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Plataformas de transportes ganham pouco com concentração dos taxistas

( Nuno Pinto Fernandes/ Global Imagens )
( Nuno Pinto Fernandes/ Global Imagens )

Apenas a Taxify admitiu um aumento de clientes esta quarta-feira por causa do protesto dos taxistas contra a "Lei da Uber".

Esta quarta-feira foi um dia mais difícil para chamar um táxi mas as plataformas de transportes não ficaram a ganhar muito com isso, de acordo com os dados apurados pelo Dinheiro Vivo. Apenas a Taxify admitiu um aumento do número de clientes ao longo do dia, enquanto boa parte dos táxis estava concentrada mas principais ruas de Lisboa, Porto e Faro em protesto contra a lei que regulamenta o transporte de passageiros em veículos descaracterizados, a chamada “Lei da Uber”.

“A Taxify registou um aumento de 5% dos utilizadores até às 18h de hoje em comparação com a quarta-feira da semana passada”, indica fonte oficial. Os ganhos só não são maiores porque “nem todos os motoristas estiveram a trabalhar por receio de represálias em algumas zonas da cidades de Lisboa”, acrescenta fonte da plataforma de transportes fundada na Estónia.

Os espanhóis da Cabify, no entanto, afirmaram que “o dia de hoje correu com tranquilidade, registando o fluxo esperado de pedidos e viagens”.

A Chauffeur Privé, que enfrentou a concentração dos taxistas no terceiro dia de operações, alega que “não é possível isolar ou quantificar uma potencial influência da greve dos táxis no negócio. Estamos satisfeitos e confiantes no futuro, sobretudo pela forma entusiasta como os lisboetas e os moradores de toda a zona metropolitana de Lisboa nos estão a receber”.

A plataforma que chegou esta segunda-feira a Portugal acrescenta apenas que a Lei da Uber “tem, e terá, um papel fulcral na melhoria do serviço e irá garantir justiça e equidade no setor, independentemente da tipologia, modelo de negócio e/ou diferentes estratégias dos vários intervenientes neste mercado da mobilidade urbana, onde se incluem os Táxis e a Chauffeur Privé”.

Contactada pelo Dinheiro Vivo, fonte oficial da Uber, a primeira plataforma de transporte de passageiros em veículos descaracterizados em Portugal, optou por não prestar qualquer comentário sobre este tema.

A luta dos taxistas

Os taxistas manifestam-se hoje em Lisboa, Porto e Faro contra a entrada em vigor, em 01 de novembro, da lei que regula as quatro plataformas eletrónicas de transporte que operam em Portugal — Uber, Taxify, Cabify e Chauffeur Privé.

Desde 2015, este é o quarto grande protesto contra as plataformas que agregam motoristas em carros descaracterizados, cuja regulamentação foi aprovada, depois de muita discussão, no parlamento, em 12 de julho, com os votos a favor do PS, do PSD e do PAN, os votos contra do BE, do PCP e do PEV, e a abstenção do CDS-PP. A legislação foi promulgada pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, em 31 de julho, depois do veto da primeira proposta, em abril.

Os representantes do setor do táxi enviaram esta quarta-feira à Assembleia da República um pedido para serem recebidos pelos deputados, a quem pediram que seja iniciado o procedimento de fiscalização sucessiva da constitucionalidade do diploma e que, até à pronúncia do Tribunal Constitucional, se suspendam os efeitos deste, “por forma a garantir a paz pública”.

Um dos principais ‘cavalos de batalha’ dos taxistas é o facto de, na nova regulamentação, as plataformas não estarem sujeitas a um regime de contingentes, ou seja, a existência de um número máximo de carros por município ou região, como acontece com os táxis.

Desta vez, os táxis mantêm-se parados nas ruas e não realizam uma marcha lenta. Ao início de tarde, perto de 1.500 carros estavam concentrados nas três cidades, segundo a organização: perto de 1.000 em Lisboa, cerca de 200 em Faro e 280 no Porto.

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