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Seniores. O novo pote de ouro das marcas?

Fotografia: Reuters
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Uma geração tecnológica, exigente, que ganha mais do que os filhos e que gosta de viajar. Assim são os maiores de 60

Sénior: adj., 2g. Mais velho, relativamente a outro. A definição de dicionário seria suficiente, não estivesse o grupo dos “mais velhos” cada vez mais alargado.

Faz sentido continuar a restringir ao termo sénior uma fatia que já representa um quarto da população europeia e que está cada vez mais envelhecida?

Um estudo do Observador Cetelem tenta responder: “O sénior da atualidade não é o mesmo de antigamente. Possui meios financeiros superiores, uma esperança de vida maior, uma saúde bem melhor, o que lhe permite olhar para o futuro e optar pela ocupação que torne os seus dias mais agradáveis”.

Certo é que a Europa vai ter de adaptar-se a uma nova tendência: em 2050, as pessoas com mais de 65 anos vão tornar-se no principal escalão etário, representando perto de 30% da população total, quando, na década de 60, representavam 10%. Por essa altura, de acordo com os cálculos da Organização das Nações Unidas, Portugal será mesmo o quarto país mais envelhecido do mundo. No fim, resta saber: o que é que o grupo sénior quer consumir e como é que as marcas se prepararam para responder às suas necessidades?

Uma geração tecnológica

Esqueça os telemóveis de botões enormes e funções básicas. Os seniores de hoje foram das primeiras gerações a ter contacto com a tecnologia moderna e “são cada vez mais exigentes com os serviços digitais para gerirem a sua mobilidade e a sua saúde”, refere o estudo Consumo Sénior do Observador Cetelem, a que o Dinheiro Vivo teve acesso.

Veja-se o exemplo de França, onde mais do que um sexagenário em cada quatro é utilizador de uma rede social, o dobro do que se verificava há cinco anos. Por semana, esta faixa etária passa, em média, 13:15 a navegar na Internet num computador, telemóvel ou tablet; mais do que as gerações mais jovens, que passam 12:15.

Os negócios ainda não estão, contudo, a conseguir aproveitar o potencial de todas estas horas passadas online. Dois terços dos seniores diz comprar online regularmente pelo menos um produto, mas estão longe de abandonar as lojas e há muitos produtos que ficam de foram da lista de compras eletrónica. É o caso dos produtos alimentares: só 3% dos seniores os compra através da internet.

A tendência será, ainda assim, para o crescimento do comércio eletrónico. “Nos últimos anos, os consumidores alteraram já muitos dos seus comportamentos, o que nos leva a crer que a Internet, enquanto canal de compra pode ainda crescer, mesmo junto dos seniores, que possuem hábitos mais enraizados, mas que têm revelado um enorme dinamismo e um grande interesse pelas novas tecnologias”, refere ao Dinheiro Vivo Diogo Lopes Pereira, diretor de marketing do Cetelem.

“Aposta ganha” no turismo

É aqui que os seniores são realmente valiosos para os negócios. “O turismo vai de vento em popa junto dos seniores, que aproveitam estes anos de prata para ir de férias ou de fim de semana”, aponta o estudo. Nos últimos 12 meses, 40% dos inquiridos viajou, pelo menos, três vezes, mais do que os seus descendentes, e, segundo o Eurostat, as despesas turísticas das pessoas com mais de 65 anos aumentaram mais de 30% entre 2006 e 2011.

As empresas turísticas parecem ter percebido esta tendência, diz Diogo Lopes Pereira. “São cada vez mais aquelas que, adaptando gostos e preferências, apostam no turismo sénior. Com mais tempo disponível para viajar e para se dedicarem a atividades de lazer, e, alguns casos, com rendimentos acima da média, os seniores são uma aposta ganha”, sublinha.

Portugal: um país preocupado e tradicional

Os seniores portugueses acompanham a média europeia em muitos aspetos – gostam de viajar e são adeptos de tecnologia, por exemplo – mas o retrato é muito diferente daquele se encontra nos países nórdicos. A grande maioria (87%) está preocupada com o futuro dos seus filhos e, por isso, considera “incontornável” apoiá-los financeiramente. Os portugueses são, aliás, os seniores mais preocupados da Europa.

Ao mesmo tempo, “o ponto de viragem digital” ainda não chegou aos seniores portugueses. Apenas 6% compra frequentemente eletrodomésticos online e só 2% adquire mobiliário por esta via, apesar de só cerca de 8% dos portugueses com mais de 50 anos não ter acesso à internet. Nestes produtos, estão no último lugar dos 13 países analisados pelo Observador Cetelem. “O digital, que poderá ajudar a baixar os preços, nunca os seduziu”, conclui o estudo.

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