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Inovação. Um longo caminho para o êxito

Luís Portela, presidente da Bial
Luís Portela, presidente da Bial

Das 20 primeiras empresas de bens e serviços que mais apostam em I&D, apenas duas se destacam no peso dos seus projetos no valor da produção.

Portugal é, aparentemente, um país inovador em muitas áreas. Contudo, quando comparado com outras realidades, e tendo em conta indicadores de inovação que assentam em diferentes dimensões como condições, recursos, processos e resultados, não chega sequer ao nível médio da União Europeia (UE).

Segundo o Barómetro Inovação, levado a cabo pela COTEC Portugal, o país ocupa apenas a 29ª posição de entre 52 países analisados com base em idênticos critérios. Ainda assim, recuperou ligeiramente face aos dois anos anteriores (2013 e 2014), aproximando-se da média global, e consolidando a posição de líder dos países da Europa do Sul, colado à Eslovénia (país na 28ª posição do ranking da COTEC).

O investimento em Investigação e Desenvolvimento (I&D) tem, por isso, um longo caminho a percorrer, apesar dos bons exemplos que por cá existem. Segundo dados da Pordata, Portugal mantém, desde 2013, o mesmo nível de investimento em I&D, em percentagem do PIB (1,3% no total, 0,6% nas empresas), sendo um pouco inferior ao realizado entre 2009 e 2011 (1,6% e 0,7%, respetivamente).

O conceito de inovação é variado, dependendo, principalmente, da sua aplicação. De forma sucinta, considera-se que inovação é a exploração com sucesso de novas ideias e ou processos e procedimentos.

De entre os vários significados inerentes ao conceito de inovação, destacam-se aqueles que se referem a inovações de produto ou de processo produtivo – inovações tecnológicas. Outros tipos de inovações podem-se consubstanciar em novos mercados, novos modelos de negócio, novos processos e métodos organizacionais.

É comum confundir-se inovação e processos de inovação com a melhoria contínua e com processos relacionados. No entanto, para que uma inovação seja caracterizada como tal, é necessário que se observe um impacto significativo na estrutura de preços, na participação de mercado, na receita da empresa e/ou no processo produtivo.

Para apurar as empresas mais inovadores neste ranking das 1000 Maiores Empresas foi aplicada uma fórmula que integra dados sobre Despesas em I&D face ao Volume de Negócios, Projetos de Desenvolvimento face ao Valor Bruto de Produção, e Emprego em Investigação e Desenvolvimento ; face ao Emprego total.

Norte domina nas empresas que transacionam bens

São provenientes de diferentes indústrias mas em comum têm a pronúncia do norte: o pódio das três empresas que mais inovam na categoria de Bens integra representantes das indústrias farmacêutica – a Bial- de componentes elétricos e eletrónicos – a Solidal – e de componentes e acessórios para a indústria automóvel – a Sakthi Portugal. Já no que se refere ao top 10, os setores de atividade são completamente díspares. Encontramos empresas com atividades tão distintas como, por exemplo, a EFACEC Energia, o Laboratório Medinfar – Produtos Farmacêuticos, ou a Novadelta – Comércio e Indústria de Cafés.

A Bial ocupa este ano o primeiro lugar do ranking, destacando-se nos vetores de projetos de desenvolvimento e de emprego em I&D, com uma percentagem acima de 44%. De realçar ainda a percentagem de quase 95% no nos projetos de desenvolvimento face ao valor bruto da produção.

No que à Solidal diz respeito, destaca-se a subida de um lugar face ao ano de 2014, na subcategoria de bens. A empresa ocupava o terceiro lugar e sobe, este ano, à segunda posição, tendo melhorado o seu desempenho, nomeadamente ao atingir uma percentagem de emprego em I&D de quase 9 por cento.

À semelhança da Solidal, também a Sakthi Portugal já fazia parte deste top 10. A empresa subiu de um honroso sétimo lugar em 2014 para ocupar agora a terceira posição, destacando-se na percentagem de emprego em I&D de quase 8% que apresenta.

Consultoria informática domina nos serviços

Ao contrário do que acontece na subcategoria de bens, nos serviços, o top 10 das empresas que mais apostam na inovação integra 50% de organizações cuja atividade está relacionada com as Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC). Por exemplo, de entre as três melhores classificadas, duas dedicam-se à consultoria informática. Aliás, o ranking deste ano repete a tendência do ano passado que concluía já que é na área informática que são gerados mais empregos relacionados com a inovação. Este facto não constitui grande surpresa, uma vez que o setor tecnológico vive uma constante evolução e desenvolvimento, sendo o nível e qualidade do I&D um fator essencial para o sucesso destas empresas.

A grande vencedora deste ano é, nesta dimensão e categoria, a Novabase Business Solutions. A empresa destaca-se pela percentagem de quase 4,5% de despesas de I&D face ao volume de negócios, bem como pela percentagem de emprego em I&D de quase 8,5%. Já a Celfocus ocupa o segundo lugar neste ranking, apresentando uma percentagem de quase 3% de despesas de I&D face ao volume de negócios, e de aproximadamente 7,5% de emprego em investigação e desenvolvimento.

Vencedora da medalha de bronze nesta dimensão, a Irmãos Vila Nova, unidade industrial da marca Salsa, perde este ano o primeiro lugar que ocupava em 2014. Não obstante, denota-se o seu esforço na categoria da inovação, mantendo-se no top 3 e sendo a única que não se dedica a atividades de consultoria em informática, mas antes ao comércio por grosso de vestuário e de acessórios. Ainda assim, Irmãos Vila Nova detém a mais alta percentagem de emprego em I&D no top 3, com quase 9%.

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