Star Company by Dinheiro Vivo

Turismo anima economia e empresas

Porto 03/10/2011 - Bom tempo em dias de Outono na ribeira do Porto. Turismo. Calor.
Porto 03/10/2011 - Bom tempo em dias de Outono na ribeira do Porto. Turismo. Calor.

A segunda metade do ano de 2016 mostrou sinais de recuperação económica.

O crescimento piscou o olho às empresas que, aos poucos, deram sinais de recuperação

Custou a arrancar, mas o crescimento económico no ano de 2016 acabou por engordar o PIB nuns modestos 1,4%, o que criou expectativas positivas para o ano de 2017. Algumas empresas, expectantes até então, começaram, já este ano, a abrir os cordões à bolsa e a dar fôlego a projetos que tinham ficado na gaveta.

Ainda assim, o ano passado não trouxe grandes alterações ao panorama empresarial nacional – com saudáveis exceções, claro -, apesar do setor do turismo ter mantido a trajetória ascendente que trazia já desde 2014.

Olhado sob uma perspetiva económica, o turismo é uma exportação de serviços e entra na balança comercial que se apresentou, em 2016, bastante equilibrada. Só a vertente de viagens e turismo apresentaram um superávite de 4,8% do PIB que praticamente cobriu o saldo negativo nos bens, de 4,9% do PIB.

Além disso, o bom desempenho deste setor acabou por arrastar para território positivo outros setores como a construção e o imobiliário, em forte queda desde 2010/2011.

Com o boom (e a moda) do alojamento local, muitos foram os prédios reabilitados em Lisboa e Porto, com vista a garantir um rendimento extra a privados, ou um filão dourado a grandes investidores. Esta tendência – que continuou a crescer ao longo deste ano – fez movimentar o mercado da construção, numa altura em que as obras públicas no âmbito do Programa 2020 ainda não avançaram, e em que a construção de novos empreendimentos ainda não voltou ao nível de há 10 anos.

José de Matos, presidente da APCMC – Associação Portuguesa dos Comerciantes de Materiais de Construção -, referiu a propósito desta mudança que “andamos há anos a falar da reabilitação, mas só agora é que ela se tornou visível, sobretudo nos centros das grandes cidades”. Aquele representante do setor lembrava a importância que este segmento do setor tem, e terá, na recuperação do mesmo.

Outro setor que voltou a ganhar fôlego com a ajuda do turismo foi o imobiliário que, segundo algumas empresas que nele se movimentam, está a atingir volumes de vendas em linha com os melhores anos anteriores à crise. Uma animação que se explica pela procura crescente de Portugal para investir, passar férias e, até para residir. Lisboa é hoje uma cidade cool e apetecível que atrai todo o tipo de visitantes e de interessados em adquirir património imobiliário, seja qual for o seu propósito.

Top 10 bens com 7 novas entradas

Curiosamente, entre as empresas que mais cresceram em volume de negócios em 2016 não encontramos nenhuma cuja atividade se relacione diretamente com os setores que ajudaram a fazer mexer a economia nacional.

Ainda assim, e face à listagem da Star Company referente às receitas das empresas em 2015, existem grandes movimentações, com várias organizações estreantes a entrar diretamente na lista dos melhores. Só entre as dez que mais aumentaram as suas receitas durante o ano passado na categoria de bens, sete não faziam parte das últimas duas edições das Star Company, o que só por si revela alguma dinâmica no setor empresarial. Outro dado curioso sobre este conjunto de dez empresas é o facto de não haver nenhuma com as mesmas áreas de atividade.

Fazendo uma leitura mais quantitativa, podemos observar que, na categoria de bens, analisando o total das empresas, estas viram o valor total do seu volume de negócios decrescer 0,2% em 2016, face a 2015. Contudo, a percentagem média de crescimento das 346 empresas de bens foi de 35,9%, valor explicado pelas variações elevadas das empresas do topo e pelo facto de apenas cerca de um terço das empresas apresentar variações negativas, com uma média de cerca de -9%.

