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Pharol vai processar Bava por investimentos “ilícitos”

A Pharol vai avançar com um processo contra Zeinal Bava por “ilícitos investimentos em instrumentos de dívida geradores dos enormes prejuízos”.

A Pharol vai avançar com um processo contra Zeinal Bava por “ilícitos investimentos em instrumentos de dívida geradores dos enormes prejuízos”.

Não há dúvidas, está na acusação feita pela empresa liderada por Luís Palha da Silva à auditora Deloitte. E ao que o Dinheiro Vivo sabe, o processo contra o antigo presidente executivo da PT deverá dar entrada nos tribunais nas próximas semanas.

A Pharol “também vai processar quem desempenhou funções de CEO da PT entre, respetivamente, setembro de 2010 e maio de 2013 e, entre maio de 2013 e setembro de 2014, bem como contra quem desempenhou as funções de CFO [administrador financeiro] de setembro de 2010 a agosto de 2014”, pode ler-se na ação contra a Deloitte que deu entrada na quinta-feira no Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa.

“Só os CEO e o CFO é que participaram ativamente nos ilícitos investimentos em instrumentos de dívida geradores de enormes prejuízos”, acusa a Pharol nas 160 páginas da acusação inicial a que o Dinheiro Vivo teve acesso.

Zeinal Bava, CEO da PT entre janeiro de 2010 e maio de 2013, vai assim juntar-se ao rol dos antigos administradores da PT SGPS contra os quais a Pharol está a agir judicialmente. Henrique Granadeiro (antigo chairman e CEO depois de maio de 2013) e Luís Pacheco Melo (CFO) já tinham sido, em outubro, alvo de um outro processo pela sua intervenção na aplicação financeira de 897 milhões na Rioforte, uma das holdings do GES.

A Pharol aponta especiais responsabilidades aos CEO e ao CFO nas aplicações em instrumentos de dívida. “Os CEO, sucessivamente Eng. Zeinal Bava de janeiro de 2010 a maio de 2013 e Dr. Henrique Granadeiro de maio de 2013 a setembro de 2014, e o CFO Dr. Luís Pacheco de Melo para todo o período de 2010 a 2014 andaram a realizar avultadas aplicações em instrumentos de dívida em violação da política de gestão de tesouraria e que não divulgaram nos documentos de reporte financeiro”, acusa a Pharol. Mais, “tudo fazendo para que os mesmos não fossem conhecidos dos demais membros da comissão executiva e do conselho de administração, nomeadamente da Comissão de Auditoria”.

;Os CEO, ou seja, Bava e Granadeiro, tinham, de resto, a seu cargo a área de auditoria interna, lembra Pharol. “E sem uma auditoria interna com mecanismos reconhecidos, ainda que tardiamente, como desadequados ao controlo interno das aplicações de tesouraria em que formalmente foram enquadrados os investimentos em instrumentos de dívida não teria sido possível esconder de todos os stakeholders [da Pharol] os mui arriscados investimentos desenquadrados da própria política de investimento aprovada e divulgada.”

Das diversas aplicações, a Pharol destaca a decisão tomada a 9 de maio de 2013 de aplicar 500 milhões de euros – obtidos após uma emissão de obrigações no valor de mil milhões , com juro de 4,625% — em instrumentos de dívida da ESI, a uma taxa de 4,5%. “Nada racional poderia justificar que uma entidade se endividasse em 500 milhões de euros para financiar a holding de controlo da família Espírito Santo com um prejuízo financeiro direto para si, antes de qualquer imparidade, de 625 mil euros anual, só em diferencial de taxa de juro…”

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