Portugal Exportador

Exportações: os desafios do sonho americano

13ª Edição do Portugal Exportador.
( Filipa Bernardo/ Global Imagens )
13ª Edição do Portugal Exportador. ( Filipa Bernardo/ Global Imagens )

O mercado norte-americano esteve em destaque na 13ª edição do Portugal Exportador.

Exigente, concorrencial, com regras próprias, o mercado norte-americano prepara as empresas para enfrentar qualquer outra geografia. E multiplica-lhes a escala de negócio.

São 358 milhões de habitantes com uma cultura consumista e um bom nível de vida. Foi desta forma que Graça Didier, secretária-geral da Câmara de Comércio Americana em Portugal, começou por apresentar o mercado norte-americano, durante a última edição do Portugal Exportador. Reconhecidamente um mercado exigente, onde a concorrência é feroz, os Estados Unidos também têm vantagens – e uma delas é a escala que dão a qualquer negócio.

Considerado o sexto melhor país do mundo para se fazer negócio, os Estados Unidos da América (EUA) são hoje o quinto parceiro de Portugal no que toca às exportações, e o primeiro fora da União Europeia. Contudo, como foi referido, tanto por Graça Didier como por Jorge Gabriel, administrador da Fundação Luso Americana para o Desenvolvimento (FLAD), há ainda muito potencial a explorar. Sobretudo numa altura em que, por via do turismo, há um maior interesse pelos produtos portugueses.

Manual de navegação

“É essencial a presença física”, garante o responsável da FLAD. O envio de e-mails não resulta para os norte-americanos, que gostam de fazer negócio de forma presencial.

A garantia da criação de postos de trabalho é outra das características que pode facilitar a entrada de uma empresa portuguesa nos EUA.

Para Jorge Gabriel, há ainda que ter em conta a comunidade portuguesa e luso-descendente –1,5 milhões de pessoas – que, de acordo com o responsável da FLAD, já demonstrou interesse em apoiar os empresários portugueses.

Graça Didier lembrou ainda algumas desvantagens associadas a este mercado. Além de ser um mercado muito competitivo, é necessário abordá-lo com paciência e resiliência, já que tradicionalmente o retorno só surge a médio e longo prazo. Além disso, é fundamental fazer o “trabalho de casa”, não só sobre todas as normas exigidas por cada Estado , como também sobre as barreiras e taxas alfandegárias. Sendo esta uma sociedade muito litigante, há fortes probabilidades de uma empresa ter problemas com a justiça caso deixe “pontas soltas” na abordagem no negócio.

No entanto, Graça Didier não tem dúvidas: este é um mercado muito enriquecedor. “Quem conseguir ter sucesso, fica preparado para qualquer outro mercado”, referiu.

A exportar… naturalmente

Eficiência, dimensão do mercado e apreço pela proximidade nos negócios. Estas foram três das características com que Douglas Gilman, CEO da Sonatural, empresa portuguesa do grupo GL,SA, se deparou no mercado norte-americano.

A marca Sonatural foi criada há 12 anos e especializou-se em sumos naturais de fruta feitos a partir da técnica HPP (high pressure process), e desde logo, fez sucesso junto dos norte-americanos. Contudo, só fez negócio quando se deslocou a Chicago: conseguiu dois clientes – duas cadeias de supermercados com 1200 lojas cada – e começou a exportar para os Estados Unidos.

O primeiro revés surgiu este ano quando, na iminência de conseguir mais dois novos clientes, o negócio foi barrado pela logística, que temia o risco de ter um produto perecível a atravessar ao Atlântico durante nove dias. A solução foi a criação de uma fábrica nos arredores de Filadélfia, cuja produção arranca em fevereiro. Com a barreira geográfica ultrapassada, os clientes assinaram o negócio.

 

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