No topo das empresas produtoras de bens, encontra-se a Prio Supply, fabricante de produtos petrolíferos refinados de Ílhavo, vencedora nesta categoria, que apresenta o maior crescimento do volume de negócios de 506,7 milhões de euros em 2016, um aumento de 10709,3% face a 2015.

Criada em 2006, a Prio distribui e comercializa combustíveis líquidos, conta com um terminal de tanques em Aveiro (armazenagem e logística primária independente) e uma fábrica de biodiesel. A rede da marca é composta atualmente por 250 postos de abastecimento de combustível, de norte a sul de Portugal. Mais recentemente expandiu a sua atuação ao mercado com o fornecimento de gás com marca própria (GPL auto e gás de garrafa). Trata-se de uma empresa com capital 100% português e é a única gasolineira ibérica com a tripla certificação QSA (Qualidade, Segurança e Ambiente).

A empresa Comave do Zêzere, de Ferreira do Zêzere, é outra das empresas que se destaca, com uma variação positiva de 145,9% no seu volume de negócios. Pertencente ao Grupo Lusiaves, a Comave, S.A. tem a sua unidade industrial de abate de aves na cidade de Viseu. A sua atividade principal é a produção, abate, transformação de aves, sendo a secundária a do aprovisionamento e tratamento de subprodutos de aves categoria 2. A Comave iniciou a sua atividade em 1973, tendo quase 45 de atividade no ramo agroalimentar, e para melhorar o seu desempenho implementou um sistema de gestão da qualidade pelo referencial NP EN ISSO9001:2000. Obteve um volume de negócios de 39,4 milhões de euros em 2016, ficando em segundo lugar neste ranking.

Na terceira posição encontramos a empresa J.C. Coimbra II, de produção de azeite. Esta empresa, de Setúbal, obteve em 2016 um volume de negócios de 43 milhões de euros, correspondente a um crescimento de 85% face a 2015.

Vencedoras renovadas

À semelhança do Top 10 de bens, também as dez melhores empresas em crescimento do volume de negócios para a subcategoria de serviços são, na sua maioria, estreantes na listagem das Star Company. No entanto, aqui, as novas entradas são nove, para um total de dez.

O primeiro lugar do ranking é ocupado pela Habitat Vitae, empresa de compra e venda de bens imobiliários. Com um volume de negócios de 44,2 milhões de euros, esta empresa de Lisboa teve um crescimento de 4108,6%, face a 2015. Com uma entrada direta no ranking de 2016, esta consultora imobiliária apresentava um volume de negócios de um milhão de euros em 2015.

Outra empresa que se destaca é a TNORD. Com um crescimento significativo de 2278,7%, esta empresa de construção de redes de transporte e distribuição de eletricidade e redes de telecomunicações, de Braga, ocupa a segunda posição do top 10. Também com entrada direta no ranking, a TNORD apresenta um volume de negócios de 57,7 milhões de euros.

Com a mesma atividade económica, a empresa Sudtel Tecnologia, S.A. é a terceira empresa que mais cresceu o seu volume de negócios, em 2016, com um aumento de 1195,2%. Com um volume de negócios de 46,5 milhões de euros, esta empresa, de Loures, teve igualmente entrada direta no ranking, ocupando a posição 694 nas 1000 maiores.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Outros conteúdos GMG
Hoje
precários jovens licenciados

Jovens, precários e licenciados pagam ajustamento laboral da pandemia

Utentes à saída de um cacilheiro da Transtejo/Soflusa proveniente de Lisboa, em Cacilhas, Almada. MÁRIO CRUZ/LUSA

Salário médio nas empresas em lay-off simplificado caiu 2%

Uma funcionária transporta máscaras de proteção individual na fábrica de confeções Petratex, em Carvalhosa, Paços de Ferreira, 27 de abril de 2020. HUGO DELGADO/LUSA

Mais de 60% dos “ausentes” do trabalho são mulheres

Turismo anima economia e empresas