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Samsung ganha clientes à Huawei e brilha nos tablets. “Vem aí uma nova era”

samsung galaxy
O novo ecossistema de produtos da Samsung lançado no final de agosto em Portugal que inclui o novo smartphone Note20 (em duas versões), o tablet Tab S7, o Watch 3 e os novos earbuds Buds Live.

Samsung quer aumentar liderança nos smartphones com ecossistema de produtos. Pandemia trouxe nova vida aos tablets (vendas subiram 25%)

A Samsung em Portugal está bem e recomenda-se, mesmo em tempos de pandemia, isto num mercado de smartphones que tem caído acima dos 10%. Quem o diz é José Correia, o português que é diretor de Marketing de Produto Mobile da Samsung Iberia, tendo estado a gerir os mercados português e espanhol a partir de sua casa em Lisboa, fruto da pandemia (agora já de regresso ao escritório).

“O final de março e abril foram violentos chegámos a ter dias com menos de 80% de vendas, mas em junho e julho recuperámos e voltámos a ganhar quota de mercado”, explica o responsável, que admite que “as vendas online dispararam – passaram de 11% do total para 35% no confinamento, mas bem menos que em Espanha, onde se chegou aos 80%”.

A empresa sul coreana é cada vez mais líder isolada nas vendas de smartphones em Portugal (31,8% de quota de mercado – dados da IDC) e tem beneficiado do infortúnio da Huawei, que desde que começou o bloqueio dos EUA e deixou de ter acesso aos serviços da Google tem vindo a perder terreno – quedas de 40% -, o que parece ter beneficiado Samsung, Apple e a TCL (quarta marca mais vendida no país e a crescer bastante no segmento abaixo dos 200 euros). Sem querer quantificar, José Correia admite: “temos dados objetivos que ganhámos muitos clientes à Huawei, há uma clara migração porque na Samsung não temos as mesmas limitações no Android”.

O consumidor final continua a ser o que tem ajudado no crescimento da Samsung em Portugal, com José Correia a admitir que o mercado empresarial “só cresceu a sério nos portáteis por causa do teletrabalho”. Nesse aspeto, o lançamento em dezembro passado da loja online da própria Samsung Portugal foi uma ajuda durante a pandemia “e deu para aprender bastante”.

José Correia, diretor de

José Correia, diretor de Marketing de Produto Mobile da Samsung Iberia

“O smartphone nunca foi tão importante”

Isto numa altura em que as pessoas parecem estar dispostas a gastar mais dinheiro num produto que nunca foi tão valorizado, daí que para José Correia esteja a consolidar-se uma era “onde o ecossistema não só de hardware mas também de software e de maior fluidez de experiência para os utilizadores seja primordial”.

“Com a pandemia e o ensino e trabalho remoto, apesar da incerteza económica, há muita coisa que muda. As pessoas nunca valorizaram tantos os seus smartphones – são determinantes – e preferem pagar mais para terem um modelo melhor na performance, ecrã e experiência.”

A segunda vida dos tablets

Depois de anos em queda acentuada, os tablets “ganharam nova vida com a pandemia, já que com as pessoas mais em casa passou a ser importante ter outro tipo de ecrãs em alternativa aos PC, até para a escola e o trabalho remoto”. Correia admite que as vendas de tablets da Samsung “dispararam 25%” e “ganharam nova vida”.

Daí que tenham apostado em parcerias com a Porto Editora (no serviço Escola Virtual), autarquias e Governo Regional da Madeira – que disponibilizou tablets nas escolas da região. O que ajudou a fazer a diferença este verão “foi o lançamento da gama média Tab S6 Lite já com a caneta SPen”, que custa 359 euros – antes só tinham um tablet mais básico de 200 euros e os premium.

Apple ganha no segmento dos 600 a mil euros

A Samsung espera uma recta final de 2020 em alta, com o lançamento de um “produto prometedor”, naquele que deverá ser “um bom ano para a Samsung em Portugal”. “Esperamos praticamente manter as vendas de 2019, num mercado de deve cair 10%”. Já na gama premium a Apple – que cresceu mais de 14% em Portugal durante a pandemia, com quota de mercado já de 15,1% – tem sido rainha e senhora muito graças ao iPhone 11.

“No mercado premium entre os 600 e 1000 euros eles ganham-nos, mas acima dos mil estamos taco a taco”, admite José Correia que coloca grandes esperanças na nova estratégia com o lançamento simultâneo de vários produtos móveis já no final de agosto.

Buds Live

Buds Live

Ecossistema de produtos premium

José Correia admite que a liderança da Samsung em Portugal, na Europa e mundial nos smartphones requer uma evolução constante. Daí que com o lançamento do Note20 em agosto, surgiram novos earbuds premium, tablets e relógio, além de uma parceria reforçada com a Microsoft para novos serviços (incluindo na área de gaming – Xbox) e melhor fluidez na experiência entre dispositivos, numa clara resposta ao ecossistema de produtos da Apple. “Além do hardware queremos posicionar-se com um software nosso e de parceiros que permita uma utilização mais fluida entre aparelhos, incluindo as TVs e eletrodomésticos”.

Correia admite que é no premium que a Samsung se quer destacar “com produtos que acrescentam valor”: “mas vamos manter a oferta variada, dos 150 aos 2000 euros (com o dobrável Z Fold 2) até porque foi a Samsung que democratizou o smartphone como aparelho no mundo e queremos continuar esse caminho”.

O responsável da Samsung ibérica admite que o ciclo de vida dos produtos móveis está a aumentar – é entre dois e três anos – e para aumentar o ecossistema de produtos Samsung que os clientes podem ter vão intensificar as vendas em bundle, onde vendam por exemplo earbuds e smartphone com preços mais em conta. “Há poucas pessoas que compram tudo de uma vez e faz parte do nosso trabalho mostrarmos este ecossistema de produtos (e não só), é isso que rege cada vez mais o nosso foco”.

“Podemos ainda não estar a conseguir ver as alterações profundas que a pandemia vai trazer à sociedade”

Marketing pós-pandemia: o bom, o mau e o assim assim

O responsável ibérico da Samsung em aparelhos móveis admite-nos que a própria forma de abordar o marketing mudou durante a pandemia. “Na Samsung valorizámos como nunca o online durante o confinamento e mesmo depois dele, deixámos de lado os outdoors e mantivemos a aposta na televisão”, admite.

As vantagens da aposta digital, para José Correia, são claras. “A nível de operação há mais vantagens no digital, porque podemos ter um conhecimento do consumidor muito mais forte: onde anda, o que faz, o que gosta, os sites que visita e ainda temos registo dos nossos produtos que ele tem”.

Nesse aspeto, o ano passado o RGPD trouxe um desafio grande já que a Samsung teve de criar bases de dados novas. “O permite uma personalização e um detalhe muito maior e temos maior noção do retorno do que investimos, com métricas mais efetivas, ao contrário por exemplo da TV que tem outro tipo de métricas”. Daí que admita que “qualquer empresa que queira crescer, tem de apostar no digital.”

Já a nível de desvantagens, a transformação que o mundo online coloca nas relações entre as pessoas é algo que preocupa José Correia, que dá mesmo o exemplo pessoal da pediatra da sua filha, que admite que tem havido um aumento de crianças com depressão devido ao confinamento e a uma maior presença online.

“Podemos ainda não estar a conseguir ver as alterações profundas que a pandemia vai trazer à sociedade”. Ou seja, a haver desafios no marketing online “eles podem vir do impacto mental que esta maior presença pode ter nas pessoas, até porque nós trabalhamos muito no tipo de mensagem que queremos transmitir”.

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