Opinião

O que faz um líder de opinião

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Em julho deste ano foi reportada a investigação ao presidente executivo da CBS, Les Moonves, por acusações de assédio sexual e intimidação. A própria CBS fez saber em comunicado que as alegações seriam levadas a sério e que o conselho de administração se comprometia a investigar de forma independente essas alegações que violam as políticas da empresa e a tomar as medidas adequadas.
Na mesma semana, no seu monólogo de abertura, Stephen Colbert, o anfitrião do Late Show que se tornou líder de audiências no segmento (em total de audiência), endereçou esta situação, com a seriedade que o assunto impõe, contudo sem se privar do humor que caracteriza o seu programa, dizendo que não sabia se este continuaria após o intervalo, afinal estavam a falar do presidente da estação.

Stephen Colbert iniciou a sua subida à liderança após a eleição de Donald Trump, na dianteira de uma série de humoristas de sátira política que aproveitaram a abundância de conteúdos que lhes proporciona o presidente norte-americano. Apesar de o Late Show da CBS ter mais 45% do total de audiência, o Tonight Show da NBC, apresentado por um insípido Jimmy Fallon, continua a rivalizar a liderança na demografia (18-49) mais valorizada pelos anunciantes.

Seria expectável que as audiências mais jovens não estivessem interessadas em política, ainda que o assunto Donald Trump seja abrangente, todavia o Late Show é líder nas gravações automáticas, o que significa uma procura ativa do programa. Por sua vez a NBC consegue fidelizar audiências com conteúdos locais e desportivos no período que antecede o Tonight Show, e alimenta as redes sociais com celebridades da música e do cinema.

Abordar a investigação ao presidente da CBS no seu programa está em muitos níveis relacionado com o êxito de Stephen Colbert. A sua imagem, não apenas como brilhante comunicador e humorista, mas como líder de opinião liberal, foi construída nos alicerces de uma credibilidade exemplar, numa realidade em que os media apoiam desenganadamente democratas e republicanos.

O mais interessante no seu discurso foi o facto de não se coibir de agradecer a Les Moonves por ter acreditado e apoiado o seu programa quando poucos acreditavam, muito antes da liderança. Mas não permitiu que esse agradecimento contaminasse aquilo que fazem no Late Show, porque não pode num momento ignorar os erros dos seus amigos e no outro exigir essa responsabilização dos alvos das suas críticas. É esta a diferença entre um entertainer e um líder de opinião.

Managing director da OMD

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