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Mercado cresce devagar, devagarinho

Autoeuropa já conta com mais de cinco mil trabalhadores. Fotografia: Pedro Saraiva
Autoeuropa já conta com mais de cinco mil trabalhadores. Fotografia: Pedro Saraiva

O crescimento do setor automóvel manteve-se a crescer em 2015. Foi dos que mais contribuiu para o desempenho de todo o tecido empresarial.

Os setores energético e indústria automóvel são os que mais cresceram em 2015, contribuindo para um ligeiro aumento do PIB nacional do ano passado. Uma tendência que já se mantém desde o exercício de 2014. Os últimos anos foram de estagnação para o mercado empresarial nacional em geral. A crise económica, a intervenção do Programa de Assistência Económica e Financeira, a desaceleração dos mercados europeu e mundial, puxaram o desempenho das empresas para os níveis mais baixos da última década. Contudo, 2014 marcou já um momento de viragem, com a economia a apresentar ligeiros sinais de recuperação e com o tecido empresarial a mostrar-se reativo e recetivo à busca por novas oportunidades de negócio e de crescimento.

Em 2015, esta tendência de recuperação manteve a sua trajetória, com o PIB a aumentar 1,5% em volume, mais 0,6 pontos percentuais do que o verificado no ano anterior, que foi de 0,9%, situando-se em 2,5 pontos percentuais em 2015 (2,2 pontos percentuais em 2014). Para tal contribuiu o aumento da procura interna que aumentou 2,4% em termos reais (2,2% no ano anterior), devido ao crescimento mais intenso das despesas de consumo final, uma vez que o investimento desacelerou.

O consumo privado também acelerou 2,6% em 2015 (compara com 2,2% no ano anterior), devido ao crescimento mais intenso da componente de bens não duradouros e serviços, com um aumento de 1,9% em 2015 (taxa de 1,3% no ano precedente).

O crescimento apresenta-se, de uma forma generalizada, em todos os setores de atividade. No entanto, os setores energético e automóvel destacaram-se, com empresas ligadas às energias renováveis e empresas de fabricação de componentes a aparecerem com valores interessantes. Por exemplo, entre as empresas produtoras de bens, a MGI Coutier Lusitânia, fabricante de componentes e acessórios para veículos automóveis de Paredes de Coura, vencedora nesta dimensão, apresenta o maior crescimento do índice, tendo conseguido colocar o seu volume de negócios em níveis de relevo, com receitas na ordem dos 33,7 milhões de euros. Sendo parte integrante do grupo MGI Coutier, todo o negócio da MGI Lusitânia, em 2015, foi realizado em vendas externas, gerando um resultado de 1,7 milhões de euros.

Ainda na categoria de bens, a ENEOP 3 é outra das empresas que se destaca. Com aquisição por parte da Enercon, a fabricante de motores, geradores e transformadores elétricos de Viana do Castelo consegue destacar-se não só pelo crescimento de quase 450%, mas também por um volume de negócios de 268 milhões de euros. A empresa consegue ainda um enorme salto no índice das maiores empresas, entrando no top 100 tendo como ponto de partida a posição 651ª que ocupava em 2014.

Na terceira posição do índice de crescimento de empresas de bens, a Iberdrola Clientes Portugal, entra diretamente para a posição 203 do ranking de maiores empresas. Com um volume de negócios que ascende a 128 milhões de euros e um crescimento de quase 170%, a produtora de energia eólica apresenta, ainda assim, resultados líquidos negativos. Para além da atividade de comercialização de eletricidade e gás, a Iberdrola integra um forte programa de investimento, refletido em projetos como o Complexo Hidroelétrico do Alto Tâmega, a Central de Ciclo Combinado da Figueira da Foz, ou vários Parques Eólicos. No top 10 dos maiores crescimentos estão ainda presentes empresas como a Embraer, a Fima Olá e a Avisabor

Perfumes e cosmética lideram nos serviços

O top 3 da subcategoria de serviços, no que ao crescimento diz respeito, é composto por empresas que atuam em setores ligados à perfumaria, cosmética e relojoaria. No primeiro lugar encontramos o Grupo Perfumes & Companhia, cadeia de perfumarias que já conta com 138 lojas no território nacional. Em 2015, através de uma integração na Arié SGPS, o grupo conseguiu atingir um enorme crescimento do seu volume de negócios, para os 122 milhões de euros. As exportações são pouco representativas nos números, mas registam um resultado líquido de 1,5 milhões de euros. O grupo sedeado em Cascais integra as marcas Perfumes & Companhia, Perfumarias Barreiros Faria, Quinta Essência, Anita e Mars, acaba 2015 na posição 229 do ranking das maiores de empresas, não figurando na edição de 2014.

Com a medalha de prata neste ranking encontra-se a Flagravalor, empresa dedicada ao comércio a retalho de relógios e de artigos de ourivesaria e joalharia, em estabelecimentos especializados. Esta é sociedade de serviços com segundo maior crescimento em 2015. A empresa de Penafiel conseguiu fechar o ano com 53 milhões de euros de volume de negócios e com resultados de 83,6 milhões de euros.

A fechar o pódio do crescimento em empresas de serviços, a Roudolph Arié Perfumaria e Cosmética consegue um crescimento de quase 300%, subindo para um volume de negócios de 56 milhões de euros. Com mais de 600 pontos de venda espalhados pelo país, e também com operações em Angola, o Grupo Roudolph Arié, grossista de perfumes e produtos de higiene, detém marcas como a Bulgari, Stefanel ou Wonderbra e conseguiu, em 2015, resultados líquidos acima dos 4 milhões de euros e um peso de quase 10% de vendas para o exterior. No ranking dos 10 maiores de serviços estão a Neopul, a Imócompletissimo, a Meigal, a Estamo, a Eurotyre, a Cimontubo e a Alberto Couto Alves.

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