Poupança para a Vida

Reter imigrantes pode ser estratégia para reverter o défice demográfico

A carregar player...
Reter imigrantes pode ser estratégia para reverter o défice demográfico

"Falava-se na conferência de que vivemos mais - mas, além de vivermos mais, queremos viver com qualidade", afirmou Telmo Vieira.

Juntamente com medidas de incentivo à natalidade, imigração poderá ser a chave para reverter o atual défice demográfico português.

O estudo do Observatório mostra um índice de fecundidade realizada inferior a 1%. Com esse ponto de partida, é realista apostar nos cem mil nascimentos/ano que propõem?
A fecundidade realizada é manifestamente muito baixa em Portugal: neste momento temos 0,84 filhos por respondente. Pensamos que devemos quantificar o objetivo que queremos atingir, caso contrário estamos a caminhar para uma coisa vazia e cem mil nascimentos parece-nos um objetivo atingível – não vamos propor nem 120 nem 130 mil, porque sabemos que dificilmente lá chegaremos.

Das 12 medidas propostas quais são para si as mais urgentes?
Há um conjunto de medidas que para os respondentes são mais relevantes e que nós sistematizamos. A primeira refere-se aos infantários. E, não obstante o estudo, acho que veio corroborar a nossa perceção enquanto cidadãos: é difícil arranjar um infantário e os infantários são caros. Se pensarmos que o preço médio de um infantário ronda os 350, 400 euros, se uma família tiver dois filhos, estamos a falar praticamente de um salário para os infantários.

E como é que neste cenário se coloca a questão do envelhecimento populacional e da qualidade de vida durante os últimos anos de vida?
Falava-se na conferência de que vivemos mais – mas, além de vivermos mais, queremos viver com qualidade. Eu quero que os meus últimos 15 anos sejam 15 anos bons, não sejam passados acamado, numa cama de hospital ou em casa. A questão da natalidade e do equilíbrio demográfico entronca aqui noutra questão, que é a dos cuidadores. À medida que as pessoas são mais idosas precisam de mais apoio e, se tivermos uma natalidade reduzida, iremos ter um problema de cuidadores para os mais seniores. Tem de haver aqui um equilíbrio demográfico e Portugal tem de trabalhar nesse sentido. Mesmo que vá para a frente, este conjunto de 12 medidas não será suficiente para repor o défice demográfico – neste momento temos um défice demográfico anual de cerca de 23 mil pessoas. Foi por isso que levantei a questão da imigração. Neste momento, Portugal tem condições únicas para atrair imigrantes com formação académica, que decidem eleger Portugal como o país em que querem trabalhar, estudar.… Se conseguirmos reter algumas dessas pessoas, talvez consigamos reverter o défice demográfico. Por outro lado, era bom que conseguíssemos atrair os nossos emigrantes.

E de que forma é que garantimos níveis de poupança que proporcionem uma velhice menos esforçada?
A poupança foi uma das grandes surpresas do nosso estudo – 68% dos inquiridos referem não ter poupança para a reforma, o que é bastante preocupante. De acordo com os dados do primeiro trimestre de 2018 do Eurostat, Portugal tem uma taxa de poupança ao nível das famílias de 5,1%, enquanto a média na zona euro é de 12%. E aqui há vários aspetos a ter em conta, desde logo a literacia financeira e o incentivo das pessoas à poupança, explicando que haverá dificuldades futuras caso não iniciem cedo as suas poupanças.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Mário Centeno, ministro das Finanças. Fotografia: MANUEL DE ALMEIDA / LUSA

Centeno diz que abrandamento da economia esconde muitas coisas boas

Cristina Casalinho, presidente do IGCP

Portugal paga menos de 2% na última emissão de dívida do ano

Terminal (Naviport) do Porto de Setúbal com milhares de carros da Autoeuropa que estão bloqueados esta semana com a paralisação dos estivadores do Porto de Setúbal.
(A-gosto.com/Global Imagens).

Autoeuropa tem 5000 carros parados no porto de Setúbal

Outros conteúdos GMG
Reter imigrantes pode ser estratégia para reverter o défice demográfico