Consumo

Sustentabilidade. 5 ideias para ir às compras

O ambientalista Francisco Ferreira, ex-dirigente da Quercus e fundador da recente Zero, revela os critérios que usa quando vai ao supermercado.

Quando se trata de consumo, cada pessoa tem os seus critérios de escolha, mas nem sempre são os mais sustentáveis. Até porque o preço costuma falar mais alto e por vezes o produto mais barato não é o mais amigo do ambiente e da sociedade e, no limite, até pode ser mais prejudicial à saúde.

Para o professor universitário e ambientalista Francisco Ferreira, que falava no Ciclo de Debates de Consumo da Deco que decorreu esta quinta-feira à tarde na Fundação Arpad Szenes Vieira da Silva, em Lisboa, há quatro critérios que usa sempre que vai ao supermercado. E apesar do preço não ser um deles, garante que está sempre presente nas escolhas.

1. Procurar produtos locais

O ex-dirigente da Quercus e agora fundador da Zero – Associação Sistema Terrestre Sustentável diz que é o primeiro critério quando escolhe os produtos a comprar no supermercado. Aliás, conta mesmo que os frescos são comprados num mercado perto de casa. Para Francisco Ferreira, desta forma contribui-se para evitar o desperdício e estimular a economia local e sustentável, ou seja, uma economia que consuma os recursos de forma moderada e não gaste mais do que aquilo que o planeta pode dar.

“Encaro a sustentabilidade como a capacidade de viver só com o nosso depósito à ordem. Mas atualmente precisamos de um planeta e meio para satisfazer os 7,4 mil milhões de pessoas que há no mundo atualmente [e que está sempre a crescer], ou seja, já estamos a ir ao nosso depósito a prazo. Estou a ir para além daquilo que o nosso planeta pode dar e a sustentabilidade é usar os recursos de forma adequada e mesmo assim ter uma vida satisfatória e feliz. Porque o planeta não aguenta este modelo de consumo rápido”, disse na conferência de ontem.

2. Preciso mesmo do produto?

O segundo critério que Francisco Ferreira tem em conta quando está a fazer compras já está mais relacionado com o preço. “Será que preciso de levar este sumo ou este ice-tea? Será que não posso fazer eu o ice-tea?”, questiona. Para o ambientalista, as pessoas têm de pensar bem no que precisam e se não há alternativas mais baratas, como fazer o próprio produto. Ou, por exemplo, arranjar um aparelho estragado em vez de o deitar logo fora e comprar um novo. Não só pode pagar menos pelo arranjo do que comprando novo, como está novamente a estimular a economia e não está a prejudicar o ambiente.

3. Escolher produtos biológicos?

Francisco Ferreira não nega que podem ser produtos mais caros, mas eles são de facto sustentáveis e desta vez, mais do ponto de vista ambiental porque contribuem para reduzir a pegada ecológica. Além disso, serão produtos de maior qualidade porque são feitos de forma tradicional e sem produtos nocivos para a saúde e com respeito pelas matérias-primas, sejam elas vegetais ou animais.

É a ideia de que um animal feliz é mais saboroso. Por exemplo, a carne de vaca mais cara do mundo – a Kobe, produzida maioritariamente no Japão – é precisamente aquela que é retirada de vacas que têm uma alimentação controlada e fresca e que, conta-se, são até massajadas para estarem mais felizes.

4. Verificar a embalagem

Não se trata de verificar se a embalagem é bonita ou feia, mas sim prestar atenção à validade do produto e ao tamanho da embalagem. “Muitas vezes olho para o preço por quilo, o que não quer dizer que seja a opção mais barata, mas deve ter-se em atenção”, diz Francisco Ferreira.

A validade também é importante, porque quanto mais longa for, menos necessidade terá de voltar a comprar e, portanto, gasta menos dinheiro.

Além disso, o tipo de embalagem também é importante. “Se comprar uma cerveja numa embalagem reutilizável [daquelas que tem de devolver] ela é mais barata que numa embalagem para reciclar”, acrescentou Francisco Ferreira.

5. Outros critérios que pode ter em conta (alguns sugeridos pela plateia)

Fazer uma lista, porque ajuda a reduzir o desperdício.

Escolher produtos que respeitem o ser humano e os animais, por exemplo, que não sejam feitos por crianças num qualquer país da Ásia ou que testem os produtos em animais.

Pensar que o mais caro por vezes sai mais barato, diz ainda Francisco Ferreira. Por exemplo, as lâmpadas LED são mais caras, mais duram mais tempo. E uma viagem de avião de 9 euros só é possível porque as empresas não estão a pagar pelas emissões que fazem, ou seja, está a destruir mais o ambiente.

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