Rosália Amorim

Sair da crise e crescer em 2022, mas não a qualquer preço 

Começam a chegar, a conta-gotas, sinais de recuperação a um país que se encaminha a passos largos para as eleições autárquicas e a uma Europa que se prepara para uma nova liderança no seu maior motor, a Alemanha. No dia 26 os dois momentos coincidem.
Esta semana, a presidente da Comissão Europeia foi uma das protagonistas dessas boas notícias, ao referir que antevê que 19 países da União vão atingir valores pré-pandemia ainda neste ano. A presidente afiança que diferenças face à última crise são "marcantes". Se em 2008 foram precisos oito anos para que o PIB da zona euro recuperasse, desta vez, espera-se que até 2022 todos os Estados-membros se reergam".

Rosália Amorim

"O que nasce torto, tarde ou nunca se  endireita", já diz o povo

À prova de bala é o mínimo que se exige para os gestores nomeados para o estatal Banco de Fomento. Gerir dinheiros públicos, incluindo o envelope financeiro do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) exige uma folha de serviço imaculada. Vítor Fernandes não tem condições para assumir a presidência do Banco de Fomento e todo mercado percebeu isso antes mesmo de o governo fazer o anúncio nesse sentido. O ex-gestor do Novo Banco está sob suspeita no âmbito da operação Cartão Vermelho, que envolve Luís Filipe Vieira e o Benfica. Eleger um nome sob suspeita para liderar uma instituía pública seria dar um autêntico tiro no pé.

Rosália Amorim

O incómodo indisfarçável

O tempo voa, já diziam os nossos avós. Nesta pandemia, sentimos isso na pele. Os dias, as semanas, os meses desaparecem debaixo dos nossos pés, quase sem darmos conta. Por vezes, parece que caminhamos sobre uma passadeira rolante (presença habitual nos ginásios), sem sair do mesmo sítio. O cerco à cidade de Lisboa vinca ainda mais esta sensação. Tanta luta, trabalho, sacrifício, abnegação e tudo na mesma ou pior. O cerco à capital pode voltar a colocar um travão na economia e as consequências dessa travagem irão alastrar-se a outras regiões.

Rosália Amorim

A Operação Marquês e os investidores estrangeiros

Como será que os investidores estrangeiros olham para a justiça portuguesa quando constatam que são precisos sete anos para que um juiz se pronuncie sobre uma acusação a um antigo primeiro-ministro? Ou quando sabem que de um processo em que está em causa um total de 188 crimes, afinal só 17 seguem para julgamento? E como será que analisam o facto de apenas cinco dos 28 arguidos irem a tribunal? Estes são alguns números que resultam da Operação Marquês e das mais de três horas de declarações públicas e em direto, ontem, do juiz Ivo Rosa.

Rosália Amorim

Preparar o país para o pós-moratórias 

Qual é a estratégia e como vai defender-se, por um lado, o sistema financeiro e, por outro lado, a economia real no período pós moratórias de setembro? Que país está a ser desenhado para lidar com essa fase de reconstrução e recuperação, à luz dos avisos já feitos, esta semana, pelo governador do Banco de Portugal? Estas são as perguntas que fazem empresários, investidores, gestores e cidadãos que conhecem a vida real - e esperam das autoridades públicas respostas concretas, com seriedade e pragmatismo.

Rosália Amorim

Nova corrida de obstáculos

A economia volta a ter sinais de esperança depois de conhecer o anúncio do plano de desconfinamento anunciado pelo primeiro-ministro. De forma gradual, as escolas, o comércio e os serviços vão reabrindo de 15 de março a 3 de maio. Temos pela frente uma corrida de obstáculos longa e sinuosa. Ainda não é tempo de celebrar, muito menos de sair à rua sem regras ou de fazer filas e ajuntamentos ao postigo, até porque precisamos de estar preparados para a alteração do mapa de desconfinamento caso o Rt (índice de transmissibilidade) volte a subir.

Rosália Amorim

Igualdade. Já chega de desculpas!

Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável da União Europeia é muito abrangente e desafiante para as empresas. Não inclui apenas metas ambiciosas ao nível ambiental, mas tem também uma agenda para a Igualdade de Género. Na Presidência Portuguesa da UE, que decorre até junho, o assunto não foi esquecido e foi pedido um estudo sobre o impacto da covid-19 nas mulheres e pretende-se que as conclusões sirvam de base à tomada de decisões políticas e económicas para a recuperação. "Não há crises neutras do ponto de vista do género e esta certamente não o é. Está a haver muitas diferenças nos impactos entre homens e mulheres", adianta a presidente da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG).

