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Fraca evolução económica reduz investimentos

Linha do Minho. Fotografia: D.R.
Linha do Minho. Fotografia: D.R.

Expectativa, e alguma desconfiança quanto ao futuro, trava a aposta das empresas nacionais em novos investimentos

Depois de ter acelerado em 2014, o investimento global do tecido empresarial nacional voltou, em 2015, a perder fôlego. As principais razões apontadas pelo Banco de Portugal assentam na preocupação das empresas com as perspetivas de evolução da atividade económica.

As eleições, que tiveram lugar em outubro de 2015, contribuíram também para que, a partir do início do segundo semestre do ano, as organizações optassem por esperar para ver, antes de investir as suas receitas. A par com o endividamento, esta foi uma das grandes razões pelas quais o investimento voltou a desacelerar em Portugal durante a segunda metade de 2015.

De acordo com o banco central, este decréscimo “foi especialmente acentuado na componente de máquinas e equipamentos, que apresentou quedas em termos homólogos nos terceiro e quarto trimestres”. A variação de existências também afetou a dimensão do investimento, uma vez que apresentou um contributo nulo para a variação do PIB em 2015.

Infraestruturas lideram investimento

As principais áreas de investimento foram as infraestruturas, com a Infraestruturas de Portugal a voltar a surgir destacada. Também o setor das águas aparece com particular relevância, destacando, uma vez mais, a importância das infraestruturas no vetor investimento. Exemplo disso é a Águas do Norte, vencedora na subcategoria de Bens. A entidade gestora do sistema multimunicipal responsável pela captação, tratamento e abastecimento de água para consumo público, pela recolha, tratamento e rejeição de efluentes domésticos, urbanos e industriais e de efluentes provenientes de fossas séticas, destaca-se, em 2015, pelo seu nível de investimento. A entidade, que assume também a exploração e gestão do sistema de águas da região do Noroeste surge, este ano, no primeiro lugar deste ranking, para a subcategoria de Bens.

Constituída em 2015 pela agregação das empresas Águas do Douro e Paiva, Águas de Trás-os-Montes e Alto Douro, Simdouro – Saneamento do Grande Porto e a Águas do Noroeste, foi-lhe atribuída, pelo Estado Português, em regime de exclusivo, a concessão da exploração e da gestão do sistema multimunicipal de abastecimento de água e de saneamento do Norte de Portugal, pelo prazo de trinta anos.

A empresa chegando este ano ao topo do ranking nesta rubrica, com um investimento na ordem dos 2 mil milhões de euros, correspondentes a uma taxa superior a 700%. O principal foco deste investimento visa melhorar a taxa de atendimento da população do norte de Portugal no que diz respeito a abastecimento de água e saneamento de águas residuais, e a quase totalidade de investimentos vai para empreitadas de infraestruturas no sistema multimunicipal de abastecimento de água e saneamento de águas residuais, sendo ainda previstos até 2020, investimentos de cerca de 3,7 mil milhões de euros. Em segundo lugar do ranking surge a Embraer. O construtor aeronáutico brasileiro, que é atualmente uma das três maiores construtoras mundiais de aviões comerciais tem privilegiado os investimentos em Portugal, nas suas duas fábricas em Évora (uma de estruturas metálicas e outra de materiais compósitos).

Este investimento, que em 2015 se traduziu em mais de 200 milhões de euros, corresponde a uma taxa de investimento no período superior a 74%, e visou principalmente a produção em Portugal de uma nova linha de jatos comerciais E2, com um aumento previsto nos quadros de pessoal superior a 30%. Num setor totalmente distinto, a Generis Farmacêutica, um laboratório farmacêutico português especializado no mercado de genéricos e similares, destacou-se, em 2015, pelos seus investimentos nos polos fabris que detém na região de Lisboa. Estas unidades de produção, situadas na Venda Nova e Loures permitem-lhe alcançar uma capacidade anual de 30 milhões de embalagens, o que equivale a 1,170 milhões de unidades (comprimidos, saquetas ou cápsulas).

Em 2015 o investimento da Generis foi superior a 180 milhões de euros, tendo correspondido a uma taxa de investimento de aproximadamente 22% e a um acumulado de quase 230%. A farmacêutica é atualmente líder no mercado de genéricos e detentora do maior portfólio de genéricos em Portugal. Na subcategoria de Serviços, o top 3 para a dimensão de investimento volta a ser constituído por empresas com atividade no setor das infraestruturas, saneamento e retalho imobiliário. Na liderança deste ranking surge a Infraestruturas de Portugal, empresa pública que resulta da fusão entre a Rede Ferroviária Nacional – REFER e a EP – Estradas de Portugal. Esta fusão consagrou-se 2015, e, através dela, a REFER incorporou a EP. Desta forma, as infraestruturas ferroviárias e rodoviárias passaram a ser geridas por uma única empresa.

É neste contexto que a Infraestruturas de Portugal aparece, no seu primeiro ano de existência, no topo do ranking de investimento, com uma aplicação de receitas total na ordem dos 27 mil milhões de euros. Este valor contabiliza uma taxa de investimento de 1455% no mesmo período, contra uma taxa acumulada de 1458,11%. E há mais uma empresa de capitais estatais a marcar presença no segundo lugar deste ranking de serviços. A Águas do Centro Litoral foi criada em maio de 2015 e resulta da agregação do sistema multimunicipal de saneamento da ria de Aveiro, do sistema multimunicipal de saneamento do Lis, e do sistema multimunicipal de abastecimento de água e de saneamento do Baixo Mondego-Bairrada. A AdCL é participada pela Águas de Portugal, SGPS, e por vários municípios de Portugal. A empresa chega à 2ª posição no investimento, com uma aplicação de receitas total de 586 milhões de euros e uma taxa de investimento no período de 790%.

A Imoretalho, empresa do universo Jerónimo Martins ascendeu à terceira posição desta ordenação, com um investimento total de 577 milhões de euros e uma taxa de investimento no período de 83%, contra uma acumulada de 989%.

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