Turismo

OMT confia que recuperação do turismo comece no 4.º trimestre deste ano

(Filipe Amorim / Global Imagens)
(Filipe Amorim / Global Imagens)

A Organização Mundial do Turismo está confiante que a recuperação do setor terá início no último trimestre deste ano, e mais fortemente em 2021.

Esta recuperação ocorrerá depois da pior crise da história ter colocado em risco entre 100 e 120 milhões de empregos do setor do turismo em todo o mundo.

O 112.º Conselho Executivo da UNWTO (Organização Mundial do Turismo das Nações Unidas), que se realiza hoje na capital da Geórgia, é a primeira reunião presencial realizada pela organização desde o surto da pandemia e tem como objetivo enviar uma mensagem de confiança para recuperar o turismo, cujas perdas são oito vezes maiores do que as da crise de 2008.

O secretário-geral da organização, o georgiano Zurab Pololikashvili, recordou durante o seu discurso na reunião os números devastadores do setor: os cenários apontam para quedas entre 58% e 78% nas chegadas turísticas internacionais em 2020, um nível que revela a incerteza que o mundo está a viver, e que depende da duração das restrições de viagem e de quando as fronteiras serão reabertas.

Como resultado, entre 850 milhões e 1,1 mil milhões de pessoas deixarão de fazer viagens internacionais, provocando perdas entre 910 mil milhões e 1,2 biliões de dólares em receitas de exportação do turismo.

O setor não voltará aos níveis de crescimento pré-pandemia durante mais três a quatro anos.

No entanto, em meados de junho houve sinais positivos de uma inversão gradual, embora ainda cautelosa, da tendência, graças ao levantamento gradual das restrições de viagem em vários países do mundo, especialmente na Europa, e ao recomeço de alguns voos internacionais.

A crise terá um impacto mais notável nas economias que dependem fortemente do turismo, tais como pequenos Estados insulares em desenvolvimento e países com grandes setores turísticos, tais como Espanha.

Os peritos da UNWTO apontam para o início da recuperação da procura turística internacional no quarto trimestre de 2020 e especialmente em 2021, com a procura interna inicialmente mais dinâmica do que as viagens internacionais e o lazer do que as viagens de negócios.

Apesar dos números, Pololikashvili disse que, apesar de o setor ter sofrido uma “facada”, que é a crise mais grave da história, é possível avançar “com determinação e cooperação”, pelo que instou a unir esforços entre instituições e países.

A pandemia vai passar, disse o secretário-geral, mas temos todos de trabalhar em conjunto para dar forma a um setor sustentável e inovador. O turismo continuará a ser “uma coisa valiosa e necessária”.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, enviou uma mensagem ao conselho salientando o papel fundamental do turismo na proteção do planeta e sublinhando que este é hoje mais resistente e sustentável.

O presidente do conselho executivo da UNWTO, Najib Balala, declarou que embora “não haja fim à vista” da pandemia é necessário trabalhar para que o setor “não colapse completamente”, pelo que há medida que as fronteiras se forem abrindo, é essencial seguir as diretrizes da OMC e os protocolos de saúde da OMS para garantir a segurança dos turistas, viajantes e pessoal do setor.

Cada pandemia, disse o ministro do Turismo e Vida Selvagem do Quénia, “incorpora ameaças e oportunidades, e a oportunidade atual é fazer melhor uso da inovação e tecnologia na saúde e segurança.

Os últimos números divulgados na terça-feira pela UNWTO mostram que os turistas internacionais caíram 65% no primeiro semestre de 2020 devido ao impacto da covid-19 e só em junho as chegadas foram 93% inferiores ao que no mesmo mês em 2019.

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