“Selos” da UNESCO mostram “autenticidade” do Alentejo – diretora de Cultura

As classificações atribuídas pela UNESCO ao património e a práticas culturais do Alentejo demonstram o "grau de autenticidade" e a "identidade cultural muito forte" da região, realçou hoje à agência Lusa a diretora regional de Cultura.

As classificações atribuídas pela UNESCO ao património e a práticas culturais do Alentejo demonstram o “grau de autenticidade” e a “identidade cultural muito forte” da região, realçou hoje à agência Lusa a diretora regional de Cultura.


“Trata-se de uma região com um grau de autenticidade e de identidade cultural muito forte”, que “transparece no reconhecimento internacional deste valor patrimonial”, afirmou a responsável da Direção Regional de Cultura do Alentejo (DRCAlen), Ana Paula Amendoeira.


A diretora regional falava à Lusa depois de a região ter ganho hoje mais um “selo”, o terceiro, de Património Cultural Imaterial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), desta feita para a produção do figurado em barro de Estremoz.


Os Bonecos de Estremoz juntam-se ao cante alentejano, classificado em 2014, na Lista Representativa do Património Cultural Imaterial, enquanto o fabrico de chocalhos, numa candidatura nacional, mas focada em Alcáçovas, Viana do Alentejo (Évora), é Património Cultural Imaterial com Necessidade de Salvaguarda Urgente, desde 2015.


Na região, assinalou Ana Paula Amendoeira, os reconhecimentos da UNESCO abarcam, não só o património construído, com o centro histórico de Évora (1986) e as fortificações de Elvas (2012) classificados como Património da Humanidade, mas também este “saber-fazer” das comunidades.


“Estas inscrições funcionam como ‘espelho’, para nós próprios, para a nossa comunidade, para os cidadãos se convencerem e reconhecerem, de facto, que o seu património cultural e o seu conhecimento têm um valor muito grande, quer dentro do país e da região, quer fora”, argumentou.


O valor dos bens inscritos, insistiu, decorre “da grande autenticidade cultural e patrimonial” do Alentejo, uma região vasta, mas que tem uma “forte identidade”.


“O Alentejo, por várias razões, mas sobretudo porque tem sido uma região pobre do ponto de vista económico, é uma grande região homogénea do ponto de vista cultural, com uma identidade que se reconhece”, frisou.


O “abandono” que a região “teve historicamente”, continuou Ana Paula Amendoeira, acabou por incluir “aspetos positivos, um deles a qualidade da região, da sua paisagem, a conservação e salvaguarda do urbanismo e do património construído”.


E, ao mesmo tempo, favorecendo “o prolongamento de práticas ancestrais que, em muitas outras regiões, já praticamente se perderam”, mas que, no Alentejo, mesmo que não possam não estar “todas de boa saúde, ainda existem e se praticam”.


O reconhecimento de Património Cultural Imaterial, afirmou, “está intimamente ligado ao conhecimento das comunidades tradicionais e populares” e constitui “uma chamada de atenção” contra a globalização.


“É o reverso da medalha do processo de globalização, que é devorador e diluidor das identidades. Aqui, procura-se ir à raiz do conhecimento das comunidades tradicionais” para preservar a identidade e a autenticidade”, comparou.


E, neste campo, “o Alentejo é claramente uma região de uma grande riqueza”, salientou a diretora, assinalando que os “selos” da UNESCO são também fruto da estratégia adotada pelas instituições públicas, que “trabalham muito” para o “reconhecimento das práticas culturais e patrimoniais” da região.

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