Regulador dos seguros diz que investimentos do setor são fundamentais para economia

O presidente da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) defendeu hoje que o setor é fundamental para o crescimento da economia portuguesa, desde logo pelos investimentos que faz, que ascendem a 50 mil milhões de euros.

O presidente da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) defendeu hoje que o setor é fundamental para o crescimento da economia portuguesa, desde logo pelos investimentos que faz, que ascendem a 50 mil milhões de euros.


“No final do terceiro trimestre de 2017, a carteira de investimentos do conjunto das empresas de seguros sob supervisão prudencial da ASF ultrapassava 50 mil milhões de euros, o que corresponde a mais de um quarto do Produto Interno Bruto [PIB] português”, disse hoje José Figueiredo Almaça, na conferência organizada pela Associação Portuguesa de Seguros (APS, a associação que agrega as empresas seguradoras que operam em Portugal) em Lisboa.


Segundo dados da ASF, divulgados a semana passada, no final de setembro, o valor das carteiras de investimento das empresas de seguros totalizou 50,4 mil milhões de euros, mais 3,7% face ao início do ano.


Na abertura da conferência Portugal Seguro 2017, o presidente do regulador dos seguros citou o valor de investimentos para destacar o papel de “grande investidor” do setor segurador em Portugal, já que devido a ter um ciclo de produção invertido (primeiro recebe prémios dos clientes segurados e só mais tarde irá pagar compensações) tem grande disponibilidade de fundos e mobiliza esses montantes em investimentos a “médio e longo prazo”, com impacto no “crescimento da economia”, e funcionando mesmo como “estabilizador [da economia] em tempos de crise”.


José Almaça destacou ainda a importância do setor segurador na compra dívida pública, recordando que, no final de 2016, aquele detinha 10% do total de obrigações do tesouro emitidas pelo Estado português admitidas à negociação na Euronext Lisboa.


Assim, afirmou, o setor é “dos principais financiadores do Estado português, contribuindo para a estabilização das suas condições de financiamento”.


Ainda no final de 2016, o conjunto das empresas supervisionadas pela ASF tinha 3.000 milhões de euros investidos em títulos de dívida de empresas e cerca de 1.000 ME em fundos de investimento (de valores mobiliários e imobiliários) geridos por entidades portuguesas, disse José Almaça.


O presidente da ASF falou ainda do modo como o setor segurador investe, considerando que este diversifica investimentos e tem lógicas de investimento prudentes, “não especulativas”.


José Almaça recordou a crise financeira que Portugal viveu nos últimos anos, para dizer que apesar de seguradoras pertencentes a grandes grupos terem sido chamadas a “acorrer a entidades do próprio grupo”, nem sempre imunes a negócios arriscados, tal decorreu sem prejuízos de maior.


“Foi possível navegar por essas águas bastantes turbulentas sem nenhum naufrágio do setor, nem impactos no erário público a lamentar”, afirmou.


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