Energia

Dois terços das famílias ainda têm botija de gás e pagam o dobro

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Preço do gás de botija mais do que duplicou em 15 anos. Deco apela a redução da taxa de IVA e mostra onde se compra mais caro e mais barato

Dois terços das famílias portuguesas ainda têm uma garrafa de gás em casa. E, como não têm alternativa de gás natural, pagam duas vezes mais para ter esta forma de aquecimento, denuncia a Deco.

É que o preço do gás de botija, pelas contas da Associação, é mais do dobro por kWh do que a alternativa natural e, tem vindo a aumentar ao longo dos anos. Nos últimos 15 o preço mais do que duplicou.

Não é só. Numa comparação feita aos valores apurados pela Entidade Nacional para o Mercado de Combustíveis (ENMC), a Deco verificou que a diferença entre o preço de referência e o de venda ao público “aumentou substancialmente”.

Em três anos, o preço de referência caiu 48 cêntimos por quilo, o que numa garrafa de 13 quilos significa menos 6,24 euros. Mas o preço de venda ao público só desceu 21 cêntimos por quilo, menos 2,77 euros por garrafa.

A diferença “seria justificada pelo aumento dos custos de distribuição e logística associada à botija e ao seu transporte, algo que não parece ter acontecido. Perante tamanho aumento da diferença, apenas podemos concluir que houve um aumento das margens de distribuição”, denuncia a Deco, que apela ao regulador (ERSE) que vai assumir as competências da ENMC para que “faça um estudo aprofundado sobre as várias parcelas que levam à formação do preço”.

A Associação lembra que as famílias que ainda têm uma botija de gás em casa não têm alternativa de gás natural e, por isso, estão reféns dos valores, não podendo escolher uma alternativa mais barata, como a do gás natural.

Além disso, a Deco assume que a iniciativa de descontar o gás que resta na botija “continua por acontecer”.

“Dada a importância do gás engarrafado, como de todos os serviços públicos essenciais na vida dos consumidores, é importante aproximar a legislação que o enquadra à dos restantes serviços públicos essenciais, entre os quais o gás natural. A Deco considera fulcral e justo, que a taxa de IVA aplicada a estes serviços seja reduzida para 6%”, refere a entidade.

Sem grandes alternativas, a associação de defesa do consumidor dinamizou a página poupenabotija.pt, onde os consumidores podem procurar os locais de venda mais baratos. As diferenças regionais, denuncia, podem poupar 135 euros por ano.

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