Maria da Graça Carvalho

Transformar a crise política no início de um ciclo de mudança

O chumbo do Orçamento do Estado para 2022, e consequente dissolução da Assembleia da República, não tem necessariamente de ser uma má notícia para o País. A crise política surge num momento sensível, com várias questões urgentes para resolver, e é natural que os portugueses olhem com consternação para estes acontecimentos. Mas esse facto também coloca sobre todos os partidos a responsabilidade acrescida de, nos seus programas eleitorais, apresentarem propostas inovadoras que melhor preparem Portugal para o curto, médio e longo prazo.

Maria da Graça Carvalho

"Ir ao banco", sim, mas sem esquecer quem são os titulares da conta

O facto de o Plano Nacional de Recuperação e Resiliência (PRR) de Portugal ter sido o primeiro a receber luz verde da Comissão Europeia é teoricamente positivo para o país. Precisamos de injetar dinheiro na economia, nas nossas empresas, para começarmos a ultrapassar esta crise e a projetar um futuro igualmente cheio de desafios que não serão nada fáceis. Mas a tentativa de humor com que o primeiro-ministro assinalou este momento na semana passada, ao lado da presidente da Comissão Ursula von der Leyen, terá deixado muita gente a duvidar se, de facto, a rapidez com que chegámos à meta - ou antes: à casa de partida - será um bom augúrio.

Maria da Graça Carvalho

Regular o digital sem travar o seu crescimento

A massificação da Internet trouxe-nos uma lista infindável de vantagens. Encurtou distâncias, democratizou a informação e facilitou o acesso a bens e serviços públicos e privados, beneficiando os cidadãos e muitas empresas. Mas trouxe também um conjunto de desafios com os quais temos agora de lidar. Entre estes, a necessidade de proteger os utilizadores de conteúdos lesivos e ilícitos, a defesa do respeito pelos princípios concorrenciais nos mercados online e o escrutínio da atividade das grandes plataformas, onde acontece grande parte da interação online.

Maria da Graça Carvalho

A difícil tarefa de comandar sem dar o exemplo

A presidência do Conselho da União Europeia, sendo de enorme importância, não é uma condição a que se chegue por mérito. Toca a todos os Estados-Membros, numa lógica de rotatividade semestral que tem ajudado a dinamizar esta decisiva instituição comunitária. Contudo, esse caráter automático em nada reduz as responsabilidades de quem ocupa a posição. Principalmente em momentos de crise como aquele em que vivemos, nos quais os cidadãos estão, justificadamente, muito mais atentos à atuação dos decisores políticos.