João AB da Silva

Por favor, não levem a mal

Como já era previsível, 2023 será mais um dos anni horribiles que têm assolado o nosso século. Em termos económicos e financeiros talvez venha a ser o pior. A culpa é do Putin? Ele não é lá muito bom rapaz, de facto. Terá de responder pela guerra injusta e criminosa que impôs à Ucrânia, sem dúvida. Mas, foi ele que elevou ao histerismo as medidas anti-pandémicas? Foi ele que tentou camuflar as respetivas consequências imprimindo dinheiro a rodos, literalmente, como se não houvesse amanhã? Foi ele que entrou numa espiral de sanções contra si mesmo, que levaram à solidificação do bloco russo-chinês e tiveram um efeito bumerangue devastador na Europa?

Quando a prosperidade inveja a utopia

No passado dia 8 de outubro, a seleção do Chile foi derrotada por 2-0 pela do Peru. Nem sempre o futebol anda a par da realidade económica, mas o Clássico do Pacífico reflete muito bem a rivalidade histórica entre estes dois países. Para melhor a compreendermos, teremos de recuar, pelo menos, até ao século XIX. Mais concretamente, às disputas entre o Chile e a Bolívia por uma parte do deserto de Atacama, uma zona rica em nitrato de sódio e explorada por mineradoras chilenas.

A terra onde o negócio soa familiar

Não é a primeira vez que falo no México, tenho por hábito falar do que gosto e considero promissor. Por algum motivo, na sua revisão sobre economias emergentes, em 2007, a Goldman Sachs incluiu este país entre as principais referências do Next Eleven (N-11), ou seja, no grupo de nações a rivalizar com o G-7 e que, em 2050, iriam liderar a produção de riqueza a nível global. Sobre o futuro, ninguém sabe, apenas podemos fazer projeções. Mas, neste caso, são justificadas.

Um lugar ao sol na Ibero-América

Talvez mais preocupado com abençoar a Sino-América que com promover a Ibero-América, na sua recente viagem ao Brasil, Marcelo Rebelo de Sousa resolveu visitar Lula da Silva antes mesmo de se encontrar com Bolsonaro. O nosso Presidente não gosta do Capitão? Entendo perfeitamente, eu também preferia outro. Mas, daí a promover um dos maiores benfeitores do comunismo sul-americano vai uma distância muito grande. Não há boa imprensa que justifique a conivência com a miséria, a fome e a repressão política, entre outras pérolas dos regimes cubano e venezuelano.

Um café e uma jangada, por favor

Agora que estamos prestes a ir de férias imaginemo-nos numa bela esplanada de praia, ao pôr do sol - com ou sem certificado covid, irrelevante para o caso. Na mão esquerda, geralmente a menos útil, mas que mais reivindica o imerecido descanso, talvez um precioso cubano, Cohiba, Partagas ou qualquer outro de top, desde que devidamente fabricado pela miséria que alimenta os nossos sonhos utópicos. Na direita, a que de facto trabalha e bem precisa de férias, pode ser um copo de vinho ibérico, Douro, Alentejo ou Rioja, tinto ou tinto, à escolha do freguês. Com isto e mais um petisco estão reunidas as condições para pensarmos em assuntos importantes. Por exemplo, o papel de Portugal no mundo. No fim, pedimos o café.

A alternativa ao sonho é o pesadelo

No dia 26 de junho, a The Economist noticiou mais uma loucura independentista no Québec. A data do artigo é relevante, já que a 1 de julho se celebrou a Nação - dia em que todo o Canadá sai à rua, cantando o hino de bandeira em riste e escrevendo odes a Terry Fox nas redes sociais. Para quem pensa que a Catalunha é uma dor de cabeça, enquanto o Canadá vive incólume no que toca a independentismos, vale a pena salientar que, nos últimos 20 anos, foi precisamente o nacionalismo quebequense a fonte de inspiração dos delírios catalães. Em particular, pela estratégia democrática que adotaram, com base em eleições e referendos, sejam eles constitucionais ou não.