Portugal Exportador

Novos mercados, mais e melhores produtos – o futuro da exportação

Lisboa, 14/11/2018 - Sessão de abertura da 13ª Edição do Portugal Exportador, a decorrer durante o dia de hoje no Centro de Congressos de Lisboa

( Filipa Bernardo/ Global Imagens )
Lisboa, 14/11/2018 - Sessão de abertura da 13ª Edição do Portugal Exportador, a decorrer durante o dia de hoje no Centro de Congressos de Lisboa ( Filipa Bernardo/ Global Imagens )

A 13ª edição do Portugal Exportador realizou-se na quarta-feira, dia 14, no Centro de Congressos de Lisboa.

Com o crescimento constante das exportações nacionais, há segmentos da economia que têm importância capital nos próximos anos. Construção, e-commerce, agroalimentar e automóvel foram os setores em destaque na 13ª edição do Portugal Exportador.

As exportações nacionais estão de boa saúde – até ao fim do ano devem chegar aos 45% do PIB – mas é necessário diversificar mercados e alargar a base exportadora. Foi esta a principal mensagem deixada na 13ª edição do Portugal Exportador, que decorreu no Centro de Congressos de Lisboa, na última quarta-feira. Eurico Brilhante Dias, secretário de Estado da Internacionalização, defendeu a necessidade “de uma nova onda de crescimento das exportações”, para que estas alcancem os 50% do PIB até meados da próxima década. Na mesma altura, os responsáveis da Fundação AIP e da AICEP, Jorge Rocha de Matos e Luís Castro Henriques, sublinharam a importância da inovação e da tecnologia no futuro das exportações portuguesas, cabendo a António Ramalho, CEO do Novo Banco, o alerta final: “Empresas exportadoras crescem três vezes mais, têm uma margem líquida superior e, do ponto de vista do risco, são 30% mais seguras ao nível da capitalização”.

Ao longo do dia, os setores do automóvel, construção, e-commerce e agroalimentar mereceram particular destaque.

Existir para exportar

Com a indústria a viver um momento de viragem, o setor automóvel lidera as exportações de bens à escala nacional, destinando a quase totalidade da produção ao mercado externo. As quatro unidades existentes asseguram uma produção superior a 300 mil veículos/ano, que fazem com que Portugal integre a categoria dos países com uma indústria consolidada ao nível do setor.

No Tramagal, a unidade da Mitsubishi é a mais antiga do país – iniciou atividade em 1964 – e está hoje apostada na produção de veículos pesados ligeiros elétricos. “A descarbonização é algo que vai ter de acontecer. Em 2030 dois terços da população mundial viverá em centros urbanos, o que coloca desafios ao nível da mobilidade”, assumiu Jorge Rosa, presidente da Mitsubishi Fuso, numa das sessões do dia.

Em busca de novas oportunidades

A indústria agroalimentar nacional emprega hoje 112 mil pessoas e gera um volume de negócios anual de 17 mil milhões de euros. E, embora dando mostras de vitalidade, o setor tem margem para evoluir, nomeadamente na forma com atua no mercado exterior. Para Amândio Santos, presidente da Portugal Foods, “o país tem de se mobilizar para encontrar novas oportunidades e novos canais de escoamento”. O responsável deu o exemplo do mercado espanhol que, apesar de absorver um terço das exportações do setor, tem um valor unitário muito baixo, já que importa sobretudo produtos sem valor acrescentado. Mas Amândio Santos mostra confiança no futuro: “Nada é fácil para as empresas mas a marca Portugal começa a ter um peso importante no contexto global”.

Construir (em) novos mercados

O setor da construção é outro dos segmentos da economia portuguesa que apresenta um maior potencial de crescimento na exportação, sendo os Estados Unidos da América (EUA) um dos mercados atualmente mais apetecíveis. A experiência de Clarisse Frias, da Media Consult, dá-lhe essa certeza. “Aquilo a que assistimos em toda a costa litoral dos EUA é a expansão destas empresas portuguesas”, afirmou numa das mesas redondas do dia, sublinhando que há muitos materiais nacionais a serem importados pelos EUA.

A Up Way Systems é uma das empresas portuguesas que já atravessou o Atlântico. Alexandra Pinto, general manager, destacou a importância que a diferenciação teve em todo o processo de internacionalização. “Num mercado como os EUA, onde entrámos através do marketing digital, não podemos competir pelo preço”, afirmou. A responsável da Up Way Systems destacou ainda a importância do fator confiança para entrar neste mercado competitivo: a empresa já estava presente no Reino Unido com projetos icónicos, desenvolvidos em parceria com companhias locais, facto que deu maiores garantias às empresas norte-americanas.

Futuro digital

Em 2021 o valor do eCommerce atingirá os 4800 biliões de dólares, referiu Marta Jorge, do AICEP. “As empresas que não aproveitam esta mudança vão reduzir margens ou perder oportunidades de crescer”, alertou a responsável que identifica a Alemanha, Reino Unido, França e EUA como os principais mercados para Portugal, dada o crescimento que registam na apetência pelo eCommerce”.

Para Rafic Daud, da UnDandy – marca de sapatos que vende diretamente ao cliente modelos costumizados -, a ausência de barreiras geográficas ou linguísticas é outra das vantagens do comércio digital. Contudo, este também é um segmento em que a competição é feita à escala global. “O mundo inteiro está a competir connosco”, sublinha Rafic Daud, que apostou na costumização do produto e na adaptação aos diferentes mercados como forma de marcar a diferença.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje

Página inicial

fotografia: Luís Costa Carvalho

Corticeira Amorim investe oito milhões e inaugura nova fábrica nos EUA

António Mexia lidera a EDP desde 2005

António Mexia, CEO da EDP, ganhou 6.000 euros por dia em 2018

Outros conteúdos GMG
Conteúdo TUI
Novos mercados, mais e melhores produtos – o futuro da exportação