças fazem-se a curto prazo. No entanto, António Ribeiro, economista da Associação de Defesa do Consumidor (Deco), aconselha a começar a poupar para este período quanto mais cedo melhor. Poupar para a reforma deve ser encarado como um objetivo ao longo da vida ativa. “O caminho será começar o mais cedo possível de forma a que o esforço de poupança não seja tão grande. Quem começar, por exemplo, aos 50 anos, para manter o mesmo rendimento no período da reforma, já vai ter de fazer um esforço de poupança muito maior do que se tivesse começado aos 30 anos”, explica.

Um estudo da Deco, realizado no ano passado, traçou vários cenários, utilizando diferentes tipos de rendimentos e, depois de calcular o valor das pensões através do simulador da Segurança Social, concluiu que a perda de rendimento se situa em cerca de 30%. Um cenário para o qual os portugueses não estão preparados. “A taxa de poupança dos portugueses tem descido. Penso que a maior parte das pessoas descura desta poupança de longo prazo”, refere António Ribeiro.

Para fazer face a essa perda, deve contabilizar as despesas mensais que tem na vida ativa. Esse é o valor mínimo mensal para desfrutar confortavelmente dos “anos dourados” e será um complemento ao valor a receber da reforma.

A quantia a poupar vai depender do seu rendimento e pode vir a ser ajustada consoante a evolução da sua carreira profissional. O esforço da poupança deve ser regular. Não importa se o faz mensalmente, trimestralmente ou anualmente, o importante é que destine sempre uma parcela do seu rendimento à poupança.

A Deco recomenda os Planos de Poupança Reforma (PPR), sob duas formas, dependendo da idade dos titulares. “Para quem começa a poupar mais cedo, e sobretudo antes dos 57 anos, nós recomendamos um PPR sob a forma de fundo de investimento. Para quem tem mais de 57 anos, recomendamos um PPR sob a forma de seguro”. A grande diferença é que os PPR sob forma de seguros têm o capital garantido. “O que também aconselhamos é que as pessoas não tenham sempre o mesmo PPR ao longo da vida. O objetivo, uma vez que está a dez anos da reforma, é acautelar o risco para não perder aquilo que já acumulou entretanto. Deve passar para um produto que tenha um capital garantido de forma a acautelar aqueles últimos anos antes da reforma”, explica António Ribeiro. Quanto mais tempo faltar para a idade da reforma, maior é a capacidade de suportar maiores riscos.

Antes de optar por uma aplicação financeira, é crucial avaliar os riscos associados e a rendibilidade esperada. Para isso é necessário que se informe sobre o tipo de ativos em que vai investir. Outros aspetos a ter em consideração são as regras de reembolso, o regime fiscal e as eventuais comissões que possam vir a ser aplicadas.

“Claro que um PPR não é a única forma de poupar para a reforma. Podem optar por procurar uma carteira de fundos de investimento e outros produtos. Mas, a vantagem dos PPR é que permitem a entrega de um pequeno montante, regularmente. E depois têm ainda mais vantagens ao nível dos benefícios fiscais, nomeadamente, quando se resgatar o montante vai ter uma taxa de imposto muito mais baixa do que a maior parte dos produtos”, diz o economista.

Muitos destes PPR permitem fazer entregas de 20 ou 50 euros. “As pessoas nem dão conta e ao começarem muito mais cedo vão conseguir acumular um capital razoável”.

Os simuladores podem se uma ajuda para obter uma estimativa do montante que irá acumular até entrar na reforma. No entanto, nunca se esqueça de que, no futuro, a realidade muda e o valor obtido na simulação é meramente indicativo.

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