Joana Petiz

O que há por trás do palco da Jornada Mundial da Juventude

A gritaria sobre o altar do Papa para a Jornada Mundial de Juventude mostra bem o estado a que chegámos. Quando tudo é suspeito e todos merecem desconfiança, a verdadeira culpa morre solteira, mas a lama suja todos aqueles que estão na esfera pública e o medo tolhe qualquer sujeito que se preste a tomar uma decisão. Haverá sempre quem lhe aponte o dedo, quem torça o nariz e questione a verdadeira motivação da escolha assumida. E a alternativa a ficar com essa sombra colada à pele é fugir a cargos públicos ou, assumindo-os, nunca deliberar, nunca apontar caminhos, nunca apresentar soluções.

Joana Petiz

Viagem ao reino do socialismo

O caso já não é novo e vem somar-se a outros igualmente noticiados pelo absurdo de impunidade com tiques de despotismo que vigorava quando o PS governava Lisboa - e que se prolonga com a sua presença no poder central. Não foi só a troca de mimos entre o então presidente da câmara e o então diretor da TVI, nem os ajustes diretos da autarquia a um agora ex-ministro, nem sequer os desmandos de um vereador do Urbanismo que era rei e senhor dos destinos da cidade, chegando a liderar as obras de Lisboa sem escrutínio prévio dos órgãos eleitos pelos cidadãos, até ser constituído arguido por suspeitas de corrupção e abuso de poder. Esses foram apenas os casos mais recentes que se somam a nova bomba na câmara de Lisboa, remontando à sua liderança socialista, a culminar uma série de 13 saídas de governantes da maioria absoluta mais escandalosa da história.

Joana Petiz

A prova do algodão vai autodestruir-se em 3, 2, 1...

Se já existisse o questionário que António Costa nos trouxe nesta semana e que pretende que o salve de mais vergonhas expostas em praça pública sobre aqueles que vai escolhendo para o acompanharem na maioria absoluta que lidera - pelo menos destas mais visíveis, em que há batota logo na casa-partida, que respeitam à nomeação para cargos de representação pública de pessoas que estão a responder em tribunal por crimes alegadamente cometidos ou que fazem carreira a olear as portas giratórias -, Pedro Nuno Santos nunca teria sido ministro. Ou teria?

Joana Petiz

O circo dos horrores

Depois de perder 12 governantes (a última em 26 horas depois de nomeada!) em igual número de meses da maioria absoluta mais absurdamente instável de sempre - não apenas porque conseguida há menos de um ano e numa conjuntura de enorme instabilidade externa, que exige paz num país altamente suscetível ao bater de asas de borboletas vizinhas, mas também por encontrar uma oposição em fanicos -, António Costa sentiu-se na obrigação (de motu próprio ou empurrado por Marcelo) de falar ao país. E o que disse prova que verdadeiramente acredita que é ele que manda e ao resto cabe obedecer e calar.

Joana Petiz

Queima-se o elo mais fraco e siga o bailarico

Luís Feliciano. Sabe quem é? Provavelmente não faz ideia, como não se recordarão muitos já de Sérgio Figueiredo e irão esquecer rapidamente Alexandra Reis. São casos diferentes, mas todos eles foram os bodes expiatórios da falta de vergonha de quem nos governa, os idiotas úteis queimados em praça pública para fazer crer que os responsáveis pelos escândalos que lhes rebentaram nas mãos são inocentes manipulados por pessoas sem princípios.

Joana Petiz

Queima-se o elo mais fraco e siga o bailarico

Luís Feliciano. Sabe quem é? Provavelmente não faz ideia, como não se recordarão muitos já de Sérgio Figueiredo e irão esquecer rapidamente Alexandra Reis. São casos diferentes, mas todos eles foram os bodes expiatórios da falta de vergonha de quem nos governa, os idiotas úteis queimados em praça pública para fazer crer que os responsáveis pelos escândalos que lhes rebentaram nas mãos são inocentes manipulados por pessoas sem princípios.

Joana Petiz

2022, o ano de Costa. ​​​​​​​E agora, habituem-se!

Foram precisos sete anos, depois da derrota eleitoral pós-troika que o obrigou a martelar uma geringonça para assumir o governo, para António Costa conseguir a maioria absoluta que ambicionava desde que empurrara António José Seguro da liderança socialista. Foram sete anos duros, com muitos sapos digeridos e truques de malabarismo a criar a ilusão necessária para não queimar os dedos até ser seguro implodir a máquina, que nasceu torta e nunca se endireitou. Foram também sete anos de casos vergonhosos, alguns deles de polícia, que nunca receberam a devida atenção ou choque público porque pouca voz havia na oposição, com a esquerda comprometida e a direita estraçalhada. E que culminaram com uma pandemia que, entre a doença e os confinamentos vendidos como cura, atou um país inteiro de mãos e pés, deixando-o ainda mais vergado a um Estado mais voraz do que nunca.

