5G

Reino Unido exclui Huawei da infraestrutura de 5G

(Photo by David Becker / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP)
(Photo by David Becker / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP)

O Reino Unido vai excluir a Huawei da infraestrutura de 5G, com a remoção completa do equipamento já existente ao longo dos próximos sete anos.

O equipamento vendido pela Huawei para a infraestrutura 5G deixará de ser usado pelo Reino Unido, foi esta terça-feira anunciado pelo governo de Boris Johnson. O anúncio foi feito por Oliver Dowden, responsável pela área de Digital, Cultura, Media e Desporto do governo britânico, perante o parlamento.

Com esta decisão, os operadores de telecomunicações não poderão adicionar nenhum equipamento da Huawei às redes 5G depois do dia 31 de dezembro de 2020. As empresas que já tenham recorrido a componentes da empresa chinesa vão ter sete anos para a retirada destes equipamentos.

De acordo com o jornal The Independent, Downden indica que o executivo ainda terá de legislar a remoção completa dos equipamentos da Huawei que já estão incluídos nas infraestruturas de 5G existentes.

“Concluímos que é necessário e de facto prudente comprometermo-nos com um uma tabela temporal para a remoção do equipamento da Huawei da nossa infraestrutura 5G até 2027”.

Como seria de esperar, esta decisão vai ter consequências na implementação da quinta geração de redes móveis no Reino Unido. Downden mencionou essa possibilidade, referindo ainda que o adiar da implementação acrescentará “meio milhar de milhão de libras aos custos”.

Após os Estados Unidos lançarem suspeitas sobre a segurança dos equipamentos da Huawei, levantando questões sobre o uso de componentes da empresa chinesa numa infraestrutura crítica como as redes 5G, países como o Reino Unido levaram a cabo avaliações sobre a segurança da infraestrutura. Em maio, o Departamento de Comércio dos Estados Unidos tomou ainda uma decisão que afetou a Huawei na área dos semicondutores. A administração Trump declarou necessário o pedido de licenças para a venda de semicondutores feitos no estrangeiro com tecnologia americana.

Na altura, o próprio Departamento de Comércio dos EUA admitia que emendou a regra de exportação neste domínio “para estrategicamente limitar a aquisição por parte da Huawei de semicondutores que são o produto direto de software e tecnologia norte-americana. Com a tecnológica a necessitar deste tipo de equipamentos para os seus equipamentos, desde smartphones até equipamentos para a área das telecomunicações e infraestrutura de rede, o comércio americano tenta criar uma nova limitação à atividade da empresa.

Na altura, o chairman da Huawei descrevia a decisão dos Estados Unidos como “arbitrária e perniciosa”, representando uma “ameaça e que mina toda a indústria a nível global”.

Após esta decisão, o Reino Unido avançou para uma avaliação das consequências desta ordem comercial. De acordo com o Sunday Telegraph, um relatório do Centro Nacional de Cibersegurança inglês concluía que as sanções dos EUA poderiam levar a tecnológica chinesa a “utilizar tecnologia pouco confiável, criando riscos de segurança”.

Como seria de esperar, a desconfiança do Reino Unido para com a Huawei criou um clima de tensão entre Londres e Pequim. Já no início de julho, a China lançava avisos sobre “consequências” caso o território avançasse para uma exclusão da Huawei da infraestrutura, assim que circularam as primeiras indicações sobre a tomada de direção do executivo britânico.

Citado pela Bloomberg, Liu Xiaoming, embaixador da China para o Reino Unido, anunciava na altura que a China “quer ser amiga [do Reino Unido], parceira, mas se querem fazer da China um parceiro hostil terão de enfrentar as consequências”.

A Huawei já reagiu à decisão do Reino Unido. “É uma decisão desapontante e más notícias para quem está no Reino Unido com um telemóvel. Ameaça colocar Inglaterra numa faixa digital mais lenta, aumentar as contas e aprofundar a divisão digital. Em vez de fazer uma ‘subida de nível’ o governo está a baixar o nível e pedimos que reconsiderem”, afirma Edward Brewster, porta-voz da Huawei no Reino Unido. “Continuamos confiantes de que as novas restrições dos Estados Unidos não vão afetar a resiliência ou a segurança dos produtos que fornecemos ao Reino Unido”.

O mesmo porta-voz lamenta que “o futuro [da empresa] no Reino Unido tenha sido politizado, isto tem que ver com a política de comércio dos Estados Unidos e não segurança. Nos últimos 20 anos a Huawei tem estado focada em construir um Reino Unido mais conectado. Como um negócio responsável, vamos continuar a apoiar os nossos clientes como temos vindo a fazer”.

A empresa avança ainda que vai “conduzir uma análise detalhada daquilo que este anúncio representa para os negócios [no Reino Unido]”, acrescentando que “vão trabalhar com o governo do Reino Unido para explicar como é que poderá contribuir para uma Inglaterra mais conectada”.

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