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O que vale a Disney+? Laivos de Netflix mas com personalidade própria

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Serviço de streaming da Disney chega a Portugal esta terça-feira. Experiência é focada nas marcas Pixar, Marvel, Star Wars e companhia

A guerra do streaming continua ao rubro e esta terça-feira é a vez do Disney+ entrar em cena em Portugal com o seu serviço de streaming com filmes, séries e documentários – cerca de 600 séries e 100 filmes. O Dinheiro Vivo teve oportunidade de testar durante uns minutos a plataforma e há muito para contar, apreciar e ponderar.

Logo à partida o que é oferecido tem diferenças face aos rivais. A Disney+ (lê-se Plus) tem algumas particularidades diferentes do seu principal rival, a Netflix, a começar pelo preço. Só existe um plano de subscrição, no valor de 6,99 euros por mês ou 69,99 euros por ano (até à meia noite desta segunda-feira dava para ter anuidade por 59,99), que permite ter acesso a todas as funcionalidades da plataforma, desde logo a possibilidade de ver em quatro ecrãs em simultâneo (a Netflix tem essa modalidade em planos mais caros), bem como aos mais de 100 conteúdos em Ultra Alta Definição (4K) e fazer downloads de conteúdos em 10 equipamentos diferentes – todos estão disponíveis, indica a Disney.

O serviço é assim mais barato do que o plano mais básico da Netflix (7,99 euros, que só permite um ecrã a ser usado em simultâneo) e mais caro do que a HBO Portugal (4,99). Além disso não tem nenhum período de teste gratuito disponível, como é o caso da Netflix e HBO.

Apesar de não estar disponível pelas boxes das operadoras, é fácil aceder na televisão aos conteúdos já que além de se poder ver pelo navegador de internet, existem ainda a app da Disney+ para Android e iOS e os seguintes dispositivos: Android TV, Samsung Smart TV, LG Smart TV, Apple TV, PlayStation 4, Xbox One, Amazon Fire TV, entre outros.

Tal como já acontece na Netflix, é possível criar perfil para crianças, apenas com conteúdos adequados aos mais novos e é possível criar até sete perfis.

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Experiência: Ao estilo Netflix, com personalidade própria

Ao contrário do que aconteceu nos primeiros tempos de HBO Portugal, do ponto de vista de design, organização de conteúdos e soluções tecnológicas o Disney+ parece um produto acabado, moderno e mais sóbrio em cores do que a Netflix. Na verdade, em soluções da plataforma é o mais próximo do gigante do streaming de vídeos, Netflix, para já sem rival a nível mundial a nível de subscritores (193 milhões) – o Barómetro da Marktest indica que 2,4 milhões em Portugal, 800 mil deles angariados agora durante a pandemia, enquanto a HBO Portugal deve ter cerca de 500 mil.

Logo no topo da plataforma há uma área, ao estilo carrossel de destaques, onde aparecem algumas novidades. Todo o aspeto da página inicial é bem próxima da Netflix, com mosaicos divididos por várias categorias a ocupar o espaço (que podem ser percorridos de forma lateral). No entanto, há algumas diferenças significativas: não há na página inicial os habituais mini trailers que começam a passar automaticamente ao passarmos por cada conteúdo; o estilo do design com cores mais escuras é bem mais sóbrio.

Além disso, mesmo por baixo da zona de destaques existem os quatro mosaicos com o tipo de conteúdos que distinguem a Disney+ de todos os outros, as suas cinco marcas Disney, Pixar, Marvel, Star Wars e National Geographic. Carregando em cada mosaico temos a panóplia de conteúdos de cada marca.

O mesmo acontece nas várias categorias por baixo. Aí encontramos recomendações personalizadas, muito como acontece com a Netflix. Algumas das categorias são: novidades, destaques, tendências, originais, filmes de ação, clássicos (não falta Música no Coração), romances, musicais, curtas (há muitas), Disney Channel ou as chamadas Black Stories (conteúdos com protagonistas afro-americanos), clássicos reimaginados, regresso dos anos 1990, Mickey Mouse ao longo do tempo (onde está toda a coleção de vídeos com o Mickey desde o lendário Steamboat Willie), princesas.

Apesar de não ter autoloop dos conteúdos na página principal (já funciona em cada secção), se abrirmos uma série, filme ou documentário temos acesso a esse pequeno trailer de forma automática, bem como informação do conteúdo e os conteúdos associados, bem semelhante à Netflix. Essa solução parece tornar a plataforma um pouco menos invasiva e cansativa (até visualmente) do que a da Netflix, onde reina uma panóplia infindável de conteúdos e sugestões.

