Turismo

Escolas do Turismo de Portugal formam 648 alunos em ano de pandemia

Entrevista a Luís Araújo, presidente do Turismo de Portugal.
(Carlos Manuel Martins/Global Imagens)
Entrevista a Luís Araújo, presidente do Turismo de Portugal. (Carlos Manuel Martins/Global Imagens)

Alunos que terminam cursos este ano avaliam ainda possibilidades de emprego. No próximo ano letivo, escolas do organismo público têm 1740 vagas.

Com o turismo abalado pelo efeito da pandemia, as 12 escolas do Turismo de Portugal avançam que vão fazer uma monitorização da empregabilidade dos 648 alunos que estão a terminar agora os cursos, mas vão manter as vagas previstas para o próximo ano letivo.

O turismo foi durante os últimos anos um dos principais motores da economia. A crescer de ano para ano, o setor precisava constantemente de mais pessoas. Ainda em fevereiro, a associação AHRESP dizia que a hotelaria e restauração precisavam de mais de 40 mil pessoas. Mas, em poucas semanas, a covid-19 entrou em força na Europa e o cenário mudou. Portas fechadas durante cerca de dois meses, provocaram fortes dores de cabeça ao setor que, ao contrário de outros anos, não reforçou os seus quadros para a época alta. E com os constrangimentos que ainda persistem, o futuro continua rodeado de incertezas.

O Turismo de Portugal tem 12 escolas espalhadas pelo País que formam recursos humanos para as várias áreas do setor. No final deste ano letivo – ainda não terminou para muitos – serão mais de 600. “Este ano, apesar das circunstâncias, vamos conseguir que 648 alunos, de 12 cursos diferentes, terminem a sua formação”, diz ao Dinheiro Vivo, Luís Araújo, presidente do Turismo de Portugal. Com uma forte componente prática, estes cursos têm na sua maioria um programa de estágios integrados na formação. Com a pandemia, esta realidade teve de ser ajustada.

Os estágios dos alunos do primeiro e segundo anos foram adiados. Só os alunos finalistas, que têm de ter esta componente para terminarem a sua formação, é que a realizam. “Nestes casos, e porque nem sempre se verifica a possibilidade de realizarem os estágios numa empresa devido à situação atual do setor, criámos a possibilidade de poderem substituir o estágio em empresa pela realização de um trabalho de investigação aplicada, desenvolvido com a supervisão e orientação de um professor da área técnica”. São 200 os alunos que estão nesta situação, dos quais 121 vão estagiar em empresas.

Mas o futuro ainda não é claro. Luís Araújo, questionado se, tal como no passado, os alunos que terminam os cursos já têm colocação, admite: “Por enquanto ainda não temos dados concretos que nos permitam avaliar esta questão. Na semana passada terminaram a generalidade das nossas turmas do 3.º Ano e muitos desses alunos estão neste momento a avaliar as suas opções, a reestabelecer contactos que ficaram dos estágios anteriores e a verificar as opções/alternativas de trabalho que têm. Iremos fazer uma monitorização detalhada deste processo de empregabilidade, para avaliar estas questões e podermos ter dados concretos sobre como foi efetivamente afetado com a situação pandémica que enfrentamos”.

O contraste com o ano passado é claro. Para se ter uma ideia, no site do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), em maio de 2020, existiam 224 ofertas de emprego para o setor do alojamento, restauração e similares. Um ano antes, em maio de 2019, o IEFP tinha 1598 ofertas, ou seja, mais 1374 ofertas (para este ano houve uma queda de 86%).

Próximo ano letivo

Com este ano letivo praticamente concluído, as escolas do Turismo de Portugal já preparam o próximo. Luís Araújo explica que, neste ano, foram abertas “1740 vagas, distribuídas por 12 cursos lecionados em português e três cursos lecionados em inglês, nas áreas de Gestão (Hoteleira, Turismo, Restauração), Turismo (Turismo Cultural e do Património e Turismo de Natureza e Aventura), Alojamento Hoteleiro, Restaurante e Bar, Pastelaria e Cozinha. As vagas [para o próximo ano] são coincidentes com as disponibilizadas em anos anteriores, tanto em termos de número como nas áreas, abrangendo as áreas de gestão operacional da Hotelaria, Restauração e Turismo”.

Os constrangimentos atuais, provocados pela pandemia, levam também o Turismo de Portugal a ajustar o ensino. As escolas vão reforçar a transformação digital “criando soluções de ensino à distância que serão a base para as mudanças introduzidas no próximo ano letivo”.

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