Manuel Falcão

Para onde olhamos? Como ouvimos? Como lemos?

Se olharmos para as nossas rotinas diárias e fizermos um exercício de memória recuando por exemplo há cinco anos, encontraremos algumas diferenças significativas e algumas certezas constantes. A certeza constante, que aliás a pandemia e o confinamento reforçaram, é um aumento da procura de informação - não só sobre a evolução da doença no país e no mundo, mas também sobre grandes momentos que moldaram os últimos tempos: a reeleição de Marcelo Rebelo de Sousa, as presidenciais norte-americanas com a vitória de Biden sobre Trump e as dificuldades da Europa, a começar pelo brexit.

João Coutinho

E agora, como vai ser o novo-novo-normal?

Em 2020, cerca de 300 mil pessoas deixaram a área metropolitana de Nova Iorque. Destes 300 mil, nem todos deixaram a cidade para sempre. Muitas destas pessoas decidiram deixar os apartamentos onde pagavam rendas elevadas, colocaram a mobília num armazém e partiram rumo às suas cidades ou países de origem. Outras decidiram passar a pandemia em destinos de férias, como praias e montanhas. A cidade que nunca dorme teve uma cura de sono forçada durante ano e meio. Andar em Manhattan era como andar numa cidade fantasma ou viajar na máquina do tempo até aos anos 80, quando Nova Iorque era uma cidade suja, degradada, com muitas lojas abandonadas e graffiti por todo o lado. Uma cidade em que, no estado normal, as ruas se enchem de turistas e de gente a ir para o trabalho, viu-se privada de ambos. Até ao final de abril, 90% dos escritórios estavam vazios devido ao trabalho remoto e não havia turistas, fruto da proibição à entrada no país de cidadãos que não fossem americanos.