Do lado lateral esquerdo, à semelhança da Netflix, podemos selecionar as áreas de pesquisa, filmes, séries, originais e definições (onde podemos criar sete perfis diferentes com uma panóplia enorme de avatares disponíveis).

Convém indicar que na pequena apresentação/teste a que tivemos acesso, foi usada uma Apple TV e respetivo comando para aceder aos conteúdos num televisor e não era possível tirar fotografias.

The Mandalorian

The Mandalorian

Filmes de topo. Séries a caminho

À primeira vista, a nível de conteúdos o serviço da Disney oferece claramente muito mais do que conteúdos infanto-juvenis ou familiares, muito graças ao catálogo reforçado por outras marcas que pertencem à Disney, mas são bem diferentes da génese da empresa criada por Walt Disney a 16 de outubro de 1923 (faz 100 anos em 2023) à boleia de Mickey Mouse (criado em 1928).

Como a Disney também é dona do catálogo da Fox, a falta de séries da própria Disney, Pixar ou Star Wars é colmatada com alguns dos conteúdos da Fox – para já muitos não estão disponíveis por questões de direitos (depende sempre de cada país). Da lista, destaque para todas as 30 temporadas dos Simpsons, com mais de 600 episódios disponíveis. Há mesmo a possibilidade de ver os primeiros episódios na versão original, com o ecrã a 4:3 (e não 16:9), havendo essa opção disponível (a pedidos dos fãs, foi-nos indicado).

Não faltam ainda filmes menos prováveis como Sozinho em Casa, Música no Coração ou a peça de teatro de Hamilton – um fenómeno nos EUA. Isso e um mundo de curtas-metragens, não só da Disney, mas também da Marvel, Pixar (que tem várias premiadas) e companhia. Uma das melhores experiências para fãs destas várias marcas que vimos foi a inclusão, por exemplo, em cada conteúdo da Marvel, Star Wars ou Pixar, documentários sobre os bastidores de um dos Vingadores ou curtas-metragens sobre o universo de Start Wars, por exemplo, tudo bem organizado e fácil de consultar se tivermos interesse, por exemplo, no último Star Wars (Episódio IX – A Ascensão Skywalker, de 2019).

A série Mandalorian (do universo de Star Wars e que apresentou ao mundo o Yoda bebé), que até estreou este domingo na Fox, em Portugal, é outro dos ex-libris – a série sob a tutela de Jon Favreau, que fez da saga Homem de Ferro e Vingadores um sucesso planetário para a Marvel, tem sido muito elogiada.

Dentro das séries, outra das grandes apostas da Disney como conteúdo original para o serviço de streaming (como é o caso de Mandalorian) é Earth to Ned, uma comédia sob a égide da própria Disney que mistura animação e ação real ao estilo talk-show, onde um extraterrestre chamado Ned (voz de Paul Rudd) entrevista algumas estrelas. No entanto, a série já disponível noutros países não chega a tempo do lançamento em Portugal.

Já nos filmes, o polémico Mulan (devido às tensões geopolíticas entre EUA-China) é a grande aposta da Disney em 2020 e, por causa da pandemia, estreou diretamente em streaming. Só chega à Disney+ de Portugal a 4 de dezembro e é sem custos adicionais, ao contrário do que aconteceu noutros países, onde já ficou disponível, mas com um valor extra premium. Para Portugal foi decidido não avançar com formato pago e lançar apenas quando ficar disponível sem pagamento extra.

Mulan

Mulan

Os documentários é outra das forças do serviço, graças ao portfólio da National Geographic, onde não faltam séries documentais ou documentários como uma recente sobre Jane Goodall (The Hope) ou outra com Leonardo DiCaprio sobre a Amazónia (A Inundação da Terra). DiCaprio será protagonista este outono de uma série dramática sobre astronautas (no início do programa espacial nos EUA) sob a égide da National Geographic, que terá estreia no Disney+.

Resumindo, o novo serviço de streaming da Disney+ tem uma plataforma tecnológica convincente (que terá mais potencial de chegar a mais pessoas se for integrada pelos operadores) e com conteúdos e uma experiência que consegue trazer diferenças face à gigante na quantidade de conteúdos Netflix e à mais modesta (em plataforma e variedade de conteúdos), mas com séries dramáticas de referência HBO Portugal.

A Apple TV+ é mesmo a plataforma com menos conteúdos das disponíveis nesta altura em Portugal e deve-se manter como oferta para quem comprar novos produtos da Apple (o gigante tecnológico apresenta esta terça-feira na Califórnia um novo pacote de serviços, além de novos dispositivos – onde poderá estar o novo iPhone 12).

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