António Saraiva

A confiança nas instituições 

Mais do com a recuperação da presente crise, preocupo-me, sobretudo, que saibamos fazer dela uma oportunidade de transformação da economia e da sociedade.
O sentimento de incapacidade da economia em responder às aspirações dos cidadãos era já patente antes da eclosão da pandemia e este é um dos potencias fatores que alimentam a ascensão de defensores de soluções extremistas e populistas que ameaçam os valores e as causas em que continuo a acreditar.

António Saraiva

Confederações unidas nas propostas para o Orçamento

Pela primeira vez em Portugal, as propostas que os empregadores querem ver refletidas no Orçamento do Estado foram apresentadas numa posição comum assumida pelas suas cinco grandes confederações, reunidas no Conselho Nacional das Confederações Patronais (CNCP).
Ficou bem patente a sintonia de posições na compreensão da situação económica em que o país se encontra e da necessidade de uma política orçamental favorável não só ao relançamento da atividade económica, mas à transformação estrutural e duradoura da economia portuguesa.
Por outras palavras, utilizando a expressão da presidente da Comissão Europeia no recente discurso do Estado da União, é preciso investir tanto na recuperação a curto prazo como na prosperidade a longo prazo.

António Saraiva

Preços da luz são nova ameaça para as empresas

Aumentos bruscos dos custos são o que as empresas mais dispensariam num momento em que ainda sofrem os efeitos da crise e necessitam de uma envolvente propícia ao regresso à rentabilidade, para poderem impulsionar a recuperação da economia. Esta não é, certamente, a envolvente que se tem vindo a instalar, na sequência das convulsões dos mercados internacionais que têm causado escassez e aumentos violentos dos preços de matérias-primas e bens intermédios.

António Saraiva

De recorde em recorde: haja confiança!

Há muitos, muitos anos, os portugueses tinham a saudável oportunidade de poder desligar quase totalmente da atividade política durante algumas semanas de agosto. O país inteiro ia de férias, os políticos iam a banhos e assim instituía-se uma espécie de trégua político-partidária quebrada apenas por um fio informativo que traduzia uma espécie de serviços mínimos do sistema. Chegava então setembro e a máquina punha-se novamente em movimento. Hoje, como todos sabem, já não é assim: talvez a atenção das pessoas seja menor, mas já não há interrupção nem pausa, menos ainda em ano de eleições autárquicas, com tanta coisa em jogo.

António Saraiva

O difícil caminho para a neutralidade climática

A Comissão Europeia propôs, em julho, um extenso pacote de novas iniciativas legislativas visando acelerar a transição da Europa em direção à neutralidade climática. A 14 propostas, que constituem o chamado pacote "Fit for 55", têm como objetivo alinhar as principais políticas da União Europeia com o Green Deal e, em particular, com a nova meta de redução de 55% das emissões de carbono até 2030, etapa para alcançar a neutralidade climática até 2050. Para tal, a Comissão propõe aumentar o custo do uso de combustíveis poluentes e exigir uma alteração substancial na forma como as pessoas conduzem, isolam as suas casas, produzem produtos e administram as suas florestas e terras.

António Saraiva

Governação económica da Europa finalmente em debate

Tem sido justamente reconhecido o contraste da resposta da União Europeia à presente crise, relativamente ao que foi a muito deficiente gestão da crise anterior. De facto, na longa crise de 2008/2014, o próprio Banco Central Europeu, cuja atuação foi considerada crucial para evitar o colapso da zona do euro, tardou em reagir adequadamente às circunstâncias. Só no verão de 2012 o simbólico "whatever it takes" de Draghi marcou irreversivelmente o início do fim na crise do euro.
Desta vez, a União Europeia soube criar, na esfera monetária como na orçamental, condições - não ideais, mas certamente favoráveis - para ultrapassar, em comum, um desafio sem precedentes. Entre essas condições esteve a derrogação das regras orçamentais, acionada logo em março de 2020, que veio permitir a indispensável margem de manobra para suportar uma resposta eficaz à pandemia e ao seu impacto económico.