Rosália Amorim

A economia e as empresas no pós-pandemia

Diz o ditado popular que "quem vai ao mar, avia-se em terra". A economia vai continuar a ir para o mar alto, com vagas de grandes dimensões, durante todo o ano de 2021. E precisa de se preparar em terra, o quanto antes. Fruto de novo confinamento que vivemos em Portugal - e porque passam também outros países da Europa, que são nossos parceiros comerciais -, a recuperação da economia nacional prevista em jeito de símbolo da Nike ou, numa versão mais portuguesa, numa espécie de "golpe de rins" (expressão usada por Correia de Campos, antigo ministro da Saúde, numa entrevista recente à TSF e ao DN) poderá não se confirmar. Depois de um período de verão animador, o novo arrefecimento da economia neste inverno volta a levantar fortes preocupações ao nível do desemprego, das falências e do crédito malparado. É na dureza das temperaturas geladas que o Estado pode e deve reaquecer os motores dos apoios às atividades económicas. E é também nestes momentos de apagão que é necessário preparar o futuro.

Rosália Amorim

Indústria. Linhas de produção sem pessoas

Fechar as escolas era inevitável face à galopante pandemia, que coloca Portugal entre os piores países da União Europeia e do mundo, quer em termos de contágios quer em termos de mortes por milhão de habitantes. Controlar a pandemia exige tomar medidas drásticas, com um custo económico gigante, mas que é necessário. Encerrar os estabelecimentos de ensino protege os professores, os pais e avós e, claro, os próprios alunos. Afinal, as crianças, adolescentes e jovens adultos estão a ser, nesta fase, um alvo fácil para o coronavírus, ao contrário do que aconteceu na primeira vaga da pandemia, em março do ano passado.

Rosália Amorim

O "just do it" pós-confinamento

Há setores que nunca param. O da comunicação social é um deles. Mais do que um negócio empresarial, o jornalismo é uma missão e um serviço público pelo qual nos cabe zelar, enquanto cidadãos. Não é um dever apenas dos profissionais do setor, como eu, mas de todos os portugueses. Por isso, continuamos aqui, todos os dias com os leitores, cumprindo o dever de informar com rigor, transparência e independência. Os números da pandemia de covid não assustam (mas preocupam) os jornalistas, pelo contrário fortalecem a força das redações. E nem o facto de quatro jornalistas terem visto a sua privacidade violada pelo Ministério Público (como se soube esta semana) nos fará baixar os braços.

Rosália Amorim

Fechar mas "de forma inteligente" e com apoios

Faturação zero! É isso que significa um novo fecho para atividades como a restauração e o comércio não alimentar, admitido ontem pelo governo. Por isso, a Confederação Empresarial de Portugal (CIP) está fortemente preocupada, bem como outras confederações e associações representativas destes setores. António Saraiva, presidente da CIP, pede "um confinamento inteligente", desta vez. Sem suporte, ou seja, sem apoios do Estado, estas áreas de atividade mergulharão num estado de agonia ainda mais profundo - do qual nunca saíram verdadeiramente. Pior, depois de mais este fecho - ainda que possa ser limitado -, muitas destas micro, pequenas e médias empresas poderão nunca mais conseguir levantar-se. A crise económica e social irá não só agudizar-se nos próximos meses, como se antevê que venha a ser muito prolongada.

Rosália Amorim

Combater a pobreza de espírito em 2021

Iniciámos o ano novo com a sensação de termos sido abalroados por uma avalanche que durou de março a dezembro. Ao mesmo tempo, brindámos a 2021 com o sabor amargo de não termos tido a oportunidade de reunir a família e os amigos à mesa no tradicional almoço de dia 1 de janeiro (por causa das restrições de circulação, que permanecem pelo menos até dia 7) e o doce sabor e cheiro emanado da boa nova das vacinas. A pouco e pouco, a confiança regressa, a pouco e pouco vamos conseguir reerguer as nossas empresas, valorizar de novos os postos de trabalho e regressar às boas práticas que têm como pilar central a meritocracia.

Rosália Amorim

Uma almofada com nome de formação

A formação voltou a ser uma palavra da moda e na agenda das empresas e dos executivos. Desde os tempos áureos dos fundos europeus, nos anos 90, que a formação não era falada em tantas notícias e citada em tantas entrevistas. Regressa agora ao palco pela mão da crise. Com o desemprego em alta desde março, por causa da pandemia de covid-19, a formação é agora uma arma na garantia de ocupação e de rendimento, mas não nos iludamos: não é emprego real, efetivo, produtivo no imediato. É formação.