aviação

TAP teve ano “difícil” e “exigente”

Miguel Frasquilho, presidente da TAP
Miguel Frasquilho, presidente da TAP

Cancelamentos e atrasos de voos que obrigaram a indemnizações "muito acima dos padrões normais", disse Miguel Frasquilho.

O ano de 2018 será um “intervalo de curtíssimo prazo” na trajetória dos resultados da TAP, que a médio e longo prazo é “positiva e crescente”, revelou hoje Miguel Frasquilho, presidente do Conselho de Administração do Grupo TAP.

Num encontro promovido pela Associação de Hotelaria de Portugal (AHP), em Lisboa, sem especificar os resultados de 2018 da transportadora aérea nacional, o responsável assumiu que o ano passado foi “particularmente difícil e exigente”.

Na lista de justificações, estão, segundo o ‘chairman’, o “muito investimento”, mas também os elevados cancelamentos e atrasos de voos que obrigaram a indemnizações “muito acima dos padrões normais”.

Essas indemnizações poderão situar-se na ordem das várias dezenas de milhões de euros e foram pagas devido a responsabilidades da TAP, conforme admitiu hoje Frasquilho, que pediu desculpas em nome da empresa.

A contribuir para os resultados, ainda não divulgados, estão também as mais de mil contratações de trabalhadores qualificados, a desvalorização do real no Brasil e os elevados preços dos combustíveis.

Em 2017, o Grupo TAP obteve um lucro de 21,2 milhões de euros, que contrasta com um prejuízo de 27,7 milhões registado no ano anterior.

Em novembro, o presidente executivo da TAP tinha indicado que os atrasos da companhia custaram mais 40 milhões de euros do que em 2017.

“Os 40 milhões foram deitados fora, foram perdidos”, lamentou o líder da companhia aérea, na altura, salientando que o principal investimento do grupo era a formação e a melhoria dos aviões.

Em setembro, o responsável contabilizava 100 milhões de euros em custos com atrasos, quando há quatro anos essa fatura tinha sido de 50 milhões de euros.

Na sua intervenção, Frasquilho fez votos de que o estudo ambiental para a transformação da base da Força Aérea no Montijo em aeroporto civil seja favorável, até porque a TAP poderia assim vir a crescer no Humberto Delgado, em Lisboa.

A transportadora tem repetido que o seu foco é manter a operação na atual infraestrutura, por ter aí o ‘hub’, ou seja, a plataforma de ligações.

Acerca do processo da saída do Reino Unido da União Europeia, o chamado ‘Brexit’, indicou a aguarda pelas decisões políticas.

“Conforme o que vier para a mesa, tomaremos as decisões. A TAP tem medidas preparadas, mas não as vou dizer”, rematou o ‘charmain’.

O presidente do Conselho de Administração do Grupo TAP afirmou ainda a previsão de a companhia transportar 20 milhões de passageiros em 2020.

O consórcio Atlantic Gateway detém 45% da TAP, o Estado, através da Parpública, 50%, e nas mãos dos trabalhadores estão 5% do capital.

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