Opinião: António Saraiva

Pessoas, competitividade, sustentabilidade

Foto: REUTERS/Rafael Marchante
Foto: REUTERS/Rafael Marchante Pessoas, Rossio, Lisboa, Portugal

Defendi, no último artigo, que as políticas públicas deverão estar focadas nas pessoas, na competitividade e na sustentabilidade.

Estes três grandes eixos deverão ser encarados de forma articulada, conciliando-se e reforçando-se mutuamente.

Se a economia deve estar ao serviço das pessoas, também é verdade que o atual sentimento de insatisfação face às expectativas que alimentamos só pode ser suprido através de mais crescimento económico, assente em maior competitividade. Só produzindo mais e melhor poderemos vencer nos mercados globais e gerar o rendimento que permitirá satisfazer as nossas legítimas aspirações. Por outras palavras, só através de aumentos da produtividade é que os rendimentos, nomeadamente os rendimentos salariais, poderão crescer de forma sustentável sem prejudicar a competitividade das empresas e o seu futuro. Não podemos distribuir a riqueza que não produzimos.

Por outro lado, são as pessoas, com o seu talento, o principal fator de diferenciação e de sucesso de qualquer empresa ou de qualquer nação. Por isso, a principal preocupação dos empresários e gestores portugueses é a captação e retenção dos talentos que tornarão possível a competitividade e o crescimento das suas empresas.

Também o desígnio da sustentabilidade terá de ser conciliado com as aspirações das pessoas. A crescente adesão dos cidadãos às grandes causas do ambiente é crucial para a necessária alteração de comportamentos dos consumidores. Não iremos longe na preservação do planeta se tal objetivo for encarado como lesivo de um maior bem-estar económico das populações.

Pela mesma razão, as políticas com vista à sustentabilidade ambiental terão de ter em conta o impacto na competitividade empresarial, quer no plano interno, quer face à concorrência noutros mercados. Nesta linha, é fundamental conciliar objetivos e mobilizar todos os intervenientes na cadeia de valor, incluindo os consumidores finais, para criar soluções inovadoras e competitivas.

Só desta forma será ultrapassada a dicotomia entre ambiente e economia, com empresas ao mesmo tempo mais competitivas e ambientalmente mais responsáveis e com uma forte dinâmica económica sustentada por novas tendências de procura e pela evolução dos mercados.

Olhemos então para pessoas, competitividade e sustentabilidade, não de forma isolada, mas como os ângulos de um triângulo que é preciso articular, com vista ao desenvolvimento sustentável do ponto de vista social, económico e ambiental.

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