Dia Mundial da Poupança

Poupança das famílias portuguesas nunca foi tão baixa

No final do ano passado a taxa de poupança das famílias portuguesas foi de 4,7% do rendimento disponível, a mais baixa desde 1995.

Não é o pior entre os Estados membros da União Europeia, mas também está longe dos melhores. A taxa de poupança das famílias portuguesas está no nível mais baixo desde que há dados disponíveis. Há 23 anos que a proporção de dinheiro que as famílias colocam de lado é a menor de sempre.

Para 2017, o Eurostat apenas dispõe de dados atualizados para 19 dos 28 Estados membros da União Europeia. De fora ficam a Bulgária, a Croácia, a Grécia, a Eslováquia, Irlanda, Malta, a Roménia, a Polónia e o Reino Unido. Mas mesmo tendo em conta os dados de 2016, Portugal aparece entre os países em que as famílias menos poupam. A pior posição pertence ao Chipre que mantém desde 2013 uma taxa de poupança em valores negativos. No topo está o Luxemburgo com uma taxa de poupança a rondar os 20%.

Em relação à Zona Euro, Portugal sempre apresentou uma taxa de poupança abaixo dos níveis dos parceiros da moeda única, mas nos últimos anos a distância tem vindo a aumentar, tal como para os parceiros da UE.

Mas voltando a Portugal, se em 1995, a taxa de poupança ultrapassava os 12,5% do rendimento disponível, a partir de então que tem vindo sempre a descer. Uma tendência que se mantém até agora. E que parece não estar a abrandar.

De acordo com os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa de poupança das famílias voltou a diminuir no segundo trimestre deste ano, descendo para 4,4% do rendimento disponível. É uma queda de 0,2 pontos percentuais face aos primeiros três meses do ano.

A descida da taxa de poupança é justificada pelo aumento do consumo, cujo ritmo de crescimento superou o aumento do rendimento disponível. A despesa de consumo final aumentou 0,9%, enquanto o rendimento disponível cresceu 0,7%.

“O crescimento do rendimento disponível das famílias foi influenciado pela variação das remunerações recebidas, que registaram um acréscimo de 1% no segundo trimestre de 2018 após um aumento de 0,9% observado no trimestre anterior”, indica o INE.

Sempre a descer a partir do Euro

“A taxa de poupança das famílias portuguesas tem apresentado uma tendência de redução desde o início da união monetária, a qual foi apenas temporariamente interrompida no início da crise económica e financeira.” A avaliação é do Banco de Portugal num destaque publicado no Boletim Económico de maio de 2016.

Na altura, o supervisor notava que esta evolução “contrasta com a média da área do euro, onde a taxa de poupança se reduziu apenas ligeiramente desde 1999, permanecendo num nível significativamente superior ao registado em Portugal.” A análise, apesar de ter dois anos, ainda se mantém atual.

Na avaliação que fez em 2016, o Banco de Portugal apontava alguns fatores que poderão justificar os baixos níveis de taxa de poupança. Entre esses fatores está o acesso mais fácil ao crédito (“redução das restrições de liquidez”), mas também a redução da desigualdade na distribuição de rendimento.

Poupança de 80 euros por mês

Os portugueses só conseguem poupar, em média, 80 euros por mês, um dos mais baixos entre os países da EU, de acordo com o relatório European Payment Consumer Report, divulgado ontem pela Intrum. É um valor bastante abaixo da média europeia, que é de 385 euros.

Países como a Suíça (250 euros), Noruega (198 euros) e a Suécia (184 euros) possuem os valores de poupança mais elevados.

Abaixo da média de Portugal estão a Polónia (69 euros), a Lituânia (67 euros), a Letónia (44 euros), a Hungria (40 euros), a Roménia (40 euros) e a Grécia (31 euros).

O estudo revela, ainda que 58% dos portugueses conseguem poupar dinheiro mensalmente, um valor ligeiramente acima do da média europeia que ronda os 57%.

Para a realização do estudo foram entrevistados 24 401 consumidores europeus, 1009 dos quais em Portugal.

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