Óscar Afonso

Quanto nos vai custar a inflação?

Inflação é um conceito utilizado em Economia para representar o aumento contínuo e generalizado dos preços de bens e serviços, tipicamente de um cabaz representativo, num território (i.e., numa economia) e num determinado período. É, usualmente, representada por uma taxa que, normalmente, é medida com base na variação do índice de preços no consumidor. Este, tendo subjacente o cabaz de bens e serviços representativo do padrão médio de consumo, permite medir o valor que os consumidores têm de gastar para manterem o nível de vida, ao longo do tempo.

Óscar Afonso

O doloroso caminho para liberdade

Os economistas Daron Acemoglu e James Robinson, autores do já best-seller Why Nations Fail, vieram propor-nos mais uma notável obra: The Narrow Corridor: States, Societies, and the Fate of Liberty. Nesta obra, que faz todo o sentido ser lida no contexto atual da Guerra unilateralmente imposta pela Rússia de Putin à Ucrânia, os autores explicam como, em alguns Estados, a liberdade floresce e é próspera, apesar de ameaças, e como se observa autoritarismo ou anarquia noutros. O cerne da questão passa por compreender porque existem Estados democráticos liberais, como acontece no denominado mundo ocidental, entre as alternativas de autoritarismo e de ilegalidade.

Óscar Afonso

A solução é o crescimento económico

Começa a ser banal ouvir que a manutenção do desempenho da Economia Portuguesa dos 20 últimos anos acentuará o empobrecimento face à média dos países da União Europeia (UE), condenando-nos a ser menos desenvolvidos que os outros Estados-membros. A manter-se o contexto, daqui a 5 anos será, por exemplo, ainda maior o número de europeus que produzem o dobro de cada português e que, por isso, irão dispor do dobro do rendimento. O atraso face à média da UE será mais intenso e continuaremos a perder em relação a países do pelotão dos países mais atrasados, como a República Checa, a Eslováquia, a Lituânia, a Estónia, a Hungria, a Letónia e a Polónia.

Óscar Afonso

Custos da inflação

Inflação é um conceito económico que traduz o aumento sustentado do nível de preços dos bens e serviços (tipicamente de um cabaz representativo) num território (habitualmente numa economia) e num determinado período. Usualmente, a respetiva taxa é medida com base na variação do índice de preços no consumidor. Este, tendo subjacente o cabaz de bens e serviços representativo do padrão médio de consumo, permite medir o valor que os consumidores têm de gastar para manterem o nível de vida, ao longo do tempo.

Óscar Afonso

Os últimos 6 anos da economia portuguesa

No contexto da União Europeia, a economia portuguesa tem tido um desempenho medíocre, seja em termos de criação de riqueza (medida pelo PIB) ou de qualidade de vida, como é atestado, respetivamente, pelo andamento do PIB ou do Índice de Desenvolvimento Humano. Em paralelo, a dívida bruta em percentagem do PIB tem aumentado e os fundos comunitários recebidos continuam expressivos, pelo que estes recursos, não servindo para gerar progresso para todos, estão ao serviço de alguns em territórios específicos.

Óscar Afonso

Plano Estratégico para a Terra de Miranda

O Movimento Cultural da Terra de Miranda (MCTM) aprovou, no passado dia 21 de novembro, o Plano Estratégico para o desenvolvimento da Terra de Miranda, por si elaborado, e que em breve será divulgado publicamente. Trata-se de um documento com uma estratégia estruturada, assente numa visão para o futuro do território onde primeiro nasce o sol em Portugal, e que tem uma história e uma cultura ímpares, de grande relevância no plano nacional. O objetivo passa por, no médio prazo, tornar esse território próspero, com base no potencial dos recursos autóctones, sem dependência do Estado nem pretendendo qualquer transferência de recursos do resto do país.

Óscar Afonso

Custos e benefícios da Inteligência Artificial

Nesta crónica discuto vários custos económicos, políticos e sociais potencialmente associados à robótica e, particularmente, à Inteligência Artificial, caso se mantenha a trajetória de implantação atual e permaneça não regulamentada. Ainda que não exista evidência empírica conclusiva sobre a totalidade dos custos creio que pode: (i) prejudicar a concorrência, a privacidade e a escolha de cada consumidor; (ii) alimentar a desigualdade e reduzir salários; (iii) afectar negativamente a democracia.

Óscar Afonso

As duas "décadas perdidas"

Apesar do nível de vida em Portugal ser bem melhor que na generalidade dos países à escala mundial, os portugueses estão, com razão, cada vez mais apreensivos e preocupados. Na sequência da pertença à União Europeia (UE) foi inicialmente possível melhorar o bem-estar social, mas agora assistimos, por exemplo, à emigração massiva de jovens porque, apesar de todas as ajudas colossais entretanto obtidas da UE, a economia portuguesa deixou de lhes conseguir pagar salários aceitáveis e a esperança no futuro esvaneceu-se. É comum, banal até, ouvir relatos de recém-licenciados a caminho de outros países membros da UE porque, no desempenho da mesma função, passam a auferir 3 ou 4 vezes mais que em Portugal.

Óscar Afonso

E agora Miranda?

Na sequência do ato eleitoral do passado domingo, em Miranda do Douro não ganhou apenas o PSD e o CDS. Ganhou acima de tudo Miranda, ganharam os Mirandeses. Ora os Mirandeses quiseram que ficasse Presidente da Assembleia Municipal. Esta instituição é onde se forma a vontade dos Mirandeses, de todos os Mirandeses, pelo que será a sede do poder municipal, do poder do povo, a casa da Democracia da terra de Miranda. E eu serei o garante da democracia em Miranda, da liberdade, de que a liberdade é um fim em si mesmo, sem entraves, sem consequências, sem perseguições, sem medo.

Óscar Afonso

Fazer de Miranda uma terra de oportunidades

Miranda do Douro não tem razões para se sentir grata aos atores responsáveis pela gestão camarária. Bem pelo contrário! Os sinais que aí estão são de despovoamento - uma terra já desumanizada em 2011 consegue perder mais 1000 habitantes entre censos (2011-2021) -, de erosão do sistema de educação - a ponto de se prever que, a manter-se a trajetória atual deixe de haver estudantes matriculados nas escolas do concelho num espaço de 15 anos -, de perda de rendimento - a atividade económica conseguiu ter um declíneo ainda mais acentuado que o registado ao nível populacional, num contexto em que, do ponto de vista da riqueza criada no território, o concelho é o 5.º concelho mais rico do país e já, do ponto de vista da riqueza efetiva por habitante, está próximo do lugar 200 -, de colapso do sistema de saúde - custa a acreditar que não haja um centro de saúde aberto 24h por dia e que a estrutura existente seja carente de equipamentos e recursos humanos -, de dificuldades acrescidas do comércio e da restauração, bem como da agricultura. Enfim, tudo a que se assiste, infelizmente, é a sinais de um declínio muito acentuado.