Joana Petiz

Quando Costa perde a cabeça, o diabo anda à solta

António Costa nunca foi bom a lidar com a pressão e as contrariedades - um péssimo traço de personalidade, pior para quem tem funções de liderança. Mas sempre que perde a cabeça é sinal de que as coisas não vão correr nada bem para o resto de nós. E a menos que se veja acompanhado no barco da desgraça, como aconteceu quando a pandemia contagiou a Europa e a decisão não lhe caía nos ombros, não consegue senão mostrar-se inapto e impermeável ao sofrimento alheio.

Joana Petiz

O hidrogénio não é nuclear para  Macron - e a sua voz soa mais alto

Não foi preciso que passassem sequer dois meses sobre as declarações de um ufano primeiro-ministro para os planos começarem a mudar, conforme aconteceu em todas as outras tentativas de criar uma ligação de fornecimento energético entre a Península Ibérica e o resto da Europa. Exatamente como antes, França pressionou e Espanha cedeu, agora em meros 50 dias. E o tal gasoduto que iria transportar gás para o resto da Europa e também lá faria chegar o hidrogénio verde quando a tecnologia estivesse pronta - um projeto anunciado com toda a pompa por António Costa como o fim de um "bloqueio histórico" - já mudou.

Joana Petiz

Já viu quanto IVA pagou hoje?

Desde os tempos em que a troika foi chamada para nos tirar do buraco que não acontecia um corte tão significativo na quantidade de alimentos comprados pelos portugueses. Sinais de pobreza à vista. Mas desta vez, a realidade é ainda mais negra: é que comprar menos não significa que se poupa. Apesar de já estarem a cortar na comida, os portugueses estão a gastar muitíssimo mais dinheiro do que há um ano. A subida registada até setembro, acima dos 13% de incremento nos gastos, nunca conheceu um pico tão acentuado.

Joana Petiz

Costa tem um sonho, França tem o nuclear

A crise energética que deixou a Europa a tremer silenciou os profetas do fim do mundo, com o risco real de apagões e congelamento da economia e da sociedade a abafar o clamor pela descarbonização selvagem. Ganhou-se, à custa da ameaça, o afastamento que devia ter guiado desde o primeiro momento uma revolução que é necessária e urgente, mas cujos prazos não podem ser definidos por histeria coletiva mas assegurar que se toma o tempo necessário à ponderação que permitirá escolher caminhos que não somem erros ao erro, nem gerem graves problemas de exclusão, pobreza e sustentabilidade, ameaçando o que a Europa conquistou no último século. E a própria transição.

Joana Petiz

Sete anos depois, Costa no caminho de Passos

Não há margem, a palavra de ordem é contenção. Os portugueses têm de apertar o cinto, que isto agora vai ser a doer e o dinheiro para apoios vai esgotar-se nas contas que é preciso manter secas e certas. Os pensionistas e os funcionários públicos terão cortes nos rendimentos - o valor que se lhes subtrai nunca o chegarão a receber, portanto o Constitucional não o proíbe, como proibiu nos tempos da troika. E as empresas que se façam ao caminho, que de São Bento não vale a pena ficarem à espera de grande coisa. Os impostos que existem são para manter, porque é fundamental garantir receita fiscal - para redistribuir, para pagar dívida e para fazer do défice superavit - e o consumo, confirmando-se a travagem a fundo que o governo antecipa para 2023, vai cair a pique, com os mealheiros dos portugueses já rapados e as contas todas a subir, efeito da inflação e das taxas de juro que se elevam para a travar.

Joana Petiz

Um país de beneficiários de ajudinhas não pode crescer

A uma semana de o governo revelar o que está a cozinhar no Orçamento do Estado para um ano marcado por instabilidade, incerteza e tendência depressiva das economias europeias, pouco se sabe senão que se arrisca a não deixar ninguém feliz. Uma vez mais. Além do foco na solidez das contas públicas - retomado, e bem, o rumo que Vítor Gaspar e Maria Luís Albuquerque haviam imprimido à dívida e ao défice, para deixar Portugal mais perto de ser visto como país sólido e responsável -, há apenas sinais de autismo e centralismo.