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Três motivos que estão a causar as quedas das bolsas

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Depois de anos de ganhos, as bolsas mundiais tiveram fortes correções nas últimas sessões. O que está a provocar esta instabilidade?

As bolsas americanas tiveram quedas na sessão de segunda-feira como há muito não se via e continuam a sofrer esta terça-feira. As ações globais não escaparam a essa tendência, com os principais índices europeus a perderem mais de 2% esta sessão. Mas o que está a motivar esta correção nas bolsas? “Existem vário fatores para o sell-off”, observa Michael O’Sullivan, responsável de investimento do Credit Suisse, numa nota enviada às redações.

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Inflação e reação dos bancos centrais

Nos últimos anos para segurar os mercados os maiores bancos centrais do mundo tomaram medidas extraordinárias, cortando as taxas de juro para mínimos históricos e injetando biliões de euros no sistema financeiro. Mas, com a economia a recuperar, a Reserva Federal dos EUA está já no processo de trazer as taxas de juro para níveis mais normais.

Mas após os dados do mercado de trabalho nos EUA, divulgados no final da semana passada, os investidores temem que a inflação possa subir mais rápido que o esperado, obrigando a Fed a subir as taxas de juro de uma forma mais violenta, o que cria ansiedade no mercado. Isto porque o relatório mostrou uma subida nos salários.

“O aumento da inflação leva a um cuidado redobrado por parte da Fed de forma a controlar a mesma”, explica José Lagarto, head of research da Orey iTrade. Explica que “as expectativas que a Fed possa aumentar taxas de juro a um ritmo maior do que inicialmente esperado acabou por levar a uma subida das yields das obrigações norte-americanas que levaram a uma pressão sobre o mercado acionista levando à correção a que estamos a assistir”.

Eduardo Silva, gestor da XTB, refere que a subida dos valores pagos em média por hora aos trabalhadores americanos “levantou questões quanto ao impacto deste indicador na aceleração da inflação. Factor que poderá levar a Fed a acelerar o ritmo de aumento da taxa de juro, o que por sua vez pesa nos índices”.

Os algoritmos e a alavancagem

No passado já ocorreram episódios de crashes relâmpago nas bolsas e houve preovas de que essas quedas súbitas ficaram a dever-se ao papel da negociação alogorítmica. Cada vez mais negócios de bolsa são feitos e executados por programas informáticos que tomam decisões de comprar ou vender consoante determinados critérios. E, mais uma vez, os algoritmos podem ajudar a explicar o que se está a passar no mercado. A juntar a esse fator está também o aumento da utilização da alavancagem nos últimos anos, uma estratégia que permite ganhar uma exposição mais ao dinheiro realmente investido como forma de multiplicar os ganhos.

Steven Santos, gestor do BiG, explica que “os movimentos acentuados das últimas sessões foram motivadas por fast money, incluindo investidores alavancados e trading algorítmico”. Detalha que “dado o baixíssimo nível de volatilidade nos índices accionistas ao longo do último ano, os investidores foram indirectamente incentivados a usar alavancagem para exponenciar os retornos, sendo que as correcções dos últimos dias foram exacerbadas pelo fecho de posições alavancadas e pela execução automática de posições (margin call)”.

Também o Credit Suisse nota que “até agora a pressão vendedora aparenta estar concentrada em fundos centrados em estratégias de algoritmos, e há poucos sinais que os investidores de mais longo prazo estejam a entrar em pânico”.

Risco de subidas excessivas nas ações

Janet Yellen saiu no início deste mês da presidência da Reserva Federal dos EUA. Mas deixou o aviso de que os preços de alguns ativos poderiam estar demasiado elevados. Mesmo com as quedas das últimas sessões, o índice que reúne as 500 maiores cotadas americanas sobe quase 70% em cinco anos. E antes destas correções as bolsas mundiais tinham arrancado o ano a todo o gás, o que pode causar preocupação sobre se as subidas foram excessivas.

Eduardo Silva explica que “assistimos a um típico movimento de exaustão de preço”. Observa que “Janeiro foi atipicamente forte para os índices e levou a uma realização de lucros que se transformou numa correção mais forte quando as taxas das obrigações americanas começaram a disparar”.

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