Crise na Venezuela

Portugal e Espanha pedem solução pacífica na Venezuela

EPA/RAYNER PENA
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O ministro dos Negócios Estrangeiros apelou aos cidadãos portugueses no país que tomem as medidas de segurança "indispensáveis" nesta ocasião.

O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, apelou hoje a uma solução pacífica na Venezuela, após o governo do Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ter denunciado que está a enfrentar um golpe de Estado.

“Politicamente, Portugal mantém o apoio a uma solução pacifica e política na Venezuela, que do nosso ponto de vista passa necessariamente pela convocação de novas eleições”, afirmou à agência Lusa, em Xangai, Santos Silva.

O autoproclamado, e assim reconhecido por mais de 50 países, Presidente interino do país, Juan Guaidó, anunciou hoje que os militares deram “finalmente e de vez o passo” para acompanhá-lo e conseguir “o fim definitivo da usurpação” do Governo do Presidente Nicolás Maduro.

Maduro reagiu, denunciando que está a enfrentar um golpe de Estado, de “um reduzido grupo de militares traidores” que estão a ser neutralizados.

“Estou em contacto permanente com a nossa embaixada em Caracas. Por enquanto é muito difícil dizer qual é a dimensão das movimentações”, ressalvou o chefe da diplomacia portuguesa.

Santos Silva apelou ainda aos cidadãos portugueses no país que tomem as medidas de segurança “indispensáveis” nesta ocasião.

Augusto Santos Silva, que estava ao telefone com o embaixador português na Venezuela quando foi abordado pela Lusa, confirmou que “há de facto movimentações militares em Caracas”, e que o líder da oposição na Venezuela, Leopoldo López, que estava em prisão domiciliária foi, entretanto, “libertado”.

O ministro português está a acompanhar a visita oficial do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, à China.

Também o secretário de Estado das Comunidades, José Luís Carneiro, aconselhou a comunidade portuguesa e lusodescendente residente na Venezuela a adotar medidas de segurança e comportamentos prudentes nas próximas horas, face à situação que se vive no país.

O governante, que cancelou uma visita ao Canadá devido à situação na Venezuela, adiantou que o Governo português está a acompanhar “de perto” o evoluir da situação, sendo para já “prematuro” pronunciar-se em qualquer dos sentidos, tendo em conta “a escassa informação” que existe.

Apoio e cautelas

O governo espanhol expressou já apoio ao “processo democrático pacífico” na Venezuela, desejando que não ocorra “derramamento de sangue”, referindo-se ao apelo de Guaidó dirigido aos militares.

A porta-voz do governo de Pedro Sánchez, Isabel Celáa, afirmou, numa conferência de imprensa, que o Executivo de Madrid desconhecia os movimentos do presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó.

A porta-voz era questionada na conferência de imprensa do Conselho de Ministros depois de Juan Guaidó – reconhecido como presidente interino da Venezuela por meia centena de Estados – ter anunciado que “a família militar deu, de uma vez por todas, o passo” para o “fim definitivo da usurpação” que Nicolás Maduro faz do governo de Caracas.

Celaá assinalou que Espanha defende a realização imediata de eleições na Venezuela e acrescentou que Pedro Sánchez acompanha de perto os acontecimentos no país.

Na vizinha Colômbia, o ministro colombiano dos Negócios Estrangeiros pediu uma reunião urgente do Grupo de Lima para abordar a atual situação na Venezuela.

“Apelo a todos os países membros do Grupo de Lima para que hoje continuemos a nossa tarefa de apoiar o retorno da democracia e da liberdade à Venezuela e definirmos por acordo mútuo uma reunião de emergência”, escreveu Carlos Holmes Trujillo o chefe da diplomacia na sua conta da rede social Twitter.

A Organização dos Estados Americanos manifestou igualmente apoio à adesão dos militares. O secretário-geral, Luis Almagro, saudou “a adesão” do exército venezuelano ao autoproclamado Presidente deste país, Juan Guaidó, e defendeu um processo de transição pacífico.

“Saudamos a adesão dos militares à Constituição e ao Presidente executivo da Venezuela. É preciso que o processo de transição seja feito de forma pacífica”, declarou Luis Almagro na rede social Twitter.

 

As forças de segurança da Venezuela leais ao Governo de Nicolas Maduro têm estado a lançar gás lacrimogéneo contra Guaidó e os militares que o acompanham, segundo testemunhas citadas pela agência espanhola Efe.

 

 

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