Dinheiro

Portugueses trocam colchão por um cofre no banco

A instabilidade vivida na banca desde a crise financeira de 2008 tem obrigado os portugueses a repensar as estratégias de aforro e investimento.

A crise financeira, a turbulência com as dívidas soberanas, o programa de ajustamento económico e financeiro a Portugal, a nacionalização do Banco Português de Negócios, a falência do Banco Privado Português, as resoluções do BES e do Banif e a entrada em vigor de novas regras de bail in são os marcos históricos mais importantes dos últimos oito anos no setor financeiro.

Poderão não ter abalado a confiança dos depositantes no sistema – pilar essencial à atividade das instituições –, mas aumentaram os receios dos clientes e a notoriedade do setor não ficou imune.

É neste contexto que os cofres passam a ser encarados como uma “alternativa” às contas bancárias, ou até mesmo à famosa recomendação “pôr o dinheiro debaixo do colchão”.

A procura pelo serviço de aluguer de cofres tem vindo a ganhar dimensão em Portugal nos últimos anos e a maioria das grandes instituições reporta a manutenção dessas taxas de procura dos últimos anos, ou até um ligeiro incremento em 2015.

Leia também: Quanto custa alugar um cofre no seu banco?

No Montepio, o serviço tem vindo a crescer ano após ano. “Registámos um crescimento médio anual na ordem dos 6%. O crescimento no aluguer de cofres, entre 2014 e 2015, foi semelhante ao período homólogo”, explica fonte oficial da Caixa Económica Montepio Geral.

Sem divulgar o número concreto de cofres alugados, o banco estatal adianta que a procura não sofreu alterações significativas face a 2014. As taxas de crescimento mantêm-se estáveis.

O Novo Banco, sabe o Dinheiro Vivo, terá registado uma quebra ligeira em 2015 face ao ano anterior, contrariando a tendência dos concorrentes, o que poderá ser justificado com o processo de resolução do BES e criação da instituição liderada por Eduardo Stock da Cunha. Até ao momento, não foi possível obter resposta do BCP e do BPI.

As instituições contactadas – CGD, BCP, Novo Banco, BPI e Montepio – disponibilizam o serviço de aluguer de cofres, cujos preços variam em função da dimensão da “caixa de segurança”. As comissões cobradas variam entre 21 euros anuais para os cofres de menor dimensão e 2870 euros para os de maior tamanho.

Qual o recheio dos cofres?

O filme “Um golpe em Itália”, ou “Uma Saída de Mestre” na tradução portuguesa, retrata as peripécias de seis ladrões quando decidem assaltar um cofre recheado com 35 milhões de euros em barras de ouro. Da ficção para a realidade, a confidencialidade do recheio dos cofres é a regra. As instituições bancárias não têm conhecimento dos valores guardados pelos seus clientes nas “caixas de segurança”.

A confidencialidade é tão importante como a salvaguarda das questões de segurança. Em algumas das entidades bancárias, os funcionários acompanham os clientes à “sala” dos cofres.

O recheio dos cofres poderá ser diversificado, podendo até incluir barras de ouro. Na prática, os clientes alugam um cofre para guardar o que entenderem, como dinheiro ou documentos, entre outros valores.

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