Turismo

Turismo ajusta-se à pandemia e clama pelo cliente português

Terreiro do Paço, Lisboa. Fotografia: Pedro Rocha/Global Imagens
Terreiro do Paço, Lisboa. Fotografia: Pedro Rocha/Global Imagens

2020 é um ano difícil para o turismo. Campanhas juntam-se a programas para levar portugueses a conhecer outras regiões.

Os mais de 24 milhões de turistas estrangeiros que Portugal recebeu em 2019 parecem, à luz do verão de 2020, uma miragem. Não é por isso de estranhar que Vítor Costa, presidente da Entidade Regional de Turismo da Região de Lisboa, descreva este ano como um “para esquecer, mas que infelizmente nunca esqueceremos”. Luís Pedro Martins, presidente da Entidade Regional de Turismo do Porto e Norte, por sua vez, vê 2020 como “um ano muito duro, mas com uma esperança enorme de que na Páscoa de 2021 vamos conhecer o início de um momento de viragem”. “Sejamos nós capazes de ajudar as empresas a aguentar esta travessia”, acrescenta. Contornar o Cabo das Tormentas que o turismo nacional enfrenta exige grande capacidade de navegação.

O setor gerou 18,4 mil milhões de euros em receitas turísticas, contribuindo para quase 9% do PIB português em 2019. Foi a maior atividade económica exportadora, sendo responsável por mais de 52% das exportações de serviços e quase 20% das exportações totais. Números que não se vão repetir este ano. Os vários atores não definem o momento do turismo como de reinvenção, mas é inegável alguma mudança. Por um lado, há uma aposta dos hotéis em campanhas publicitárias – quer nas televisões, quer nas redes sociais nomeadamente através de influencers – que não tem sido muito comum nos últimos anos. Por outro, há campanhas promocionais. Mas há um lado que os clientes não vêem.

“Os hotéis sempre foram e continuam a ser espaços onde se cumprem rigorosos critérios de higiene e segurança. Por isso, a esse nível, e dada a conjuntura, o que houve foi um reforço e adaptação de alguns procedimentos, mas não lhe chamaria reinvenção”, diz Gonçalo Rebelo de Almeida, administrador do grupo Vila Galé. A cadeia hoteleira aproveitou os últimos meses para desenvolver recursos internos. “Acelerámos a nossa filosofia paper free. Já tínhamos hotéis onde praticamente não se recorria ao papel e temos vindo a ampliar essa capacidade a cada vez mais unidades e também aos serviços centrais. Também aumentámos a nossa presença ao nível do comércio online. Durante o confinamento lançámos o serviço de take away e a mercearia”. Mas não são só os hotéis que se transformam. As regiões de turismo também.

Luís Pedro Martins conta que, apesar das dificuldades que a pandemia está a colocar, em relação à região Norte diz ter “alguns dados de alguma retoma, muito marcada pelo turismo interno”, e que “alguns subdestinos que não tinham tanta procura, como Trás-os-Montes, estão este ano a ser opção”.

Como “está na génese das pessoas do Norte encarar os problemas e atacá-los com todo o empenho”, desenharam o projeto: “Reerguer o turismo da região juntos somos mais Norte”, para ser levado a cabo nos próximos dois anos. Destaca que a “campanha ‘Lá em cima’ pretende levar, numa primeira fase, a que os portugueses descubram ou redescubram a região, e as diversas experiências que o Porto, o Minho, o Douro e Trás-os-Montes oferecem”.

A região de Lisboa também lançou uma campanha para piscar o olho aos portugueses. A campanha “Encontrei Lisboa” – em vigor em julho, agosto e setembro – tem dois alvos: um para residentes na região e outro para residentes em outros pontos do país. Vítor Costa reconhece que ainda é cedo para fazer um balanço. Mas não esconde que se tem “consciência de que o mercado interno no verão é um campeonato em que Lisboa dificilmente consegue ser campeã, apesar de a região ter propostas imbatíveis. Desde logo, porque em Lisboa se concentra cerca de um terço dos portugueses, clientes de outras regiões, e porque Lisboa não é normalmente considerada como um destino de férias preferencial para os portugueses, especialmente no verão”.

A Entidade Regional de Turismo da Região de Lisboa (ERT-RL) está ainda a alargar esta campanha a algumas zonas do mercado espanhol, onde tem potencial e considera a possibilidade de a alargar até ao fim do ano, se houver meios.

Lisboa vai ainda ser palco da Liga dos Campeões. Contudo, e apesar de se irem realizar vários jogos, estes vão ser sem público. “Trata-se de um evento de grande impacto mediático a nível mundial, e esse é o principal retorno que se espera, já que o evento não terá público. Esse impacto é estrutural neste momento em que Lisboa e o país têm que se mostrar internacionalmente como destinos seguros, que funcionam e que estão preparados para receber Turismo. Pode ser um ponto de viragem”, remata.

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